Mesa:
Francisco (Presidente)
Maria João (Vice-presidente)
Daniela (secretária)
Governo:
Duarte Canotilho (20 pontos)
Bernardo Almeida (55 pontos)
Oposição:
Guilherme Silva (73 pontos)
Hugo Oliveira (46 pontos)
Num debate que contou com duas estreias, o tema prometia argumentos empenhados e com larga margem de discussão, juntando vários elementos para se assistir a um óptimo debate.
Claro que o grande desafio do debate foi contar com as duas estreias: o Hugo (FEP) e o Bernardo (Vice-presidente Actividades Académicas da ELSA Portugal).
Contudo, a bancada do governo tentou uma frustrada definição da moção claramente manipuladora do debate e fugindo ao tema pretendido, sendo portanto a moção desafiada pela bancada da oposição, o que foi aceite pela mesa de modo a tornar o debate possível. Contudo e infelizmente, o Primeiro- ministro (Canotilho), decidiu ao invés de argumentar, gastar os seus sete minutos reclamando da decisão da mesa e invocando uma suposta cabala. Daí o facto de ter recebido a pontuação mais baixa alguma vez atribuída na sociedade de debates.
Ora, estando o debate sem argumentos durante os primeiros sete minutos, claramente a tarefa do Hugo foi dificultada e talvez daí tenha vindo muito do nervosismo. Contudo, introduziu claramente seriedade no debate, trazendo argumentos interessantes como a questão das gravidezes indesejadas, dos métodos contraceptivos e a questão das DST’s, falando ainda das questões demográficas.
O Bernardo, iniciou o discurso de forma muito ponderada e séria, mas depressa descambou nos argumentos, fazendo algumas afirmações um pouco chocantes num estudante de Direito e virando o discurso para o lado canónico, ou não tivesse ele estudado na Universidade Católica do Porto.
Quanto ao grande vencedor deste debate, conseguiu trazer argumentos frescos ao debate e contar uma pequena história sobre os dramas da não existência de educação sexual nas escolas, o que sem dúvida deixou a audiência e a própria mesa sensibilizada. Sem contudo nunca deixar de lado o humor que tão bem o caracteriza.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Esta casa defende que a educação sexual nas escolas é desnecessária
quinta-feira, 12 de março de 2009
Esta casa acredita que quem copia também tem mérito.
Mesa:
Maria João Fonseca (Presidente)
Daniela Ramalho (Vice-Presidente)
Rui Vieira (Vogal)
A favor:
Tiago Ramalho – 79 pontos
Nuno Paixão – 81 pontos
Contra:
Flávio Silva – 70 pontos
Rui Borges – 72 pontos
Foi este o tema escolhido para iniciar os debates do segundo semestre, contando com vasta assistência e bastantes caras novas a assistir e inclusive participar nas perguntas dirigidas aos oradores. O debate foi animado, sendo os quinze minutos de preparação das equipas ocupados pelas sempre bem-dispostas piadas de Guilherme Silva, que conseguiu animar os espectadores enquanto o tempo decorria.
Começado o debate pelo Paixão (Primeiro-Ministro), cedo se percebeu que o debate ia arranjar vários exemplos e argumentos favoráveis ao mérito da cópia, mesmo à partida sendo esta a posição mais complicada de defender. Tal como nos habitou, o Paixão usou o humor para captar a atenção da audiência, respondendo com audácia às várias perguntas que lhe foram colocadas. Quanto ao Flávio, mais uma vez mostrou que consegue dominar o discurso, mas voltou a perder-se em expressões pouco formais, embora tenha moderado a sua agressividade perante os adversários. Faltou ao seu discurso o aceitar perguntas, embora vários braços tenham sido levantados durante os sete minutos em que discursou.
O Tiago, ou não tivesse ele vindo da economia, socorreu-se do argumento económico para mostrar que copiar não é afinal assim tão mau, dizendo mais ou menos por estas palavras que “copiar não é assim tão mau, pois permite-nos economizar tempo para outras coisas”. O Rui teve os dez minutos de defesa da oposição, argumentando bem e acrescentando coisas ao que o colega de equipa já tinha dito, acabando por aceitar muitas perguntas e perder o discurso, com o excessivo número de perguntas aceite. Para terminar o debate, o Paixão teve as honras dos três minutos que normalmente podem decidir o debate e acabou por aproveitar da melhor forma, captando totalmente a audiência com a forma bem humorada com que geralmente dá cor aos seus discursos.
Em suma, foi um debate animado e um dos mais assistidos, o que se espera que se mantenha por todo o semestre. Salienta-se ainda o facto de a campainha ter tido casa cheia no dia em que se estreou!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Palavras
Motivado por um comentário ao post anterior, o texto extravasa em muito tais limitações. Procura ser mais abrangente e abordar a relação entre a palavra e a mensagem.
