terça-feira, 8 de junho de 2010

Boa(s) Mãe(s)

Helena Paixão e Teresa Pires estão desde as 9.45 de hoje casadas. Depois de relações heterossexuais, das quais resultaram um filho para cada, do respectivo divórcio, de anos em união de facto homossexual e de uma mediática tentativa de casamento, as duas mulheres vêem reconhecida a sua comunhão plena de vida.


Que será das filhas de 16 e de 10 anos com uma mãe e uma madrasta?

39 comentários:

DC disse...

Certamente terão mais amor e mais carinho que numa instituição tipo orfanato.

Ary disse...

Numa família disfuncional destas?

João Fachana disse...

Para todos os efeitos, que eu saiba, as miudas continuam a ter cada um o seu pai, as mulheres sao divorciadas, nao viuvas, por isso n estou a ver que tipo de questão é que queres levantar ó Ary Ferreira da Cunha:P

Viva as noivas como dizia o outro!

Daniela Ramalho disse...

Porque é que dizes que é disfuncional? Uma e outra andam a espancar-se em frente às filhas depois de chegarem a casa a cheirar a bagaço e tabaco depois de uma noite de copos entre sapatonas a jogar bilhar?

Joana disse...

não sei, queres perguntar à cinderela? ela é capaz de perceber isso.

àparte isto, tenho uma madraste, e por experiência própria (apesar de nem sempre ser um bom critério de discussão e análise das questões), não contribui grande coisa pra minha vida ver que a minha madraste constitui um casal heterossexual formado após o divórcio. Não me sinto mais estruturada por isso, e se fosse um padrasto que eu tivesse mas do lado do meu pai, também infiro que não me alterasse as minhas noções de relação sentimental ou os meus próprios comportamentos.
descortinaria mais razões para essa mudança até pelo comportamento e afins desse casal heterossexual formado após o divórcio.

Hugo disse...

O que vai ser delas? Provavelmente as mães vão andar muito mais contentes e provavelmente as filhas serão muito melhor tratadas, e isso é que realmente importa aqui

Pai, mãe e casal de filhos não é garantia de sucesso familiar...

Disfuncional é quando não há amor e respeito entre as pessoas que deviam ter os laços mais apertados deste mundo...

Ary disse...

Como é que vocês podem dizer que não há problemas aqui.

A família tem como objectivo cimeiro ser a célula fundamental da sociedade, funcionando como local de afectos e aprendizagem para as novas gerações. Se não há um objectivo reprodutivo não me parece que estejamos perante uma família, pelo menos na sua plenitude.

Estas crianças podem ter pai e mãe, mas não serão educadas e acarinhadas da mesma maneira que as outras. As crianças vão nascer sem uma figura paterna passando a representar de forma distorcida os géneros e tendo uma integração deficiente na sociedade.

Vão ser gozadas na escola, na universidade, no trabalho, em todos os círculos excepto naqueles em que a homossexualidade é glorificada. O que as empurrará certamente para elas próprias virem a ter essa orientação sexual.

A tolerância de género poderá também ser muito posta em causa aqui pela falta de um elemento masculino naquela família para lhe dar a protecção, a ordem, o equilíbrio e a estabilidade necessárias.

A figura do pai será apenas um distante eco que elas verão de tempos a tempos. Elas não terão um verdadeiro pai.

As duas senhoras não conseguiam arranjar emprego por serem lésbicas o que põe em causa a sua capacidade para dar uma vida condigna às crianças. São duas viciadas em mediatismo que casam à luz dos holofotes com mais jornalistas que amigos na sala, que convocam a imprensa para se tentarem casar da primeira vez quando já sabiam que tal não iria ser permitido.

E no fundo nem se percebe porque querem casar. Não podem ter filhos fruto da sua relação e já estão unidas de facto! O que é que elas querem mais? Ter uma cerimónia em que põem um anel no dedo para poderem chamar mais jornalistas a testemunhar a sua relação?

