domingo, 5 de outubro de 2008

o único e verdadeiro 5 de Outubro


Em Resposta ao Louvor Republicano:


Será que um monárquico deve ficar em casa, no 5 de Outubro?

Será que um monárquico, tal como a restante população que não festeja o 5 de Outubro porque não tem muito de bom para recordar dele, deve ficar em casa a comer cheetos ou pataniscas?

Não.

Eu festejei. A República? Não. Algo mais verdadeiramente português. A data da assinatura do Tratado de Zamora. O Único e Verdadeiro 5 de Outubro.

Súbdito? Não, sou cidadão. Republicano? Não, sou português.

nota: e fui festejar fora, num restaurantezinho muito simpático no Porto. Um filetinho de polvo que me pôs a barriga mais satisfeita que as maminhas da menina República...
nota da nota: o jantar acima mencionado foi feito da noite de 4 para 5. O calendário do portátil,tão monárquico que é, saltou este dia e pôs-me já no dia 6...

Sarah Palin (para ver se isto mexe um bocado)


Eu também estou assustado

Outubro, Abril e outros meses




Faz hoje 98 anos que Portugal é uma República -- esta era a forma como eu queria começar este texto, mas depois apercebi-me de que não é bem assim.

Os republicanos chegaram ao poder reunidos por um inimigo comum, a monarquia, mas rapidamente, com o fim desse elemento agregador, surgiram divergências. Como agravantes, estão as dificuldades económicas herdadas e as criadas pela participação na Primeira Guerra Mundial e o sistema parlamentarista imoderado que resultava da constituição aprovada em 1911. A política anti-clerical num país com fortes crenças religiosas terá também contribuído para diminuir uma base de apoio, que passou rapidamente de muito larga a muito estreita. O resultado foi um período de grande instabilidade entre 1910 e 1926, em que tomaram posse sete Parlamentos, dezasseis Presidentes da República e cinquenta Governos. É no entanto simplista dizer que a I República se resume a boas e grandes intenções, já que foram conseguidos alguns progressos sociais: foi reconhecido o direito dos trabalhadores a reunirem-se em sindicatos, a igualdade de género, foi reduzida a semana de trabalho para quarenta e oito horas semanais, criada protecção social para órfãos e mães solteiras e leis laborais de protecção das mulheres e menores, foi reconhecido o direito ao divórcio, proibida a censura e reconhecido o direito à greve, melhorado muitíssimo o acesso à escolaridade básica e criada uma rede de novos estabelecimentos de ensino, nomeadamente superior, por todo o país, etc.

Todas as revoluções são projectos políticos que encontram baionetas e têm geralmente dois propósitos: em primeiro lugar, substituir uma regime decadente, num país decadente; em segundo lugar, implantar um regime que seja o oposto exacto do anterior. No caso da República, como em muitos outros, o projecto fica por cumprir e passa-se "da barbárie à decadência sem a civilização pelo meio". 

Como podemos cumprir Abril se falta cumprir Outubro?

Todas as Repúblicas vivem do sonho de criar um país em que o poder político está na mão de todos, em que todos, independentemente de nascerem pobres ou ricos, têm a possibilidade de chegar a qualquer cargo, em que não à lugares reservados, em que se só se entra por se ter um nome sonante ou por se ser filho do seu pai. Todas as Repúblicas aspiram a um país de cidadãos e não de senhores e súbditos, em que não há uns mais e outros menos, em que não há privilégios, mas direitos que permitem um melhor exercício dos cargos que se desempenham. Todas as Repúblicas nascem da permissa de que todas as cabeças pensam melhor que uma, ou do que algumas, de que os cargos são melhor exercícidos quando se tem de prestar contas a alguém e quando não há cargos vitalícios, de que mais vale confiar no discernimento do povo do que na lotaria do nascimento.

É isso que vemos neste Portugal do início do século XXI? Onde se perderam estes desígnios que não chegaram ainda a casa?

Como podemos cumprir Abril se falta cumprir Outubro? Como podemos "cumprir Portugal"?

sábado, 4 de outubro de 2008

V Debate - Esta Casa defende o tiranicídio

Depois de muitas alterações de última hora ao cartaz e de alguns atrasos, teve lugar um dos melhores debates até agora e certamente o mais assistido.


Divulgam-se as pontuações:

Bancada 1: 166 pontos
Frederico Cardoso - 80p.
Sérgio Morais - 86p.

