Muitos dos atletas que são apanhados a tomarem drogas reclamam dizendo que todos o fazem e todos os anos surgem notícias que alimentam essas suspeitas.
Atletas com patrocínios fabulosos e grandes equipas por trás competem lado a lado com aqueles que correm só por amor ao desporto. E o amadorismo é excepção e não regra, correndo mesmo o risco de desaparecer.
Por outro lado continuamos a escalada em busca do "citius, altius, fortius", mais rápido, mais alto, mais forte. Recordes são batidos a um ritmo fabuloso durante esse mês de Agosto de quatro em quatro anos.
Os jogos recebem mais atenção que nunca e continuam a ser a grande celebração da auto-superação humana.
Está o ideal olímpico morto, ou mais vivo do que nunca?
O desporto pelo desporto está numa cama de hospital bem arrumado para o resto da vida...
ResponderEliminarNa sociedade actual é praticamente inconcebível conciliar trabalho, família e desporto.
E portanto, o desporto substituindo o trabalho passa a ser um negócio, uma profissão como qualquer outra...
Em que a lei do mais forte e às vezes do mais capaz impera...
Essa visão nostálgica e até inocente do desporto, está condenada...
Por outro lado, para os amantes do desporto, podemos desta forma também ver desempenhos que nunca veriamos em atletas amadores...
E a questão é...quem prefere ver um jogo de futebol entre amadores, em vez de um jogo entre profissionais?
O ideal olímpico de honra, boa vontade e desportivismo está morto definitivamente...
Mas o do entretenimento, o da qualidade e o da superação estão bem vivos...
E cá para mim, não chega boa vontade, é preciso mesmo que eles corram os 100 metros em 9 segundos para eu saltar do meu sofá...
Há sempre a consolação que todos os que lá estão começaram pelo espírito do desporto pq quando se começa nunca se sabe até onde se poderá chegar.
ResponderEliminaresse amadorismo que falas ary é algo muito cavalheiresco, muito espirito dos fins do século xix.
ResponderEliminaro desporto, o inicio dos Jogos, eram vistos como uma actividade de prestigio dos senhores...
toda essa época se perdeu.
acho que agora, mais que nunca, a sociedade tem capacidade para suportar o verdadeiro amadorismo, aquele que nasce da vontade colectiva em cultivar o corpo e a mente. só nesta terrível sociedade onde a lei do mais forte impera isso é possível... é no entanto preciso que as pessoas se interessem, e que tenham espaço nas suas vidas para se interessar.
não retira nenhum prestigio aos jogos o facto de ser uma alta competição...
os antigos greogos que participavam nos jogos eram pessoas que se dedicavam ou à práica constante do desporto ou aos desportos bélicos...
enfim, falando em cultivar corpo e mente, vou comer uma barra de chocolate milka e ver televisão até às 3 da manhã. boas*
Eu coloquei este post porque não sabia o que haveria de pensar sobre o assunto. Agora acho que sei o que pensar.
ResponderEliminarOs jogos já não são o que eram, até porque o século xxi não é o século xix. É hoje inevitável que jogos sejam esse gigantesco anúncio de que eu falava e que os atletas sejam profissionais pagos a peso de ouro para saltar mais 10 cm ou correr menos 10 centésimas que o colega que nem chegou lá.
Vivemos num mundo competitivo e o desporto é um meio competitivo. Algo de muito estranho se passaria se nesse meio competitivo, nesse mundo competitivo, não houvesse uma competição feroz.
Perdemos, enquanto humanidade, o Homem do humanismo renascentista. O sábio, o Homem dos sete instrumentos. Hoje se queremos tocar bem só podemos saber um instrumento. Mas ganhamos com a especialização atletas que correm 100m em 9.x segundos. E o mesmo vemos noutras áreas, arrismo mesmo a dizer: em todas as áreas.
Espero que o mundo não se arrependa deste trilho que tem vindo a caminhar. E não sei se as equipas multidisciplinares faram melhor trabalho que os humanistas.