domingo, 29 de junho de 2008

tenho vindo a insistir, um pouco obsessivamente, na ideia dos vídeos das campanhas eleitorais americanas para partilhar exemplos de fluência de discurso e de abordagem de ideias.
na constinuação da mesma linha obsessiva, apresento assim mais um vídeo de Ron Paul, um dos meus candidatos favoritos, que já não está na corrida, como é conhecimento de todos.

é um vídeo curto que enxota a perspectiva de que os republicanos são todos pro-War, se bem que só podemos classificar Ron Paul como republicano devido às suas convicções conservadoras em relação a alguns assuntos.

talvez na América se esteja a dar um fenómeno que eu há muito anseio por ver acontecer por terras livres lusitanas, que é o fim do cliché político.

13 comentários:

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

O cliché político existe porque ele está muitas vezes certo. A verdade é que as pessoas tendem a vir em pacotes, que queres que te faça ...

Um gestor de empresas tende a chamar-se afonso lourenço strachatelli e vasconcelos de albuquerque e mello mendonça de sá e pontapé, a vestir fatos da pierre cardin (sim, esta é para ti canoas) e gravatas da vicri, a ser o cds, a ter uma casa na quinta da marinha, a ter um série 5 da empresa, ter o cabelinho como o nuno mello, fazer férias no estrangeiro, mas ir obrigatoriamente uma semaninha para o algarve como bom português, a ser sporting, a divorciar-se duas vezes, a ter um curso de gestão manhoso numa privada, a ter demorado 8 anos a acabar o curso, a explorar os trabalhadores, a obriga-los a trata-lo por Doutor Pontapé, a ser fotografado pela caras porque tem uma "trophy girl" que não é sua namorada, mas a quem ele paga como se fosse, a ter um saco de golf em casa e raramente o usar e a ter amigos iguais a ele que são jornalistas, acessores de secretários de estado, acessores de imprensa, relações públicas, directores de marketing, filhos de donos de discotecas e sobretudo "filhos" (em geral).

Claro que nunca vamos encontrar ninguém ASSIM, mas a verdade é que se vocês conseguem imaginar exactamente como será esta personagem então é porque se calhar os esteriótipos vão continuar a servir a humanidade por mais uma geração.

É muito mais fácil ter uma base de trabalho rudimentar (preconceitos como estes) do que mesa de trabalho nenhuma. Mal está em não percebermos que estamos perante presunções frágeis e não verdade absolutas, e que a normalidade é a anormalidade controlada.

Francisco disse...

Ary, não cheguei a perceber a relação entre o teu comentário e o video do Ron Paul.
Quanto ao vídeo, é de facto uma lufada de ar fresco escutar um republicano dizer "Dou you believe we have just one secret jail? We have plenty all over the world. And this does not accord to a republic". Pois é.
Cada vez gosto mais do Ron Paul. E aí tens os teus louros, Manel. :)

MJ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MJ disse...

WOW! O Noronha e o Manel não se criticaram e questionaram mutuamente em comentários de 46789735 palavras, mas antes concordaste carinhosamente com ele.. :) É isso mesmo meninos, estão aqui estão aos abraços na faculdade e a hastear bandeiras em comum. Que bonito, que alegria que dão à vossa esperemos-futura-presidente-elsiana :p

Quanto a ti, Ary, gostei do comentário e conseguiste fazer-me sorrir, tens uma grande verdade aí. E desta vez nem vou mandar bocas sobre as gralhas, de tanto que gostei. :p

Beijinhos *

tiago ramalho disse...

Acho que o comentário do ari não teve a ver com o vídeo, mas com o"proémio" do post, escrito pelo manel.