1. São íntimas as relações entre a palavra usada e a mensagem querida. São tais que o mesmo sujeito, com o desiderato de veicular o mesmo conteúdo, pode levar a diferentes atribuições de significado ao seu discurso se servido de diferentes palavras.
2. No entanto, seria incauto se procurasse afirmar a primazia de uma sobre a outra. Cada uma vive no seu domínio próprio, embora com uma relação umbilical. O Homem a ambas presta vassalagem. Por um lado, à palavra, honrando a literatura (que arte será essa que não a de bem usar a palavra?). Por outro, às “grandes ideias”: políticas, filosóficas, estéticas. Não viverão as mesmas independentemente de serem excepcionalmente bem comunicadas?
3. Assim, numa comunicação podem existir boas ideias e más palavras, más ideias e más palavras, más ideias e boas palavras e boas ideias e boas palavras. Tudo isto parece um jogo semântico, mas não o é.
4. O verdadeiro demagogo tem más ideias e boas palavras. O eloquente filósofo terá boas ideias e boas palavras. O sábio que não tem voz tem boas ideias e más palavras. Por fim, o ignorante que apenas arranha uma ou outra frase tem más ideias e más palavras.
5. De modo que o desafio ao destinatário acaba por ser separar a ideia da mensagem. Destrinçar entre o que é dito e o modo como é dito. Só dessa forma fica vacinado contra o eloquentíssimo demagogo; só assim consegue conhecer a ideia do mais frágil dos oradores, para podê-la debater de seguida.
6. Não se pense que é fácil distinguir. É perfeitamente possível sair de um bom filme com vontade de mudar o mundo, ou com uma diferente visão da realidade. Até que melhor se reflecte. Tal, tão-somente, porque a palavra (evidentemente que estou agora a usar palavra metaforicamente, como sinónimo de comportamento comunicativo) é bem usada, independentemente da mensagem. Foi, aliás, o que aconteceu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos: o espectáculo a vender uma ideia que o espectador só depois vem a lembra-se não ser certa.
7. Com isto se chega ao que queria. O Manel afirmou que gostava de ter um discurso provocante, depois de, por meu lado, ter afirmado que com o mesmo não identificava de todo. Cá vão as razões que me levam a fazê-lo.
8. O discurso dialógico tem, por natureza, um destinatário. Nesse sentido, o autor poderá adaptá-lo de acordo com o destinatário ou, por outro lado, não o fazer. Assim, seria desajustado o professor de Física falar em termos técnicos com os alunos da primeira classe ou, inversamente, o aluno tratar o emérito professor como se de um colega de escola se tratasse. Com isto se conclui que o discurso pode e (a meu ver) deve ser pronunciado de diferente modo consoante a situação (imagine-se um político que constantemente dialogava “a discursar para as massas”. No mínimo, seria caricato.)
9. Por tal tenho para comigo que o discurso que procura debater ideias num ambiente de cordialidade e (diria mais, não obstante as críticas que possam ser dirigidas) civilidade não deve ser emitido a raiar a ofensa. Pelo simples motivo de que pode levar o leitor a não debater a mensagem, ou a tomar a mensagem pela palavra (chocado pela palavra, ataca o autor do texto, esquecendo-se de avaliar a bondade da mensagem). Assim, quando o autor aborda a temática de pinça e bisturi, cheio de cuidado para não cortar um pouco ao lado, não está a dar menos de si ou a menos sentir a questão. Penso, até, que na maior parte das vezes procura deixar a sua ideia bem clara, sem dar margem para interpretações dúbias do discurso (para que não seja rotulado; não que haja mal em sê-lo, há é quando o leitor, sabendo o autor “comunista” ou “imperialista” ou “pró-globalização”, já não se foca na ideia mas apenas em atacá-lo com tais chavões).
10. Assim se dirá que não tenho nada contra discursos inflamados e cheios de alma; procuro sempre focar-me na ideia, não na mensagem, se bem que me deleite com um texto bem escrito (ou uma palavra eloquentemente pronunciada). Simplesmente, não posso tomar minhas palavras num tom em que me não revejo.
11. Sem dúvida que há aqui uma forte diferença entre alunos do 1º e 2º ano. Diria mais: há uma enorme diferença entre os diferentes oradores/ escritores/ autores, sempre pelo propósito de melhor comunicar. A arte da palavra, portanto.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Art. 1º
A Sociedade de Debates é um projecto de alunos da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, unidos pelas suas constantes divergências, e que procuram, através do debate, não chegar a conclusão nenhuma.