Bancada 2: 144p.
Pedro Quintas -75p.
Campos - 72p.

Bancada 3: 147p.
Paulo Meireles - 84p.
Isabel - 60p.

Bancada 4: 131p.
Ricardo - 71p.
Camelo - 60p.




quinta-feira, 2 de outubro de 2008

V Debate - Deputados

Sérgio "Mike" Morais
Frederico "Fredy" Marchand
Isabel "Ursa"
Frederico Styliano
Miguel Sousa
Pedro Quintas
Paulo Meireles
Frederico "Chiquinho" Bessa Cardoso

A organização fez de tudo para ter um debate com pessoas que representassem diferentes grupos da faculdade, diferentes perpectivas de vida e diferentes sexos. Tal não foi possível devido à indisponibilidade de muitas das pessoas contactadas.
Apesar dos desequilíbrio mais que evidentes esperamos um grande debate.



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Alea jacta est

Como publicado no blog do Tribuna:

"Se olharmos o mundo sem ver, sem pensar, absorvendo apenas a luz que as nossas retinas captam, sem atender mais a umas coisas que a outras, sem distinguir o importante do insignificante, o bom do mau, o feio do belo; se não procurarmos desesperadamente um sentido, uma Grundnorm, um deus ou um diabo que unifique finalmente todas as partes desavindas, todas as meadas do novelo; se, por fim, vivermos cada dia dar significado ao passado ou especular sobre o futuro; se fizermos tudo isto, iremos certamente perceber o quão absurda, desligada, desconexa, aleatória e surreal é a própria realidade.

São sempre os resultados mais improváveis que acontecem quando o cenário é complicado, porque, provavelmente, a soma das probabilidades de todos os resultados improváveis, supera, e bem, a soma das probabilidades de todos os resultados prováveis.

O mundo é .... estranho.

Claro está que eu não acredito no próprio conceito de aleatoriedade. Nada é aleatório, ou verdadeiramente aleatório. Tudo está dependente, em última instância de leis físicas, que, pelo menos acreditando na ciência mais moderna, são sempre iguais a si mesmas. No fundo tudo depende de alguma coisa, ou de algumas coisas, ou melhor ainda: tudo depende de tudo e todas as variáveis se entrecruzam de modo a que a nuvem de fumo de dois cigarros iguais, acesos ao mesmo tempo, da mesma forma, um ao lado do outro, sejam sempre completamente diferentes. Confusos? Eu também ...

Quando Julio César passou o Rubicão com as suas legiões a caminho de Roma, depois da campanha da Gaulia, violando as leis da República, disse: "alea jacta est" ("a sorte está lançada", ou "os dados estão lançados"). 

Pode parecer paradoxal, mas na verdade a inexistência da aleatoriedade não impede a existência da sorte se esta for definida como uma sucessão favorável de acontecimentos toldada por variáveis complexas. Partindo desta definição então a sorte acaba por estar em todo o lado, determinando muito daquilo que acontece.

A aceitação destas verdades pode não trazer muita felicidade, mas pelo menos pode tirar-nos alguma soberba ou algum peso na consciência.

Esta coluna será sobre todas as coisas insignificantes, todas as pequenas variáveis e todas as grandes coisas. Não olhará ao útil, ao inútil, ao interessante ou ao desinteressante, pois sob este prisma todas as coisas são iguais quando giraram ferozmente no poderoso turbilhão das coisas. Afinal as ervas daninhas são só ervas paras as quais ninguém descobriu ainda nenhuma propriedade, não têm nada de intrinsecamente pior que muitas outras que crescem expontaneamente nos nossos jardins...

Afinal o conhecimento não ocupa lugar e a vida, guião sem argumentista, aproxima-se na sua diversidade mais do absurdo que do dramático e portanto mais da comédia que da tragédia.

Alea jacta est:

Não há mais ozono há beira-mar do que em qualquer outro lado. A beira-mar cheira a algas em decomposição (basicamente enxofre) e inalar esse cheiro só poderá ter efeitos placebos.
Se queres apanhar uma boa dose de ozono lava-te com lixívia, vai para a beira de equipamentos de alta voltagem, torna-te ambientalista e vai abraçar salgueiros e carvalhos ou, para maior eficácia: mete a boca num tubo de escape e respira profundamente..."

