segunda-feira, 5 de abril de 2010

Depois destas discussões que por cá têm passado, apetece encolher os ombros e pensar como a igualdade e a democracia, dogmatizadas, destroem mais do que constroem. O Pedro Arroja, mau grado algum exagero na palavra, acentua, na citação que o Ary coloca, um problema real: a democracia assenta numa nivelação artificial de todos os sujeitos. Não há como não nos rendermos a esta evidência. Sem estruturas de controlo, é um modelo que está condenado a abanar ao sabor da maré, profundamente desresponsabilizante (é a maioria que decide, nunca a própria pessoa) e à mercê de poderes paralelos que consigam manipular o voto (pela nossa tão querida sociedade de informação). Não sei onde o Arroja quer chegar, mas, cá por mim, é uma evidência que nenhuma sociedade é saudável caso esteja, toda ela, sujeita a um procedimento de decisão democrático. Em especial, o nosso tão caro Estado de Direito: pensemos no poder judicial, na sua forma de legitimação (e nem se diga que a sua legitimidade radica, exclusivamente, na sujeição à lei: ou então não se explicam, desde logo, conceitos relativamente indeterminados, abuso direito, ...).
Na Revolução Françesa, desconstruiu-se toda a sociedade anterior e ergueu-se uma 'nova' com os seus destroços. O resultado foi um super-poderoso poder administrativo muito mais fortalecido do que o anterior, de Luís XVI. Em nome da democracia, da igualdade; em nome da maioria.
Convém ter um bocadinho de freio antes de exarcebar a defesa da democracia: é um procedimento de legitimação particularmente frágil. E o Arroja chama a atenção para isso.
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A nossa contradição é gritante: defende-se a democracia enquanto, simultaneamente, se desbasta todo o sistema político e todos os meios de informação. Alguma coisa falhará, certamente.

domingo, 4 de abril de 2010

Mais um

escândalo que abala a Igreja, ou coisa do género. Não pretendo abordar o fundo do problema, só deixar um breve desabafo. Talvez seja impressão minha, mas parece-me que a maior parte dos ataques que tem surgido por todo o lado - contra o celibato, contra a hierarquia, contra as freiras não poderem ser sacerdotisas, .... - vêm de fora. Tem graça que o abalo, que a estrutura da Igreja Católica, pretensamente, sofreu, é especialmente sentido por quem não é católico, por quem não acha nem deixa de achar (legitimamente) se Deus existe, por quem acha que existe, embora não acredite em Jesus Cristo, filho de Deus, por quem diz que este último foi só o primeiro comunista e Deus é uma ficção dos homens ou por quem não diz nada e, igualmente, está ofendidíssimo; que a perda de credibilidade seja especialmente notada por quem...não crê.
Tem graça que, neste cenário, um Pregador - numa homilia - afirme, em citação, que esta situação é análoga àquela por que os judeus passaram e o mundo lhe caia em cima. Apesar de haver uma suspeita descida sobre todos os membros da hierarquia (que, aparentemente, ou são pedófilos ou cúmplices - o que não será, então, um estereótipo).
Tem graça como, nas nossas sociedades livres, democráticas, plurais, tolerantes, integrantes, personalistas, fraternas, ..., um poder ao lado do Estado, ainda que sem espada, incomode tanto.
Disse no início que não pretendi abordar o fundo. Queria dizer, afinal, que não queria tratar da pedofilia.
p.s. - Deixo a recomendação para o artigo de Alberto Gonçalves na Sábado desta semana (na última página de texto).

Google conhece-nos!