Mas o que é que eu tenho a ver com isso? Dentro do quarto cada um sabe de si e se elas querem fazer seja o que for hoje também já o podiam fazer anteontem sem estarem casadas. É que isto só afastará as pessoas do casamento e é um insulto a quem é casado. E é preocupante que estas crianças sejam as primeiras testemunhas de uma relação destas no idade em que claramente não estão preparadas para a compreender, podendo isso ter graves efeitos na formação da sua personalidade.

Todos sabemos que as relações homossexuais têm tendência a ser menos estáveis e mais promíscuas e a perspectiva poderá bem ser no sentido de vermos um lar a ser constantemente invadido por novos estranhos ao sabor das ténues ligações afectivas de qualquer uma das mães.

No fim de contas duvido que seja do interesse das crianças estarem num meio familiar pervertido quando há tantas famílias com possibilidades de lhes darem uma vida melhor longe das objectivas dos fotógrafos, do escárnio da sociedade e dos caprichos das respectivas mães.

DC disse...

Deixo aqui um caso que o prof de deontologia da OA contou numa aula:

Um casal tem um filho.
Um certo dia, o pai vira-se para a mãe e diz, estou apaixonado por homem(até aqui nada de extremamente incomum).
Acontece que o Homem, sai de casa e vai viver com outro Homem, para uma outra cidade do país.
A quem deve ser entregue a criança(aqui poderia residir a questão que o Ari colocou acima)

Ao dar a resposta, tenham em atenção que: ao mesmo tempo, a Sr.ª perdeu o pai, que também descobriu que estava apaixonado por um homem e foi viver com ele para outra cidade(sim, o marido apaixonou-se pelo sogro e juntaram os trapinhos).
Assim, de um lado temos um casal, homossexual, com fortes ligações à criança(são pai e avô dela) e do outro temos uma mãe que é visita frequente, por vezes por longos períodos, de um dos hospitais psiquiátricos mais conhecidos do Porto.

DC disse...

Ari, nem sei que te diga.
A sério, não consigo argumentar com quem usa argumentos tão retrógrados e desenquadrados da realidade.

Hugo disse...

Eu nem gosto de concordar com o DC...

Mas a tua posição, ary, é tão cheia de cliches e tão baseada em filmes de terror que perdi toda e qualquer vontade de tirar sumo dela.

Gostava de ter tempo para expor mais argumentos mas agora há outras prioridade :D

mpr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mpr disse...
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Irma disse...
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Irma disse...
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Ana C J Sousa disse...

Apesar de nao louvar, pq aprecio a pluralidade de opinioes, subscrevo o comentário do Hugo e do DC. Como é possivel argumentares desse jeito? Prefiro acreditar que é uma manobra de marketing para lançar o debate, pois arrepio-me a cada período que leio, repletos de homofobia e preconceito.

A dignidade da pessoa humana , a liberdade sexual, o poder de livre auto determinação e construção da personalidade sao coisas que nao ficam bonitas só na ultima edição da ALmedina daquilo a que chamamos Lei Fundamental.

Teria gosto em contrapor os vários pontos que tão sordidamente foram expostos, nao fosse a falta de tempo e a prevalência de certas prioridades!

ACJS
*

Ferreira Ribeiro disse...

Presumo que todos tenham atingido o alcance do comentário do Ary...

Ary disse...

Vejo-vos todos tão intolerantes face às minhas afirmações que nem se estão a preocupar em rebate-las.

Daniela Ramalho disse...

"Todos sabemos que as relações homossexuais têm tendência a ser menos estáveis e mais promíscuas e a perspectiva poderá bem ser no sentido de vermos um lar a ser constantemente invadido por novos estranhos ao sabor das ténues ligações afectivas de qualquer uma das mães." Oo alguém deve ter roubado a password do ary e passado a escrever este tipo de coisas.

Daniela Ramalho disse...

"Se não há um objectivo reprodutivo não me parece que estejamos perante uma família, pelo menos na sua plenitude." :O eu estou absolutamente chocada ary. A sério.

