terça-feira, 9 de junho de 2009
Rangel, O Constitucionalista
segunda-feira, 8 de junho de 2009
do votar*
Premissa 1: Felicidade conjunta através da mudança política.
Premissa 2: O meu egoísmo na escolha do lado que penso que é certo.
Não nega a segunda premissa a primeira?
Algo não bate certo. Mas, votar, votar, assim votar por votar é tão essencial, não é?
Temo pelo corações dos homens
que desistem,
de si e das coisas do mundo.
Temo pelos corações que não sentem
a divina sensação de procura.
Temo e eis que dou por mim a amar o Homem.*
A única coisa que não nego à política é a procura que lhe está no sangue. Apenas isso, ser uma forma de procura e como tal merece respeito. De qualquer forma, não sei ao certo até que ponto, é a melhor forma de encontrar a Felicidade conjunta. Pois, o mundo, é o meu mundo e no meu mundo as coisas só tem razão enquanto foram queridas por mim, O MUNDO (no seu todo) é algo que não está sobre o nosso domínio, não é cognoscível. Pobres homens que tentam edificar O Mundo como se fosse algo que estivesse a seu cargo, é tao difícil compreender.
Se tudo o Destino absorve,
Se a vida não é mais que criação e recriação,
a resposta acompanha-me e
a realidade das coisas só tem sentido
enquanto elas forem queridas por mim.*
Mais que a mudança política, impõe-se hoje a mudança ética, metanóia da existência (diriam uns). Os deveres morais que propomos aos nossos mundos (e são tantos) que permitam de uma forma nada egoísta exaltar metafísicos valores, não é assim? A política, dizem, tem em si a faculdade de edificar esses valores, mas as grandes mudanças no nosso modo de ser e estar, enfim no nosso modo de viver não provém nunca da influência de um modelo dado por outrem (pela política e pelos homens que a decidem). Cai tudo num relativismo, é certo? Mas, os homens que decidem a realidade política não são eles homens? E se o são, é natural que da sua condição, se exija algo maior que os seus simples ideais, se exija a esses homens, tal como imperativo a mesma mudança no modo de ser que permita à humanidade amar, que permita à humanidade crescer, que permita à humanidade alcançar a Felicidade de uma forma não egoísta.
Votar, votar, votar! Sim, é correcto, não nego. Votar pela felicidade (egoísta). Mas, hoje ainda há quem vote pela Felicidade (não egoísta)?
Eu não votei. Acusem-me de falta de cidadania, de falta de tino para as realidades da política, acusem-me de estar fora da sociedade e dos seus problemas, de não querer mudar a realidade social, de não estar ao pé daqueles que sofrem, de não reflectir sobre a crise. Acusem-me!De qualquer forma, sou homem e propunho a exaltar a minha condição natural, aquilo que me impele a valores mais altos que os valores políticos, todos os dias, me procuro aperfeiçar na minha imperfeição. Haverá alguém que me acuse por este anelo? Por viver de uma forma tão intensa tal aporia (existencial diriam)? Sou assim tão censurável?
Apoio quem vota, essas utópicas pessoas. Apoio a minha posição, essa utópica posição de acreditar que hoje é possível exaltar a condição natural do homem que o permita alcançar aquilo que loucos e excêntricos descreveram como A FELICIDADE.
"A grande qualidade de um revolucionário é só uma: amar a humanidade"
Eis que no Fim de todas as coisas,
a aparição acontece!
Eis que o rosto da Fortuna
se revela a nossos olhos.
De uma beleza sem grau.
Prometida e devida conquista!*
....