Alea jacta est é uma coluna semanal do blog Tribuna publicada todas as segundas.

sábado, 27 de setembro de 2008

Cartazes do V Debate


Dia D(ois)

Dentro de 5 dias teremos o debate com ex-alunos.
O primeiro grande teste à nossa capacidade de organização e mobilização aproxima-se a passos muito largos e temos de garantir um sucesso estrondoso se queremos que a Sociedade levante voo.

Mas por que é que este debate é tão importate?
- É o primeiro debate para fora, ou seja, feito para pessoas que não fazem parte da Sociedade de Debates;
- Esta Faculdade tem muito má memória e esta é uma oportunidade única para dar a conhecer pessoas que a ajudaram, à sua maneira, a definir;
- Foram convidados vários professores, os holofotes estão virados para nós e todos querem ver o quão a sério devemos ser levados;
- Este é um ensaio para coisas mais ambiciosas, como um torneio, que julgo possível no segundo semestre;
- Vão estar presentes pessoas de outras faculdades e era importante entusiasmá-las para fazer coisas semelhantes;
- Este vai ser o primeiro debate para muitos alunos do primeiro ano, perdê-los seria comprometer a viabilidade da Sociedade a médio prazo.

Organização e Mobilização:
- Alguém tem uma câmera de vídeo que permita gravar mais de uma hora de debate e passar para o PC o vídeo? Se não, Luísa, trazes a tua? Eu levo tripé.
- Alguém se voluntaria para tirar fotos? Namorada do Ricardo disponível? Posso emprestar a minha máquina.
- Na mesa vou estar eu, a Maria João, o Paixão e o Hugo.
- Vamos ter como adjudicador suplementar o Noronha. Alguém quer ser adjudicador também?
- Chamem muita gente! Arrastem quem puderem!
- Manuel, traz a campainha, se faz favor.
- Alguém tem um cronómetro? (Daqueles de desporto)
- Alguém se disponibiliza para ir falar às salas de todos os anos durante segunda, terça ou quarta-feira?
- Alguém se disponibiliza para distribuir flyers?
- Segunda-feira vamos ter de tirar fotos para uma apresentação da FAP. Vamos precisar de gente para servir de modelo fotográfico.

Como vêem até quinta-feira às 18h00 temos muito para fazer.
Peço a colaboração de todos, sei a qual não será possível levar isto até ao fim.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Educação e violência

Depois de termos aflorado a questão em Direito Penal, assisti recentemente a uma conversa entre algumas pessoas desta Sociedade sobre o papel da violência na educação dos filhos pelos pais.

Educar alguém é uma coisa tão complicada como é o fenómeno de aprender. Exige paciência e insistência, saber ceder e saber exigir, levar as pessoas aos seus limites, testá-las, dar-lhes docinhos e tirar-lhos, implica o desenvolvimento de sentido crítico, de confiança em nós e nos outros, de auto-domínio, de autonomia, de capacidade para expor ideias, espírito de sacrifício, et caetera; mas traz uma enorme satisfação quando damos por cumprida uma tarefa que nunca o está por natureza.
Curiosamente não precisaria de mudar muito o texto para o mesmo ser verdade relativamente a aprender.

A questão é complexa e creio que uma resposta útil terá de tomar obrigatoriamente um lado, embora possa introduzir nuances. 

O ser humano reage a estímulos, a incentivos. Como tal só vai dispender recursos numa tarefa como aprender se tiver estímulos. Como todos sabem, há dois tipos essenciais de estímulos, os positivos (a cenoura, os lucros, os doces, os beijinhos ...) e os negativos (o chicote, os prejuízos, a pimenta na língua, os estalos ...). Ora educar pede geralmente ambos os tipos de incentivo, pois que é tão importante aprender o que se deve fazer como o que não se deve fazer.

Eu tenho muitas dúvidas, mas gostava de ler algumas opiniões.
Dar um sermão pode magoar mais que um puxão de orelhas?
A violência gera violência? Poderá o ciclo ser parado, ou pelo menos evitado o efeito bola de neve?
O que deve ser proibido? O que provoca dor? O que pode traumatizar? O que deixa lesões psicológicas? O que deixa lesões físicas?

Esta casa acredita que a violência pode ser usada na educação dos filhos?

lágrima

José Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Soeiro Pereira Gomes, ...; autores esquecidos dos programas de Português, relegados para o baú do que não interessa. Porquê?
Vai-se a memória, vai-se o passado, vai-se o presente.