Lili disse...

"Todos sabemos que as relações homossexuais têm tendência a ser menos estáveis e mais promíscuas"

vou-te responder com os termos exactos com que qualquer praxista me responde quando eu falo mal da praxe: "Não podes falar. Nunca viveste. Como é que sabes?"

ahahah obviamente que estou a brincar e sei que estás a dar tanga a toda a gente. Pelo menos, espero.

Ferreira Ribeiro disse...

Quem apregoa tanto a diferença devia saber ler e rebater saudavelmente opiniões diversas, por mais estapafúrdias que elas sejam. Bastou aparecer um comentário a marcar pela diferença, por não ir na onda, por ser politicamente incorrecto, "sui generis", para todos o acharem intolerante, o excluirem, desistirem de lhe dar crédito e o arredarem da discussão por ser tão abominável. Não vai no mesmo sentido que o nosso pensamento, logo tem que ser irremediavelmente posto de lado, espezinhado.

Estranha esta coisa da diferença...

Lili disse...

Ferreira Ribeiro - que eu saiba, de acordo com a legislação portuguesa, política e juridicamente incorrecta é a adopção, levada a cabo por homossexuais...

Hugo disse...

Gosto de ter discussões saudáveis...

Se os pontos de vista são tão radicais e alguns mesmo mt estúpidos (aquela das relações menos estáveis é das coisas mais incríveis que já ouvi) não me apetece estar a rebater porque não estamos a partir do mesmo ponto da razoabilidade...

E não...não me choco com opiniões politicamente incorrectas, simplesmente para mim isto é "humanamente incorrecto"

Lili disse...

Oh, nem tem que ver com chocar ou deixar de chocar com opiniões politicamente incorrectas. Até as suásticas já deixaram de chocar. Tem a ver com a proveniência dos comentários em causa. Eu também acho que a ideia de se ser advogado do diabo é tentadora às vezes...

João Fachana disse...

Numa opinião absolutamente patrimonial Ary, a malta gay quer casar para poder ter igualdade de direitos sucessórios e etc... que de outra forma não teria com a União de Facto.
De todo o modo, se tu fores a ver bem, hj em dia casar e ter filhos é uma consequência tão habitual como Portugal ter o CR7 e ganhar o mundial... E isso não é de agora, mas de já há alguns anos...

Vamos revitalizar o casamento? Então temos de começar por facilitar as condições para ter filhos em Portugal, mais benefícios fiscais, menos despesas, enfim, mais incentivos... Queremos revitalizar o casamento? Então não deviamos ter aprovado um novo regime jurídico para o divórcio que esvazia completamente o sentido prático de quase todos os deveres conjugais, passando a não ser mais do que meras normas de intenção.
Agora é dificil promover incentivos quando o que mais se pede é contenção, como também é dificil anular um regime jurídico implantado há poucos anos.
Mas então se é dificil fazer isto não se pode por outro lado querer defender a manutenção do casamento para a função primordial que tem (ou pelo menos que tinha) já que o grosso de quem se casa não vê o casamento da maneira "tradicional". E, por isso, não se pode pedir que se mantenha a figura do casamento imaculado quando a própria sociedade civil já não vê o casamento como aquela tradição do vou casar, daqui a 2 anos tenho filhos, daqui a 20 tenho netos... Ou, se quer ver, não consegue reunir as condições para que a tradição se perpetue. Hoje o casamento não deixa de ser, penso eu, apenas uma forma de querer "oficializar com força reforçada" o vínculo afectivo, de comunhão de vida, que alguém tem com outra pessoa. Podes-me dizer que isso não é a definição jurídica do casamento. Pois não é. Mas na prática, no pensamento da sociedade civil, é o que é. E, sendo assim, não vejo grandes argumentos para negar este casamento, o actual, o descaracterizado, a pessoas do mesmo sexo. Porque nisso não são diferentes de heterosexuais.