Admiro as coisas do mundo
e a solidão, sua essência,
está em mim.*
* (dos meus blocos)
domingo, 7 de junho de 2009
Lições de Vida
1. Poucos sentimentos ultrapassam em genuinidade e intensidade o de pertença a um grupo. Hoje, como eu poucos dias, senti-me parte de uma comunidade. E depois há um ritual que se vai repetindo ano após ano e a que desde muito pequeno me fui aprendendo a gostar cada vez mais: vai-se em família, contente, com a certeza de que se vai fazer algo importante, procuram-se as mesas, encontram-se pessoas conhecidas e, esta parte só conheço desde há muito pouco tempo, finalmente chega a hora da verdade, em que apesar de todas as nossas reflexões, todas as discussões, finalmente nos encontramos a sós connosco e com a nossa consciência e percebemos que o voto é mesmo secreto, que não temos que dar satisfações a ninguém, nem de argumentar, que não interessam os discursos, que em última análise temos que fazer um "salto de fé".
perspectivas
Nota prévia: eu votei.
Votei; acho que votar é um dever cívico (apesar de ter sido um feliz contemplado com o recenseamento automático e retroactivo legislado por este governo - iniciativa que aplaudo entusiasticamente); e condeno a abstenção, embora reconhecendo nesta duas vertentes: a consciente e fundada; e a desinteressada, ignorante e preguiçosa.
Todavia, sou também um grande adepto do princípio do contraditório (e, prestando o devido tributo, foi certamente o Direito que me desvendou a sua potência para um conhecimento dialéctico e abrangente). E, por isso, deixo aqui um peculiar manifesto pró-abstenção. Que é muito interessante pois ao mesmo tempo que revela todo um desprezo e desconfiança hoje generalizados para com a Política, faz uso de alguns argumentos que não são despiciendos. É uma possível opinião-retrato da juventude portuguesa bastante verosímil, com traços inteligentes e ponderados. E uma boa dose de humildade, também.
E de quem é?
Do músico Sam the Kid, que no seu último albúm [Pratica(mente), 2006] incluiu uma faixa justamente com o epíteto "Abstenção".
Mas não é a letra da música que vou deixar. Na capa do disco há um caderninho para o ouvinte, em que cada para cada música há como que uma exposição-explicação. Numa vertente musical (produção, masterização e etc.) e, na vertente que me interessa, uma explicação mais ou menos teórica, pessoal, acerca do porquê da letra da música:
Nunca escrevi sobre política porque sinceramente não me interessa. No entanto, quando fiz este beat há uns anos, o meu pai sugeriu-me que fizesse uma letra política. Como sou indiferente a esses otários da política, decidi escrever acerca disso mesmo. E aqui poderá surgir uma questão: se sou tão indiferente, porquê dar-me ao trabalho de fazer uma música com essa temática? Aí eu contra questiono: não será válido fazer uma música sobre a indiferença política? Sei que é contraditório, e isto não é só indiferença, é desinteresse, é desprezo, é desconfiança.
Como explico na letra, não sou recenseado, logo não voto; e na minha situação estão milhares de jovens. A razão: não sei.
Não preciso de razões para não votar, preciso é de razões para votar. E não me venham com conversas do valor que o voto tem, porque sendo assim o meu voto é valioso demais para usar numa escolha de exclusão de partes. A maior parte dos votantes vota contra alguém. Para eu votar, teria de ser a favor de alguém em quem acreditasse. E sim, sou a favor da abstenção, porque acredito profundamente que algo pudesse mudar mais depressa desta forma, do que com cem por cento de votantes nas urnas. Para quê? Para sermos ainda mais na percentagem dos desiludidos? Não. Assim a minha consciência fica tranquila. Sei que para muitos isto é de uma ignorância tremenda, mas as pessoas já se fartaram de clichês e déjà vus todos os dias, todos os anos, e nada muda.
(bolds meus)
E interrogar-se-ão os leitores: e o voto em branco?
Eu acho que para quem pensa assim, a questão vai ainda mais fundo. Daí ser-se também... mais violento (na acepção de revolta).
sábado, 6 de junho de 2009
da análise dos gráficos do Ary e do Hugo
Da análise dos gráficos dos nossos dois colegas podemos tirar as seguintes conclusões:
primeiro, que tomam posições à volta das assumidas por um dos partidos do mainstream português.
segundo, que tomam posições que não são assim tão diferentes dos restantes partidos:
a ver - a moderação do Hugo aproxima-o, no gráfico, à atitude tomada para com a liberdade económica adoptada pelo PSD ou o MMS, e mesmo o PNR.
