terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mestrado Integrado

Uma discussão que talvez já estivesse na altura de termos enquanto estudantes era a da hipótese de passarmos a ter mestrado integrado em Direito e em Criminologia em vez de fazermos licenciatura e depois mestrado.

Confesso que não dei ao problema muita reflexão, mas pessoalmente acho que poderia resolver alguns problemas que só agora começaram a surgir.

Fico à espera de feedback.

19 comentários:

Ary disse...

Se o outro post valeu 43 páginas de discussão, ficava desiludido se este lhe ficasse atrás.

DC disse...

O tempo responderá melhor que qualquer um de nós, e com conhecimento de causa, tendo até possibilidade de citar grandes cabeças pensantes das diversas áreas, no entanto, e com as restrições que as profissões jurídicas, são as que conheço+/-, começam a impor a quem nelas quer ingressar, penso que caminhamos no sentido do Mestrado Integrado.

Note-se que a FDUP, ao contrário de muitas outras faculdades, tem propina igual no 1º e 2º ciclos. O que denota uma certa aproximação, ou pelo menos não rejeição total, do modelo de mestrado integrado.

Eu continuo à espera das minhas aulas de história da FDUP, pode ser que no decorrer desta conversa ela surja finalmente.

Ary disse...

Não sei como é a questão no caso de Criminologia, até porque eles já têm estágio na licenciatura e se calhar o mestrado ainda não faz assim tanto sentido, mas no caso de Direito, com a "bacharelização" e massificação das licenciaturas a única hipótese dos juristas acompanharem a tendência, não perderem prestígio profissional e consideração social, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade da sua formação esperando que essa melhoria se traduza numa mais valia para o nosso sistema de justiça, é os estudantes e as Faculdades de Direito passarem a encarar o mestrado como uma continuação natural da licenciatura. Para mais hoje o CEJ exige mestrado e a Ordem dos Advogados também vai passar a exigir, portanto mais cedo ou mais tarde, com toda a gente a querer ir para mestrado e as vagas a escassearem mais vale adoptar um método que garanta: propina igual durante todo o período de formação, que ninguém fica de fora do mestrado por causa da concorrência de estudantes vindos de outras Faculdade um pouco mais liberais na atribuição de classificações e que não há uma quebra abrupta entre dois momentos de formação que têm de ser encarados numa lógica de continuidade.

Claudisabel disse...

olá

Bem aqui está uma boa questão,Criminologia, eu não posso falar por todos mas pelo menos o meu ano, realmente já se questionou muitas do porquê de não termos mestrado integrado.

Já falei com alguns professores nossos há algum tempo mas não houve grande esclarecimento porque não falei com quem realmente está à frente disso, a mestre Josefina Castro.

Mas sim, nós queríamos o mestrado integrado e acho que faria todo o sentido no nosso curso, o estágio a meu ver não parece à primeira vista um entrave.

Mas já agora pedia aos dois, a algum de vocês como funciona exactamente o modelo do mestrado integrado, pode parecer uma pergunta estupida, mas sou sincera, não sei mt bem em que termos exactos ele funciona.. Podiam esclarecer-me??

Só mais uma questão: eu não tenho acompanhado muito e nao sei muito sobre Bolonha, nem sofri com as alterações significativas que alunos de direito sofreram e pelo que ouvi lamentáveis, mas ouvi dizer e se calhar indo até de encontro ao que disse o DC, é verdade que Bolonha so fica concluida em 2012?? não será que as pessoas responsaveis não irão adiar a sua decisão até à data limite e o mestrado nãqo integrado não será neste momento uma forma de a faculdade obter mais dinheiro..?? Tal como eu algumas vozes da criminologia já falaram neste sentido...

Bem esta sim é uma boa questão e que merece ser discutida conjuntamente...

ah até porque em criminologia os profs j+a falam no facto de a licenciatura ser insuficiente, sendo este um ciclo de estudos tão geral e não permitindo qualquer especialização, não seria mais útil optar por mestrado integrado, sairiamos a ganhar nao??

Claudisabel disse...

Desculpem os erros ortográficos mas eu sou mesmo assim a escrever no computador :(

Duarte Canotilho disse...

Concordo plenamente com a questão do mestrado integrado.
Se fomos obrigados a mudar o esquema de curso para bolonha, e se bolonha nas outras faculdades (na sua maioria) prevê mestrados integrados, então para realmente complementar a nossa formação, acho que devemos também ter mestrados integrados.

