sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

poucas vezes senti a necessidade do culto à personalidade, porque Ideias já não movem montanhas, porque agora tão pouco o Maomé se desloca à montanha, e porque o tempo em que tal acontecia, não tive eu a felicidade de percorrer. MAS Saramago.


não falarei do que todos lhe reconhecem. tão só me pronunciarei sobre o que muitos não apreciavam, ainda mais temiam e ainda hoje criticam - A verdade de um povo e os erros históricos que influenciaram, influenciam e, porventura, continuarão a influenciar o pequeno portugal, em palavras irónicas e sarcásticas, acusatórias, lúcidas e valoradas do prémio nobel da literatura.

refiro-me claro à religião católica, qual instituição que alicerça(alicerçou) o pensamento dos portugueses, rei e plebeu, burguês e operário, rico e pobre, Professor e tolo.

Mas Saramago transbordou fronteiras (e que fronteiras...) e chegou a carpinteiros e prostitutas, deuses impiedosos e deuses misericordiosos, à cegueira de todos os Homens.

Foram palavras como essas que enfureceram, porque o medo é sempre caminho para o desespero e para a fúria, os que o afastaram do nosso país, e até os que concordavam com tamanho vulto mas que nunca o puderam dizer abertamente.

Saliento a VERDADE que sentimos ao ler as suas frases, que até essas quebraram cânones e convicções de à muito.



3 comentários:

Daniela Ramalho disse...

o que mais custa, acho eu, é saber que toda a brutalidade daquelas palavras somos nós. nalguns livros, algumas coisas batiam mesmo em cheio, por ver um homem falar de outros homens de forma tão acertada. é isso que faz um nobel e um escritor. conseguir com que um leitor acorde a meio da noite ou tenha problemas em adormecer porque teme ganhar uma cegueira branca. ou porque teme que o pedaço de terra se desprenda mesmo. :)

TR disse...

Não li tanto quanto isso de Saramago - e este comentário deve ser lido tendo isso em mente. Li a Viagem do Elefante, as Intermitências da Morte, Ensaio sobre a Cegueira e Memorial do Convento. A impressão com que fiquei foi esta: Saramago é mesmo bom quando não faz análises macroscópicas à realidade, onde é de um simplismo que chateia: aí torna-se desconfortável lê-lo. Não pela tempestividade do que aponta, mas pelo reducionismo de que não se consegue libertar (v.g. primeiros três quartos das intermitências da morte).

Já quando se prende ao homem concreto (onde só com muita dificuldade a ideologia afasta o leitor do autor) é bom, muito bom. Mas, infelizmente, não foi isso que fez com que abrisse telejornais - mas foi o que lhe deu o Nobel.

André Levi disse...

"Eleitos são aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.

Um livro moral ou imoral é coisa que não existe. Os livros são bem escritos ou mal escritos. E é tudo.

(...)

Nenhum artista quer demonstrar coisa alguma. Até as verdades podem ser demonstradas.

Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um maneirismo de estilo imperdoável.

(...)

Toda a arte é completamente inútil."

Oscar Wilde, Prefácio de "O Retrato de Dorian Gray"

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