Tal como disse no início, o casamento actualmente não é mais do que uma forma de permitir a alguém que queira viver para o resto da sua vida (teoricamente) com outra um conjunto de direitos patrimoniais (sucessórios mas não só) que permitam efectivamente demonstrar essa comunhão. É um vínculo patrimonial mais forte do que uma União de Facto. Mas não deixa de ser só isso, um vínculo patrimonial. E isto é válido quer para casais homo como hetero. O resto vem por acréscimo e consoante as "capacidades naturais" de alguns o permitam ou não.

Ana C J Sousa disse...

Família é um conceito sujeito a variação polissémica consoante a evolução sociocultural.

Não podemos afirmar, com certeza, qual as funções fulcrais desse elemento basilar da rede comunitária. Não obstante ser possível determinar algumas das funções que definem a sua organização e compõem, conclui-se não ser, de todo, a função reprodutiva matriarca da sua definição.

É um facto que uma das formas de aprendizagem social é a aprendizagem por modelação, e quanto a esse ponto reconheço que tenho algumas dúvidas no que diz respeito à adopção por parte de casais homossexuais! Não obviamente pelo receio de ver nessas crianças um grau mais reduzido de afectos e carinhos recebidos. Não é ainda o sexo dos progenitores quem dá amor aos filhos, mas sim a Pessoa! Mas reconheço que esse é um campo que deveria ser estudado por quem de direito: psicólogos, pediatras, sociólogos, etc.. nomeadamente quanto às implicações no crescimento das crianças, da sua personalidade, na concretização do ser humano como ser em relação, tendo como modelos parentais casais homossexuais; como também deveriam ser objecto de estudo as famílias com outras e modernas peculiaridades e as respectivas implicações (familias monoparentais, em situaçoes de desemprego, stress, situaçoes de ausencia... )

“Vão ser gozadas na escola, na universidade, no trabalho”, pois também o eram as primeiras mulheres divorciadas. É essa a razão do elevado número de divórcios? Ou será a própria consciência axiológica comunitária em mutação?

Bla bla bla

Não acredito que defendas uma virgula do que
esta escrito.

Já ouvi várias vozes defenderem que não deveria ser atribuído o nome de “Casamento” a este instituto. Sendo o casamento uma instituição, reiterada no tempo e traduzindo uma certa ideia de estabilidade, e tendo em conta que antes desta inovação legislativa no nosso país o casamento entre pessoas do mesmo sexo era sancionado não com a Nulidade mas sim com a forma mais grave de invalidade que é a Inexistência, por não se considerar estar preenchido o elemento material subjacente à ideia de negócio juridico, quando nem sequer se verifica o 'corpus' . Já o sistema francês consagrava a mesma sanção para esta situação.

“Casamento” ou outra coisa qualquer, denominações à parte, a verdade é que as sociedades evoluem!

mpr disse...

"Família é um conceito sujeito a variação polissémica consoante a evolução sociocultural."

Há 50 mi casais poligâmicos na República Francesa,

a grande maioria dos casais ciganos em Portugal consistem em uniões tradicionais entre homens e rapariguinhas de 12-14 anos de idade.

nos EUA um homem que casar com a avó e ter um filho com ela.

diga-me Ana, qual é o critério que a sociedade deve manter para saber se uma prática social é uma "evolução sociocultural" - sim, porque tanto o casamento poligâmico como as uniões pedófilas deverão ser, sobre esse argumento filosófico, vistas como "evoluções" sociais - válida o suficiente para ser defendida por um grupo especializado em causas fracturantes?

mpr disse...

Toda esta questão não pode resumir-se à mera questão jurídica.
Tal seria admitir que o argumento jurídico é auto-explicativo, que a questão do dever-ser pertence apenas a uma mesa de juristas.

O método jurídico para discutir este tema, como já provei no comentário anterior, é tudo menos unívoco.

A contratualização do casamento e a patrimonialização do problema, reduzindo-o ad absurdum, pode escorrer por aí abaixo até abrir mitos mais precedentes do que a simples união entre pessoas do mesmo sexo.