A questão monetária é muito interessante. Realmente ao não termos mestrados integrados, a faculdade pode a qualquer momento exigir mais dinheiro pelo mestrado, o que limitaria muito o acesso a alguns estudantes, e por conseguinte, num mercado de trabalho onde empresas e sociedades de advogados, quase exigem o mestrado, limitaria muito as opções de acesso.


Uma questão põe-se. QUe modelo de mestrado integrado. Ou seja, o aluno acaba o 4 ano e entra no mestrado que quer não importanto a nota, ou ainda que integrado, vamos establecer que os melhores alunos, tenham primazia na escolha do mestrado que querem, e os piores alunos sujeitam-se as vagas que houver nos mestrados existentes???
Ou Seja temos 100 alunos que acabam o curso, há 100 vagas no total dos mestrados, mas por exemplo só há 20 vagas no mestrado de penal 40em civil e 40 em fiscal. Nem todos podem ir para penal, por isso como se faz? os 20 melhores que quiserem penal entram em penal e conforme as notas preenchem-se as vagas? Ou então todos devem poder aceder ao mestrado que querem?

Street Fighting Man disse...

mestrado integrado? é... não tá mal :)

Ary disse...

A questão das especialidades é complicada, mas acho que isso depende sobretudo de uma outra coisa, que é o modelo de avaliação. Se mantivéssemos no mestrado o modelo de exames e trabalhos não seria impossível, acho, cada estudante escolher livremente a sua especialidade dentro de um dado leque.

Outra hipótese talvez interessante era a de termos apenas cadeiras opcionais e não termos obrigatoriamente uma lógica de especialização. Na verdade a maioria de nós pelo menos no início vai fazer um pouco de tudo e a maioria ainda não sabe muito bem em que área é que quer trabalhar, portanto poderíamos ter aí umas 10 cadeiras das quais fazíamos 3 por ano durante os dois anos do mestrado.

Quanto à questão monetária penso que ela não é de desprezar e assim evitávamos guerras futuras.

Daniela Ramalho disse...

até me dá arrepios falar aqui de mestrado integrado...antes de entrar na faculdade sempre me imaginei a fazer um mestrado especializado numa área, desenvolvendo a sério um tema, sendo que depois poderia ou não vir a fazer doutoramento. aliás, até já tinha em mente quais seriam as áreas e neste momento o mestrado está queimado para ter um título de mestre que em termos de conhecimento não corresponde a nada!
eu ainda tenho esperança de ver bolonha a ser revogado :P portanto, mestrados integrados nem me passa pela cabeça :)

Ary disse...

Daniela, se Bolonha fosse revogado nesta altura aí é que me viam nas ruas!

Se quiseres algo sério e que reconheça competências de investigação tens os doutoramentos ...

Ary disse...

E pós-doutoramentos!

DC disse...

Daniela, a questão aqui não passa tanto por concordar, ou não, com Bolonha, mas se é justificado, com Bolonha, e em face das exigências das profissões jurídicas e criminólogas, a existência de um mestrado integrado.

ClaudIsabel, quanto ao prazo para Bolonha ser 2012, pelo que sei, esse prazo já esteve estipulado para 2010(posso estar enganado), mas não se prende com o prazo para a cristalização total dos cursos, mas sim com um prazo para os cursos terem um plano de Estudos de acordo com as directivas do supra referido processo.

Eu acho que um sistema de mestrado integrado semelhante ao da FEUP, da FAUP e da FMUP(é mesmo mestrado integrado estes 2últimos?) em que a diferença do mestrado integrado para o plano de estudo pré-bolonha é a redução de 10, para 9semestres lectivos, sendo que o 10º é para a tese, note-se que pelo menos a FAUP e alguns cursos da FEUP já tinham trabalhos finais de curso, que assim ganharam uma importância maior.

Quanto às áreas de especialização, julgo que quem começou o curso de direito com o plano antigo e passou para Bolonha, ainda não tem a liberdade que é concedida a quem já entrou com Bolonha.
Parece-me que, apesar de tendencialmente ser o que irá acontecer mesmo sem áreas definidas, as pessoas vão acabar por escolher as opcionais da área que mais gostam.
No entanto, e à semelhança do que faz, ou fez a FDUC e a Portucalense(sei que estas já o fizeram, é provável que haja mais), criar a partir do fim do 3º ou 4º ano uma área de especialização com um tronco comum e um "pack" de cadeiras próprias da área, me parecesse melhor do que o modelo actual da FDUP(mesmo q dentro das diversas áreas, continuasse a haver cadeiras opcionais).