Eu não posso deixar de concordar vivamente com o ari. Os clichés políticos são paradigmas, referenciais simbólicos, seja o que for. Estão presentes em qualquer realidade social. Ajudam a outra parte da conversa a conhecer os pontos de vista do outro. Se A sabe o que é o socialismo democrático e eu, grosso modo, sou social-democrata, então digo a A que o sou e A já conhece a maior parte do meu pensamento político. No fundo, enquanto os clichés são presunções iuris tantum não vem qualquer mal ao mundo...podem ser ilididas. Acho que é esse o propósito do vídeo. Ao paradigma de republicano padrão, sucede o deste senhor, pronto a destruir parte da presunção que dele fazíamos por ser republicano.

Os clichés são importantes em toda a vida social. Mal é quando são verdadeiros absolutos que não admitem prova em contrário.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Noronha,
o comentário não tinha a ver com o video mas com o comentario do Manuel sobre os clichés.

MJ,
nem pareces tu. Estou mais espantado por não me ter apontado as gralhas que por o Noronha não se ter atirado selvaticamente ao Manel.


Tiago,
não posso fazer mais que subescrever tudo o que foi dito.

manuel disse...

1º - eu gostaria de tornar bem claro que nem eu nem o Francisco Noronha nos atiramos um ao outro "selvaticamente". O que se passa é o simples facto de, pertencendo a uma "geração de ouro", ambos gostarmos de uma boa discussão. podem chamar-lhe demonstrações de testosterona, eu digo, na minha humilde opinião, que se tratam de de simples arrufos de cavalheiros, que há falta de arcaicos e violentos torneios medievais, rapazes como nós têm de se entregar de tempos a tempos para um desenvolvimento saudável das suas capacidades cognitivas.

2º - há vários perigos no "cliché político". a inobservância das ideias do outro, o desprezo pelas ideias do outro, a chamada casmurrice partidária, em que não se apoia certa medida só porque parte de uma bancada parlamentar diferente. é o que acontece, quase sempre, quando o PCP se abstém de participar em moções de protesto do CDS/PP, ainda que o BE e o PSD participem activamente nela.
há também claros perigos no cliché político. o maior, o mais abrangente e aparatoso, é o "centrão". ora como nasce o "centrão" da falta de "cliché"?(tenho de mudar esta expressão para outra mais portuguesa, digamos "lugar-comum")
da promiscuidade de posições a tomar, da existência de tecnocratas que, situando-se nos partidos de centro-esquerda e centro-direita, ultrapassem os ditos limites do pluralismo de ideias e, em vez de aplicarem medidas próprias para o estado do país baseadas nas suas mentalidades de esquerda e de direita, que terão influências a longo prazo, apliquem antes medidas que, repletas de tecnocracia, apenas funcionem como remédios a médio/curto prazo.
temos lugar-comum político onde não devemos, e falta dele onde mais dele precisávamos.

3º - finlamente retornaram a comentar os meus posts neste blogue, e assim voltaram a merecer o meu carinho. parabéns!

Anónimo disse...

Eu sou um Homem Médio?

Francisco disse...

Suas víboras:

poupem a vossa sibilosa fraseologia! Eu e o Manel temos mais amor para dar do que vocês todos juntos.
Amo-te, Manel.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Manuel,

tens toda a razão quando dizes que o lugar-comum, como aliás o senso-comum são perigosos. Mas só o são quando não se assumem enquanto lugar e senso comum.

O lugar-comum é a base. Todo o homem começa como criança, toda a galinha já foi ovo, toda a pizza começa como margherita. Todo o conhecimento começou por ser empírico e por ser senso comum. O perigo não está em sermos empiristas ou em absorvermos senso comum, mas em não reconhecermos a insuficiência disso mesmo.

Ah! Depois de uma sociedade de debates acho que talvez também não fosse má ideia criar assim um clube de esgrima =P

manuel disse...

também eu Francisco, te amo muito.

Let us be, you snakes!

tiago ramalho disse...

Findas aparentes desavenças que nunca o chegaram a ser, a amizade e o amor voltam a florir na sociedade de debates.

Manuel e Francisco, vós trouxesteis com o fim do aparente arrufo um vento anunciando o resto da primavera!

tiago ramalho disse...

primavera que já foi, primavera que já foi...

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