Acresce-se a isto que a partir de agora, e num ritmo que vem desde a criação do casamento civil, o Político é Mestre Absoluto sobre a Norma e agora também sobre o Comportamento Social.

O que não faltam já é cabecinhas a pensar de acordo com os bravos novos cânones.

a existência de uma inclinação natural para a homossexualidade e o incesto não torna uma prática lícita e é precisamente contra a animalidade (as inclinações) que residem no ser humano que o conceito cristão de Natureza se forma.

outra coisa que me assusta é o crescimento das acusações de homofobia, que é um crime de discriminação.

sendo que retroactividade está de novo em voga neste país - algo inédito desde o pós-25A - ainda que nível fiscal, temo que daqui a uns tempos venha a Guarda fazer umas perguntinhas As casas de todos os que se opuseram a este não-Matrimónio.

jünger disse...

Ferreira Ribeiro na sequência do teu comentário, vou quebrar a promessa e voltar a comentar aqui na SDD para assumir o meu papel de retrograda e conservador e alinhar por aquilo que disseste. Eu assumo claramente que, o texto do ary, bem entendido, faz todo o sentido e tem toda a razão de ser. Compreendo, porém, que aos defensores da posição contrária seja muito incomodo ler determinado tipo de coisas. Apenas escrevo para realçar algo que me deixa francamente revoltado com essas mesmas pessoas, mais ainda do que com as suas opiniões propriamente ditas. É incrivel como se acusa prontamente quem é contra o casamento homossexual de intolerância, homofobia, etc. Nunca se tem tempo para rebater argumentos pois a razão é tanta que os arautos da verdade absoluta não têm qualquer paciência e disponibilidade para rebater argumentos tão conservadores! Seguidamente é ver os profetas do respeito e da igualdade colorida entre todas as pessoas a escandalizarem-se com tomadas de posição legitimas e perfeitamente admissíveis no mesmo Estado de Direito que anteriormente muito convenientemente apregoavam. Independentemente de alinhar ou não pelo texto do ary, como já disse acima, é triste ver argumentos como o "Se os pontos de vista são tão radicais e alguns mesmo mt estúpidos (aquela das relações menos estáveis é das coisas mais incríveis que já ouvi) não me apetece estar a rebater porque não estamos a partir do mesmo ponto da razoabilidad" - isto é francamente chocante para mim. Gostaria de ver se pela vida fora sempre que o argumento não convier a resposta vai ser "não me apetece estar a rebater porque não estamos a partir do mesmo ponto da razoabilidad".

Com toda a sinceridade até é um tema que gosto de discutir saudavelmente, com argumentos fortes e pessoas credíveis e inteligentes mas aqui "se os pontos de vista são tão radicais e alguns mesmo mt estúpidos" também me reservo o direito de não brincar mais.

pois é Ferreira Ribeiro, realmente "estranha esta coisa da diferença..."

jünger disse...

cautela mpr, utilizaste palavras feias (e não disseste aquilo que o Grande Irmão te mandou, seu homofóbico conservador!)..

Tiago disse...

1. Se o casamento fosse sobretudo patrimonial, não tinha havido esta "lutazinha" - e ninguém se preocuparia que o casamento entre homossexuais tivesse outra designação. É porque o casamento é simbólico que houve tanto espectáculo. Porque é simbólico para "ambos os lados".

2. Dizer que o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo e de sexo diferente é a mesma coisa obriga, necessariamente, a redefinir o que seja o casamento. A bola está do lado de quem apregoe a redefinição.

3. Dizer que dois regimes idênticos têm de ter o mesmo nomen iuris, como forma de sustentar a desginação de casamento para os homossexuais, implica sacrificar a dimensão simbólica do casamento - que não emana do regime jurídico, mas da projecção cultural desta realidade.