Um aspecto importante, que mesmo nos mestrados actuais da FDUP não se verifica, é a criação de turmas mais pequenas, mesmo que se tenham que criar mais turmas do que as que existem actualmente.

Quanto às propinas de mestrado darem dinheiro extra à FDUP, uma vez que o preço da propina de mestrado em direito é igual à da licenciatura em direito, não vejo em que isso possa melhorar com a passagem a mestrado integrado.

E um bocado fora da conversa, apesar de com o desenvolvimento do Direito da União Europeia e tudo o mais, a meu ver o Processo de Bolonha aplicado ao Direito, nos dias de hoje não faz sentido. Mas eu também acho que Programas de Mobilidade no curso de direito não servem grande coisa a não ser ajudar no desenvolvimento como pessoa e na facilidade de integração em meios diferentes, mas isso já é outra história

João Fachana disse...

Esta discussão já vai, pelo menos 3 anos tarde. A opção pelo mestrado integrado ou 2 ciclos de estudos tinha de ser tomado pela FDUP antes de implementar bolonha.

Ter um mestrado integrado é desvalorizar completamente a licenciatura, ao ponto de quem não fizer o mestrado integrado n ter sequer uma licenciatura na área, por exemplo, o que acontece na FEUP é que ao fim de 3 anos eles são licenciados em ciências de n sei que, uma treta que n serve para nada, só ao fim dos 5 anos é que têm um título semelhante à antiga licenciatura em Engenharia.

A Fdup a optar por este modelo seria necessariamente algo do género, uma pessoa ao fim do 2o, 3o ano teria uma licenciatura em sei lá, "técnica jurídica", tendo só no final do mestrado o equivalente a uma licenciatura em Direito.

Mas a FDUP e as restantes faculdades optaram por tentar manter a "dignidade " do mestrado. E a verdade é que ter um mestrado completo em Bolonha n é a mesma coisa que ter um mestrado integrado em Bolonha, sendo a 1a mais do que a 2a, até pelo nº de anos (isto tendo em conta que alguém que faz o 2o ano de mestrado opta pela tese científica e n pela profissionalizante, se não acho que irá dar ao mesmo, na minha opinião).

O problema disto tudo tá com os srs. do CEJ e os srs. advogados da Ordem que não se preocuparam em analisar com suficiente cuidado o panorama do Direito. E optaram por, quais mentes conservadoras, impedir que a reforma de Bolonha que foi optada pelas faculdades de Direito não pudesse surtir os seus efeitos.

ou seja, no nosso caso, em que deveria ser suficiente uma licenciatura de 4 anos para aceder às profissões jurídicas (e é o que acontece na maioria dos outros países europeus), acaba por se exigir mais do que dantes se exigia, um mestrado completo, com tese e tudo, que por outro lado já obriga a uma certa especialização do aluno, que quiçá é muito cedo, estamos a falar em obrigar alunos de 22 anos a escolherem já á área em que se querem especializar (eu tenho 23 e ainda n sei a que ramo do Dto me pretendo dedicar mais, certamente n serei o único).

Sempre achei que seria mais razoável e para poupar muitos problemas que agora surgem, passar a licenciatura de 5 anos para mestrado integrado. Ao fim de 3 havia uma licenciatura que não dava para nada, juntava-se o útil ao agradável, o curso ficava com uma carga horária semelhante a antigamente, os 4ºs e 5ºs anos seriam anos de uma certa especialização, mas não total, onde ainda haveriam cadeiras obrigatórias (familia e suces, comercial, executivo e DIP, se n me estou a esquecer de nenhuma), sendo as restantes facultativas. E no 2o semestre do 5o ano haveria o que tems agora no mestrado que é o praticum, onde o aluno teria de fazer um trabalho de fim de curso, podendo prolongá-lo até ao 1o semestre do ano seguinte. E seria avaliado e teria depois uma prova oral de defesa.

E assim já não haveriam tantas ondas e conseguia-se mudar para Bolonha sem praticamente mudar nada, o que seria sem dúvida o melhor, aliás como a FEUP o fez e certamente outras tb o terão feito.

Mas não, tems 2 ciclos de estudos e agora para mudar tudo é, desculpem-me, um grande cão. Agora é preciso que os srs. que nos empregam e nos dão trabalho lá nas advocacias e nas magistraturas também se mostrem disponíveis à mudança.