Da Democracia segundo S. Pedro [Arroja]

Pedro Arroja dixit: “Quando a democracia de sufrágio universal me considera igual a um jovem de 18 anos e atribui ao meu voto um peso igual ao dele, aquilo que, na realidade, está a fazer é a depreciar-me, a pôr-me ao nível de um miúdo. E isso eu não aceito. É uma ofensa a mim próprio e a Deus aceitar uma coisa dessas, pois equivale a considerar que tudo aquilo que eu fiz no entretanto não tem valor nenhum. Por isso, eu nunca mais votarei. Eu aceito participar num processo democrático quando os outros eleitores sejam meus pares (como acontece na eleição do Papa, que é feita exclusivamente por cardeais). Ora, eu considero que um miúdo de dezoito anos não é meu par coisa nenhuma. Na realidade, tem idade para ser meu neto.”


in Portugal Contemporâneo


(via Cláudio Carvalho)


PS: Acho piada que todas as pessoas na FDUP depois de tomarem conhecimento da personagem nem se tenham dignado a criticar o senhor. Tudo o que tenho visto até hoje são conversas em que as pessoas se limitam a citar coisas que ouviram ou leram.

Almoço de Páscoa

Eu não sei exactamente o que é suposto conversar nos almoços de Páscoa, mas este foi, em minha casa, particularmente estranho. Falou-se de Josef Pieper e de pedofilia na Igreja Católica.


Lembra-me duas coisas que ouvi, ou li, já não sei onde:
"Visto de perto ninguém é perfeitamente normal" e "todas as famílias são disfuncionais".

Reunião de Direcção alargada

Amanhã às 16h30 na AEFDUP há uma reunião alargada da Direcção da SdD. Todos os interessados em ajudar o projecto ou em juntarem-se a ele são muito bem-vindos.

sábado, 3 de abril de 2010

Faits divers

"(...) continua a revelar notáveis capacidades de análise das situações (por exemplo na atribuição da principal responsabilidade da actual situação do país a uma crise cultural) mas, da mesma forma, continua a pecar nas conclusões que delas extrai. A aparentemente correcta distinção que estabelece entre os arquétipos culturais e organizacionais das tradições católicas e protestantes é concluída pela insustentada tese de que tudo se resolveria com um acréscimo de autoridade, que no caso concreto significa a instauração de um novo regime autoritário em Portugal."

I Campeonato do Clube de Debates da FEP


Publiciata-se o que os nossos irmãos economistas andam a fazer:

Estão abertas as inscrições para o I Campeonato do Clube de Debates da FEP! Todos os alunos do ensino superior podem debater e pôr à prova a sua capacidade de argumentação e exposição sob pressão!
Envia um email com o vosso nome, email, nº de telemóvel e estabelecimento de ensino superior, assim como nome da equipa,  para up.aefep.debating@fep.up.pt e confirma a vossa participação! As inscrições fecham às 18h de Quarta-feira, dia 14 de Abril.
No entanto, neste momento apenas podemos garantir a participação dasprimeiras 6 equipas a completarem a inscrição, portanto “acções, não palavras” :)
O campeonato terá início na Quarta-feira, dia 21 de Abril, às 18h10 na Sala 118. Os debates serão de eliminação directa e seguirão o modelo praticado nas sessões anteriores, de acordo com o Regulamento do I Campeonato.
Estão também abertas as inscrições para a Mesa, sujeitas no entanto a homologação.
Todos os oradores e membros da Mesa terão direito a um certificado de participação, e os grandes vencedores receberão uma menção honrosa! E, para quem quiser treinar antes, ainda teremos dois debates até ao início do Campeonato!
Boa Páscoa,

Mais recursos, mais Sociedade de Debates


É no nosso 750º post que tenho o prazer de anunciar que a Sociedade de Debates será apoiada este ano pela Universidade do Porto, através da sua Reitoria.

Soma-se assim o apoio da Universidade ao prestado pela Faculdade em disponibilização de locais para publicidade, em salas, no uso do data show, do sistema de som e do palanque. Estes apoios, que traduzem a confiança crescente das instituições neste projecto, são o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver em prol dos estudantes da academia e da Faculdade de Direito em particular, deixando-nos orgulhosos e motivados para enfrentar o trabalho que temos à nossa frente no desenvolvimento deste nosso projecto pioneiro.

Agora só faltas tu para fazer tudo funcionar. O próximo debate é já na próxima terça-feira, dia 6 de Abril, com Guimarães e Supra vs Fredery e Nikie.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Já me esquecia que é Primavera