4. Daí que me parece que o João e o Rúben têm razão. Falar de razoabilidade quando se parta da conclusão (o casamento entre homossexuais como uma inevitabilidade,...), sem discutir as premissas, é irónico. Falar por falar em evolução histórica, como se daí adviesse a inevitabilidade de alterar tudo o que exista, leva a que se perca a bitola que permita distinguir os espaços aonde o direito possa e deva entrar daqueles em que deva ter especial parcimónia.

Hugo disse...

A prova da mentalidade atrasada é ter lido aqui algures, uma comparação entre amor de duas pessoas do mesmo sexo com pedofilia. É exactamente a mesma coisa...

E em acusações de instabilidade relacional sem a mínima fundamentação e afins...

Se isto é razoabilidade para vocês...

É curioso ver como todo o macho tem problemas com o casamento gay. As mulheres na sua grande maioria são afincadas defensoras, os homens alguns defensores, mas timidamente, e os pregadores masculinos dos bons costumes defendem com bravura aquilo que mais não é do que um pretexto para defenderem o seu preconceito contra os que gostam de chamar paneleiros...

Pois claro que este comentário até parecia escrito por uma mulher não?

Aceitar a opção sexual de outrem ainda não é fácil meus caros colegas, gostam vocês de apregoar sempre com um gracejo "desde que longe de mim" e hoje talvez acrescente e "desde que não queiram demais"...

Pois bem, eu sou homem, heterosexual, admito que teria bastante nojo em ter uma relação com outro homem (mas acrescento também com algumas mulheres, e que espero que casem e sejam felizes) mas isto não me torna homofóbico, nem atenção não tenham medo, esta lei não vos obriga a casar com outro homem!!! Homofóbico era eu não o considerar um ser humano igual a mim com os mesmos direitos e deveres.

Dirão que se deve tratar igual o que é igual e diferente o que é diferente, mas para efeitos de casamento,de amor, de afectos e respeito em nada podemos considerar outro ser humano como diferente pela sua opção sexual.

PS: quanto ao argumento que ouço da poligamia, não sejam demagógicos, a lei actual diz que é o casamento é entre duas pessoas, só de lá retirou homem e mulher. Admitir a mudança deste contrato casamento para mais que uma pessoa teria implicações mttt diferentes, nomeadamente a nível de regime sucessório ou paternidade.
Concebemos o amor entre duas pessoas, hoje aparentemente não o negamos entre duas do mesmo sexo, mas conceber amor entre 3 ou 4 pessoas é uma concepção social bastante diferente. Mas tb vos digo, se um dia a nossa sociedade mudar e tantos, como homosexuais, nos mostrarem que esse amor é possível, venha de lá esse casamento poligamico.

mpr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana C J Sousa disse...

A adopçao por homossexuais e permitida desde que nao a façam imbuídos dessa qualidade. Foi, salvo erro, uma das questoes levantadas junto do Tribunal Constitucional ou pelo PR. É , como ja o disse, o tema que me coloca mais reticente no que toca a toda esta questão, pelo impacto que podera ter ou nao no desenvolvimento das crianças.

'Estranha essa coisa da diferença' , esta ja a tornar-se um aforismo, e concordo plenamente com a sua essencia e com o sentido por detras da ironia que lhe escorre da fronte...mas naao neste contexto. Nao se confunda liberdade de expressao com violaçoes da dignidade, da honra, da imagem, decoro. O que foi aqui criticado nao foi a pessoa em si que proferiu o comentario, mas o conteúdo da sua declaraçao, o seu animus. Dado a sua divergência com o paradigma, ou comunnis opinium, é perfeitamente razoavel que lhe sejam apontadas críticas. Como foi já decidido pela famosa sentença confirmada por Acordão da Relaçao de Lisboa de 13.11.2002 no caso em que Maria Carrilho intentou uma accçao a Antonio Barreto por difamaçao, na sequencia de um artigo opinitivo no Publico. E diga-se que o tom em que todo o artigo é redigido é bastante mais cruel e susceptivel de ferir susceptibilidades do que todas as opinioes que ate agora aqui foram plasmadas.