Acredito que até Direito vir sair das faculdades todos os anos de transição vai ficar aquela ideia dos alunos saírem mal preparados, agora quando as coisas acalmarem, não se verificarão mudanças de maior entre uma licenciatura de 4 anos e 5 anos. Quem acabar a licenciatura e n se sentir preparado para começar a ter um horário das 9 às 9, então que se ponha a fazer o mestrado. Mal não lhe faz.

João Fachana disse...

E uma prova em que, se calhar, esta coisa de n aceitar licenciados de 4 anos e os obrigar a fazer mestrado n será uma tentativa dos srs. bastonários, por um lado, prolongarem o tempo de estágio n remunerado que bastantes têm e, por outro, os srs. Ministros da Justiça diminuirem custos que se prendem com o CEJ, na medida em que impedem muitos alunos de gastarem-lhes o dinheiro nos concursos do CEJ, já que têm, primeiro, de ser aprovados no mestrado para lá concorrerem?

Só por curiosidade, a Ordem encontra-se a indeferir pedidos de encurtamento de tempo de estágio a quem já tem o 1o ano de mestrado feito e até a quem tem o 2o ano! Um pouco incoerente não?

João Fachana disse...

Mas também acho incoerente, por outro lado, nos Mestrados da FDUP que, na teoria são um modelo diferente de avaliação e ensino, na prática temos mais 3 cadeiras de licenciatura em que o que interesse é estudar para o exame e só no 2o semestre, aí sim, temos um trabalho para fazer. Salvo raras excepções (onde existem cadeiras que são avaliadas com exame e trabalho ou só com trabalho), isto é mau para uma Faculdade que, supostamente, quer combater a massificação de mestrados e manter a "dignidade" do mestrado cmo ele é...

Ary disse...

Por mim o mestrado integrado até era em seis anos. A Faculdade crescia, havia tempo para toda a formação básica e para alguma especialização e com 4 mais 2 mantinha-se alguma dignidade tanto à licenciatura como ao mestrado. Podia até funcionar como um importante elemento diferenciador da nossa Faculdade.

Mas concordo contigo, esta discussão já vem tarde, apesar de haver sempre a possibilidade de reformular os cursos.

João Fachana disse...

Pois... só que nesta história de Bolonha andámos sempre atrás das outras faculdades...Em vez de termos optado por andar ao nosso próprio passo... Mas também não sei até que ponto é que existiria margem para não andar a reboque...

Helena disse...

Na minha opinião, o Mestrado Integrado não traria muitas vantagens. Em primeiro lugar, como já se referiu, as propinas na FDUP são exactamente iguais, pelo que o problema monetário não se coloca (pelo menos ainda não). Por outro lado, o facto de termos uma licenciatura em Direito ainda nos permite o acesso a alguns empregos (relembro que as saídas profissionais do curso não se cingem à advocacia e à magistratura). Por fim, um 2.º ciclo independente da licenciatura, para além de permitir uma maior especialização (e não obrigar a um tronco comum, quase como que prolongando a licenciatura), facilita também a mobilidade de estudantes entre as diversas universidades. Não quero com isto dizer que os alunos não tivessem, com o mestrado integrado, oportunidade de mudar de faculdade. Mas o que está a acontecer em muitos outros cursos é a admissão de alunos que fizeram o 1.º ciclo numa universidade privada, com notas muito elevadas, e que poderão, a final, beneficiando dessas notas, colocar no curriculum o Mestrado Integrado por uma universidade pública (sendo que 4 anos lectivos foram passados na privada). Isto poderá não ter muito interesse à primeira vista, mas que tem gerado muito sentimento de injustiça entre algumas pessoas que conheço, lá isso tem.

João das Regras disse...

Que burra, esta Helena. Em traços muito simples:


- Situação actual aka "fraude de Bolonha": 4+1 (gajos das privadas podem fazer 4 anitos nas calmas numa espelunca qualquer e depois ir para uma faculdade de jeito, consumando-se a "chico-espertice");


- Situação de mestrado integrado: os alunos fariam os 5 anos numa só faculdade, como foi até há 2 anos; por outras palavras, ou se teria média para entrar no 1º ano ou então toca de ficar na espelunca ou ir melhorar a média de secundário. Outras vantagens: calar-se-ia o bastonário de uma vez por todas, visto que a causa das suas críticas extinguir-se-ia, isto sem esquecer, obviamente, a melhoria na qualidade da formação dos alunos.



Só não percebo porque querem construir a casa pelo telhado (leia-se choro à porta da OA), em vez de reforçarem as fundações e calarem o fanfarrão e garantirem melhor formação para vocês.

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