Ó filósofo que te dizes Político
Custa-me a crer que Tu,
eminente e exmo Filosofo,
Digas que amas, respiras e vives
essa realidade da Política!
Custa-me a crer que te emaranhes
nesse mundo do Poder face a outro teu semelhante.
Custa-me a crer que imagines um Império
do bem sempre do bem
que fará outrem Feliz.
Quando, Tu exmo Filosofo sabes
que tal meta é um simples anelo de cada um.
Duvido que não te sintas perdido
no meio de tanta aporia
por tal sentimento que te faz político.
Duvido que não sintas asco
ao amar essas realidades da Política.
Ó querido filosofo, tu melhor que ninguém
deverias saber que no teu meio a política não tem lugar.
Há lugar para a contemplação do mundo e das suas coisas.
Não das criações do Homem que te afastam delas.
Tua defesa é só uma: amor à Política.
ao Bem-comum.
Defendes-te com o thelos do relacionamento humano.
Política tem que existir para podermos edificar tais relações.
Logo te respondo,
o cerimonial humano, o envolvimento é tão natural
que não precisa de tal criação humana.
Organizas sim a Estupidez humana em tentar controlar
os meios, lugares e classes onde encontrarás os rostos que amas.
Ó filósofo pinta apenas um quadro.
Crava o pincel no braço,
logo verás de que és feito.
Lá a política não tem lugar.
Sentes dor?
Sim, dor de ser humano, não de ser Político.
"Animal Político" me respondes.
E zombando de ti respondo:
"Não, não! Animal, apenas animal."
tb publicado aqui