Nao e por julgar perspectivas superiores, de um elevado grau de civilizaçao ou inteligencia, mas efectivamente, para quem ainda nao reparou estamos numa epoca de exames, e nao na epoca balnear. Daí que nem todas as discussoes se sobreponham a interesses privados. É a tao cara 'ponderaçao de interesses' de que nos fala Almeida Costa.

Manuel,
É o criterio do homem médio, da posiçao socio-existencial, nao do agente, porque ja nao falamos mais de uma invalidade, mas do ser homem comum. "Nao e uma mera questão juridica", nao podia concordar mais. A homossexualidade está presente no seio da humanidade desde a Grecia Antiga. Nao e uma moda social. Nao e uma questão que deva ser tratada tao só por esses seres omniscientes e superintendentes que sao os juristas, raça mais estranha :D Mas deve implicar uma mobilização da sociedade civil, quanto mais nao seja no debate. E penso que é isso que fazemos aqui, e todos tao bem! lol xD De forma salutar, sem argumentos ad hominem. Foi, sem duvida esse o proposito do texto do Ary.

Corroboro o argumento sobre a demogagia na comparação com casos de pedofilia ou poligamia... Sao questoes amplamente diferentes, com radicais por demais afastados do cerne desta questao, a meu ver claro. Como costumo dizer, compare o comparavel.

E acho mto interessante a chamada de atençao para o facto de a visao das mulheres ser mais permissiva e liberal! :) É um facto que nao consigo entender como e que quando se pergunta a um homem o que e q acham de um casal de lesbicas a primeira reacçao e um sorriso , ja se forem homens 'ai nao, que nojo' ... Homens!! Va lá alguem entende-los! xD

Ary disse...

Para que não restem dúvidas: a minha posição sobre o assunto não tem nada a ver com a expressa.

Tratou-se, como era evidente de um exercício que pretendia colocar as pessoas a discutir eventuais desvantagens de uma educação por casais homossexuais. Contava que a pergunta depois disso fosse: e quê? tiravas as filhas ao casal por elas serem lésbicas? e então a coisa ficaria realmente interessante porque todos ficariam escandalizados com essa hipótese. Desse escândalo à possibilidade de adoptar, mesmo que encarando como uma desvantagem prática, como o Pointer faz, vai um salto que esperava que alguns dessem.

Ana, acho que tens de encarar os homens hetero como lésbicos. É mais fácil para eles compreender as lésbicas que partilham com eles o facto de gostarem de mulheres.

mpr disse...

"É o criterio do homem médio, da posiçao socio-existencial, nao do agente, porque ja nao falamos mais de uma invalidade, mas do ser homem comum."

ou seja, a Ana atira-me com um critério de dogmática jurídica para me dizer que critério, critério verdadeiro, não há nenhum. Nem um pouco de gnose, nem considerações sobre a Natureza humana, nem sequer algum tipo de lógica - apenas o opaco utilitarismo do homem comum e do que agradar às circunstâncias do momento.

Ana, não caia no erro esquerdófilo de pensar que antes de 1792 a Europa era um pasto de bisontes sem iluminação. Isso proporcionar-lhe-à uma boa carreira jurídica e talvez até académica, mas não conseguirá convencer-me. Pelo pouco que isso valha, é claro.

Penso que a sua medida de comparar o comparável é demasiado relativista. Penso que nem a Ana acabaria por seguir até ao fim as consequências desse tipo de pensamento. Exigiria de si uma lobotomia voluntária, e isso foi o que muita gente já fez.

talvez possamos falar na faculdade sobre isso, se houver oportunidade, até lá: ponderaçao de interesses :)

Moody Olho-Louco disse...

Eu e uma malta amiga estamos a pensar começar a mexer os cordelinhos junto da FPF para que nós, os que gostamos de jogar à bola com as mãos, também possamos participar nas competições já organizadas pela federação. Há para aí uns projectos tendo em vista a criação de uma modalidade nova, mas nós queremos mesmo é jogar a Taça de Portugal. Temos tanto direito como os que jogam só com os pés. Alinham numa manif? Até já temos bandeira e tudo!

