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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pobre Tolstoi

Penso nisto desde o fim do ano passado.
Parece-me que um dos mais curiosos efeitos secundários derivados de cursar Direito é, para além da dependência de substâncias como o café e coisas que tais, deixar de considerar o Guerra e Paz de Tolstoi um livro tão grande quanto isso.
E, já agora, passamos a presumir (presunção iuris tantum) que o livro não deve ser maçudo, nem se perderá em minudências como distinguir de figuras afins, para concluir que a distinção, vendo bem, se afigura claríssima, que não irá fazer incursões pelo direito comparado, para sapientemente concluir que a jurisprudência do Supremo Tribunal Alemão não conhece paralelo no nosso ordenamento, que não faz sentido importar construções da dogmática italiana, porque a nossa lei, tal como Liedson, resolve, que os escrupulosos resultados a que a interpretação exegética da jurisprudência do Conseil D'État chega não são para cá chamadas, para, por fim, passar ao estudo do regime estabelecido numa qualquer lei lusa.
Não, definitivamente Tolstoi não assusta os estudantes lusos que fazem das tripas, então na época de exames!, coração.
*presumir-se-á ainda, mais ousadamente, que, no Guerra e Paz, o essencial da história não se passa em notas de rodapé.