sexta-feira, 27 de junho de 2008

pedaço de nada; pedaço de tudo

Nos interstícios do pequeno bloco que sempre o ladeou, um pedaço perdido de nada, um pedaço perdido de tudo, um pensamento vertido em sonho ou um devaneio largado ao tempo. Assim rezava o pequeno excerto daquele eremita de uma outra história.

"Pois nessa altura descobri que o Direito era como todos os montes que perante meu olhar se levantavam, com os seus cumes e suas neves. Ao princípio, quando no vale junto dos meus me encontrava, julgava-os intransponíveis, plenamente imperturbáveis, como que uma imposição do Alto para constantemente nos prender àquele lugar onde nos encontrávamos. Assim pensava, tais eram os juízos que perante e para mim formulava. Mas depois, com a razão que só o tempo me pôde dar, descobri brechas nessa natural parede, caminhos e percursos que a rompiam; encontrei ribeiros e cascatas, novos pássaros e flores, novas vias e novos mundos onde era de novo rei e senhor de mim. Aqueles montes - aquela imponente obra natural! - já não eram o símbolo do proibido, já não castravam os sonhos que alimentava. Não pude aí deixar de reflectir sobre o Direito: afinal também nos tinha sido imposto, mas com o tempo, com o seu conhecimento, rapidamente percebi que nos servia, que dele nos servíamos, que lhe tínhamos de guardar a maior das gratidões. Agora que cá no alto estou, sozinho com meu pensamento e minha pena, sinto o vento gélido do Norte. Essa lâmina cortante que estes montes evitam que sopre sobre a povoação. Tão inúteis que pareciam; tão úteis que porém eram..."

4 comentários:

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

bravo!
conheço bem essa sensação =)

canoas_o_Mercenário disse...

Não.... acho k não me seti assim relativamente ao direito... a determinadas outras cenas talvez... mas o tempo e pratica ultrapassa isso tudo- :D

Sociedade de Debates disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Acho que era isso que o Tiago também quis dizer ...

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