Daniela Ramalho disse...

"Os cães ladram mas a caravana não pára". É o título de um cd bem legal dos planet hemp. Mas lembra-me algo.

Ary disse...

Caro anónimo camuflado =)

O teu argumento é muito interessante porque nos leva a pensar naquilo que é a verdadeira essência do casamento.

Por que é que quem quer jogar futebol com as mãos não pode jogar na mesma competição?

Porque isso representaria uma desvantagem competitiva para quem joga com os pés? Também, mas então era fácil: permitíamos que todos jogassem com os pés e com as mãos e assim todos podiam jogar.

Mas isso desvirtuaria a essência do jogo. E é isso que temos de procurar quando queremos saber se uma atipicidade deverá ser ou não lícita num determinado contexto.

Que mal faria se jogassem mulheres nas ligas profissionais masculinas? Isso desvirtuava as regras do jogo? Acho que não, pelo que, elas poderiam jogar desde que aceitassem pautar-se pelas mesma regras e pela mesma exigência física.

Deixar mulheres jogar futebol não desvirtua a essência, mas esta estaria em causa se pensássemos em deixar robots competir, ou pessoas em cadeiras de rodas. Aí o jogo seria diferente.

Nos EUA a questão surgir relativamente ao golf quando um jogador que tinha dores profundas ao deslocar-se a pé pelo campo pediu para poder usar um carrinho de golf. Não lhe permitiram isso dizendo que desvirtuaria a essência do jogo, mas o Supremo Tribunal acabou por dar razão ao jogador ao dizer que andar pelo campo, de buraco para buraco, era algo meramente instrumental.

A decisão é discutível, mas relativamente ao casamento temos de perceber qual é a sua essência para entender se devemos conferir aos homossexuais a possibilidade de o contrair.

Então o que será o casamento na sua essência?

Parece-me que Manuela Ferreira Leite já foi gozada o suficiente para percebermos que na reprodução não parece estar a sua essência: muita gente se reproduz fora dele e muita gente está casada sem poder ou querer reproduzir-se.

Ao contrário do que é muitas vezes dito historicamente temos a ocidente e a oriente dezenas de casos onde historicamente foi permitido o casamento a pessoas do mesmo sexo, pelo que isto está longe de ser uma moda e não me parece existirem razões para dizer que este é um instituto exclusivo de duas pessoas de sexo diferente.

Pelo contrário, todos os deveres do casamento podem ser tão facilmente cumpridos por duas pessoas do mesmo sexo como de sexo diferente: fidelidade, coabitação, respeito, cooperação ... Para duas pessoas "constituírem família mediante uma plena comunhão vida" podem não precisar de casar, mas precisam de ser de sexo diferente?

Parece-me que a essência do casamento é precisamente essa: a "constante e perpétua vontade" de "constituir família mediante uma plena comunhão de vida".

E para constituir família não é preciso ter filhos. Um casal sem filhos pode ser mais uma família que outro com uma carrada deles. Um casal casado não é mais casal por causa disso. Eu e o meu irmão podemos ser uma família se os meus pais morrerem, por exemplo. Uma mãe solteira e a sua criança são uma família e a viúva e neto também o podem ser. As famílias vêm em todas as formas e feitios, mas também têm uma essência captável por exemplos como os apontado. Parece-me que pelo menos implica: duas pessoas e a vontade de estabelecerem entre si uma relação de afectos baseada no respeito mútuo, na coabitação e na entre-ajuda. Parece-me também que deverão estar ligadas pelo casamento, por uma relação romântica duradoura ou por relações de parentesco.

Claro que o Manuel me vai acusar de ser conceptualista, mas creio que esta discussão é importante, como a tem de ser toda a discussão sobre as essências ou sobre a justiça.

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