- a atitude do Ary para com o Estado Providência é semelhante à Wonderland do BE, e corresponde a 20% mais do que o PS e 40% mais que o PSD e o CDS
- a atitude do Ary para com a temática da ordem e lei e imigração é semelhante à do BE e do PPM, singularmente, os partidos que melhor admitem a imigração, a par dos restantes partidos neo-marxistas
- em conclusão, as posições tomadas pelo Hugo em relação ao Estado Providência são o meio termo entre a atitude do PS e a do PNR. As do Ary, entre as do BE e a Alice no País das Maravilhas.
:. No final de contas, resumem-se as posições dos partidos e movimentos políticos concorrentes a algumas diferenças importantes em alguns e muy definidos pontos.
Uns são mais hostis para com a imigração, outros menos inclinados para a protecção policial, alguns que acham que os jardins infância deviam ser completamente comparticipados pelo Estado, etc...
Assim, o que Portugal tem para oferecer à União Europeia é igual ao que tinha para oferecer há 30 anos atrás, soi dizer-se apenas que agora pode fazê-lo com mais nomes.
Essa mesma Europa que é alimentada e financiada pela Indústria, Turismo, Tecnologia do sector privado da Alemanha, França, Holanda, Espanha, Inglaterra, etc., essa mesma Europa que depende do esforço de homens e mulheres e da força da sua actividade e iniciativa para criar este espaço de desenvolvimento sustentado e apoios a nações mais desprivilegiadas que é a UE, é a mesma Europa que vai arcar com 22 deputados portugueses que têm todos a mesma mensagem: é preciso mais dos vossos impostos porque é preciso Mais Europa para haver Mais Portugal. O dia do contributo de Portugal para que haja mais Europa fica, portanto, agendado para as calendas gregas.
Não há, mister dizer, alternativas, entre tantos partidos social-democratas.
PS: a análise dos gráficos não tem como função criticar as escolhas dos meus colegas Hugo e Ary. Nem se está implicitamente ou explicitamente afirmar o que eles pensam ou deixam de pensar, excepto nas partes onde de facto está explicito ser isso que eu penso que eles pensam. Por isso, antes que venha o desfile da indignação, ou o tipo que acorda às 08:58 para ler os meus textos e rir-se às gargalhadas, fica o aviso.
PS1: No entanto, como um desses dois disse, com toda a justiça, que as minhas ideias têm 300 anos de idade, eu só posso responder, pelos resultados que se espera já amanhã, que tanto eu como a Europa estamos 300 anos atrás de Portugal.
PS2: consegui, num só texto, incluir três arcaísmos linguísticos: o "muy", o "mister" e o "soi".
PS3: esta é, sem sombra de dúvidas, a melhor consola de todos os tempos.
O meu gráfico

Post-scriptum(não se pode arriscar conexões políticas num post destes): Fiz o questionário de uma forma bastante rápida, e portanto acabei por ser neutro em mais questões do que se o tivesse feito ponderadamente...Além de que só respondi à primeira parte(aposto que a parte onde escolheria os partidos que nunca votaria me teria colocado mais perto do PSD que do BE, apesar da curta percentagem de diferença final).
Em quem vais votar?
Para quem ainda está indeciso, quer confirmar a racionalidade das suas escolhas e apenas reflectir sobre a sua posição em alguns assuntos aqui fica um teste interessante que compara as tuas respostas com a posição dos 301 partidos que concorrem a estas eleições.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Dos Animais, das plantas e das outras COISAS
1. Eu gosto de animais - não tenho nada contra as plantas, mas isso agora não vem a propósito - e ainda assim não pude deixar de me sentir ... ultrajado, revoltado, humilhado, rebaixado ... pelo último post. Não só como jurista, ou projecto de jurista, mas sobretudo enquanto ser humano.
