sábado, 17 de outubro de 2009

Posso ficar este Inverno?

Numa altura em que o Verão parece não querer ir embora, do outro lado do Atlântico alguns já andam preocupados com o Inverno. Al Wright, director de uma cadeia no New Hampshire recebeu recentemente duas cartas de presos que não querem ser libertados já, receando as baixas temperaturas e o fraco estado da economia, que temem que os mantenha nas ruas.


E se esta estratégia não foi bem sucedida, outras têm provado ser mais eficientes, já que, a julgar pelas palavras do director, muitos presos ao longo dos anos têm procurado prolongar a sua estadia cometendo pequenos delitos na própria prisão.

Algo de muito errado se passa quando as pessoas preferem a prisão ao "mundo lá fora" e acho que não por as prisões serem um lugar simpático...

10 comentários:

Pedro disse...

pode acontecer, se estiverem "institucionalizadas". O Broosksie representa esse papel na perfeição em "Os Condenados de Shawshank", que eu recomendo ;)

Ary disse...

Neste caso não creio que seja apenas isso. Numa sociedade em que não há oportunidades fora da prisão para os ex-reclusos, em que a sociedade não confia no sistema prisional, em que não existe ressocialização, a prisão torna-se um autêntico buraco negro, do qual é impossível escapar.

PS: Excelente filme. Recomendo vivamente.

Duarte Canotilho disse...

Se tu fores à prisão de izeda ou bragança, verás um prisão diferente...
Aquilo não é assim tão mau, as conduições são muito boas e têm regimes de porta aberta muito bons.. Eu já disse, se um dia for preso quero ir pa izeda!!!

Inês Guedes disse...

Sublinho o que disse o Pedro.
Na minha opinião, é o processo de institucionalização a manifestar-se com toda a força. Estão durante anos no mesmo local, com os mesmos sons, as mesmas pessoas, os mesmos habitos e regras. Estao completamente despersonalizados, já não são as pessoas com o nome Joao ou Antonio mas sim os numeros 4244 ou 2938.
As respostas psicofisiologicas ficam totalmente diferentes e não se sabem comportar noutros locais. Por isso, o medo de enfrentarem a realidade (penso que não têm noção da mesma), é imenso.

Tambem recomendo esse filme, é muito bom. E, já agora, para quem gostar de ler sobre esse tema, recomendo Asilos de Goffman 1974).
:D

E a prisão pode ser tudo de mau,pode não ressocializar, mas o seu fracasso é o próprio sucesso da prisão. Afinal, é assim que podemos observar, analisar e produzir conhecimento sobre os mesmos, fazendo nascer a Criminologia. (Assim o diz Foucault)

*

Bernardo disse...

Também há a questão dos Mandriões, que nada querem fazer, e como não puderam ir para a faculdade para terem "espírito académico" vão para a prisa, onde recebem todos os benefícios de uma vida "paga" com o único senão, estão confinados a esse mesmo espaço.

Logo se forem mandriões e preguiçosos, como a maioria o é, é o casamento no céu e na terra.

Trabalho comunitário para os presos não violentos, fazer-los trabalhar de modo a compensar os gastos, e talvez a partir daí o sistema prisional possa ser orçamentalmente neutro!

(Excelente filme, recomendo tb)

Ary disse...

Até posso estar doente, mas um sistema prisional orçamentalmente neutro não me choca. Bem pelo contrário.

Ary disse...

Muito interessante o que diz a Inês, mas ainda assim tenho que sublinhar: não me parece que seja apenas isso neste caso em concreto. Parece-me que este exemplo confirma muitas da falhas da sociedade americana (a começar no clima).

Bernardo disse...

Bem Ary, essa ideia do orçamentalmente neutro é a minha ideia mais socialista que tenho.

Na verdade no meu cerne, acho que qualquer sistema prisional potencialmente pode dá lucro ao Estado.

E há exemplos históricos disso. Sem contar que se assim for, acredito que a taxa de reincidência será muito menor, e mesmo que não diminuía não importa, já que há lucro!

canoas_o_Mercenário disse...

Bom os nazis punham os judeus a trabalhar antes de os matarem...
(mas tenho a impressão que isso não prossegue as finalidades de prevençâo que um sistema prisional necessita

Bernardo disse...

A prevenção existe no momento que os potenciais criminosos sabem o que lhes espera!

[por essas questões, que sempre preferi civil]

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