segunda-feira, 18 de maio de 2009

Arthur Winston

Arthur Winston nasceu em 1906 e morreu em 2006. Durante um século trabalhou 76 anos para a Los Angeles County Metropolitan Authority, nunca chegou tarde ao emprego e tirou apenas um dia de férias para assistir ao funeral da mulher em 1988. Durante a maior parte deste período o seu trabalho consistiu em chefiar uma equipa de 11 pessoas responsável para limpeza, manutenção e reabastecimento de carruagens de metro. Em 1996 o Presidente Bill Clinton homenageou-o com o título de "empregado do século", louvando a sua ética de trabalho. Em 1997 a empresa deu o seu nome à divisão que o então nonagenário chefiava.

Reformou-se na data do seu centésimo aniversário e faleceu menos de um mês dempois devido a problemas cardíacos.

Alguém sabe o que é que se pode aprender com isto?

domingo, 17 de maio de 2009

ó Filósofo que te dizes político*

Ó filósofo que te dizes Político
Custa-me a crer que Tu,
eminente e exmo Filosofo,
Digas que amas, respiras e vives
essa realidade da Política!

Custa-me a crer que te emaranhes
nesse mundo do Poder face a outro teu semelhante.
Custa-me a crer que imagines um Império
do bem sempre do bem
que fará outrem Feliz.
Quando, Tu exmo Filosofo sabes
que tal meta é um simples anelo de cada um.

Duvido que não te sintas perdido
no meio de tanta aporia
por tal sentimento que te faz político.
Duvido que não sintas asco
ao amar essas realidades da Política.

Ó querido filosofo, tu melhor que ninguém
deverias saber que no teu meio a política não tem lugar.
Há lugar para a contemplação do mundo e das suas coisas.
Não das criações do Homem que te afastam delas.

Tua defesa é só uma: amor à Política.
ao Bem-comum.
Defendes-te com o thelos do relacionamento humano.
Política tem que existir para podermos edificar tais relações.
Logo te respondo,
o cerimonial humano, o envolvimento é tão natural
que não precisa de tal criação humana.
Organizas sim a Estupidez humana em tentar controlar
os meios, lugares e classes onde encontrarás os rostos que amas.

Ó filósofo pinta apenas um quadro.
Crava o pincel no braço,
logo verás de que és feito.
Lá a política não tem lugar.
Sentes dor?
Sim, dor de ser humano, não de ser Político.
"Animal Político" me respondes.
E zombando de ti respondo:
"Não, não! Animal, apenas animal."

(Porque me provoca asco e enjoo a expressão Filósofo Político ou Filosofia Política.Ainda porque não percebo o burburinho em torno da Política e das suas coisas.Não percebo o porquê de tanta viva discussão e como um homem (o homem médio porventura) dedica seu Tempo a discutir tal. Faz-me confusão como se abdica do livre respirar para discutir com fervor como nos organizamos, como vão as realidades da balança e outros assuntos que tais. E lá longe, a senhora idosa que semeia a terra é que se deve rir com tudo isto da Política, não é assim? Discuta-se sim a Verdade, o Belo, o Bom e o Amor. E não me respondam com o Bem-comum, isso não é problema político. Esse problema tem a sua solução no egoísmo de alguns em propor como Bem um modelo que aceitam que fará outro homem sorrir, quando tal raciocínio assenta numa lógica pobre e não respeita a individualidade.Das poucas coisas que posso agradecer a isso da Política é ter alertado ao Homem a necessidade da comunicação e debate. Pois o conhecimento morre se não for partilhado e a essência do agradecimento termina aqui. E mesmo esse baile da argumentação duvido que possa ser colado à Política nos mesmos moldes de outrora, é uma parte desta, mas que teima a desparecer. Substitui-se o debate pela caricatura do mesmo.)


tb publicado aqui

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ford, Nixon e a Verdade

Geral Ford, pouco depois de assumir funções como presidente dos EUA, emite o seguinte discurso perante as televisões, anunciando o perdão de Richard Nixon. A decisão, altamente polémica, irritou milhões de americanos desejosos de ver a matéria esclarecida, o presidente julgado e possivelmente posto atrás das grades, destruindo a popularidade do recém eleito presidente.


Creio que objectivo principal da decisão era operar um virar de página, uma mudança de capítulo, era dizer: "mais do que saber o que aconteceu, ou condenar eventuais responsáveis interessa colocarmos este caso nas nossas costas". Claro que também haveria alguma preocupação com a dificuldade em obter um "fair trial" depois de todos os elementos do júri terem ouvido e formado uma opinião sobre o assunto, claro que facilmente tudo se tornaria numa caça ao homem, claro que a vida de Nixon continuaria a ser devassada em busca de mais notícias durante vários anos, claro que o julgamento na praça pública e as audiências no Senado já o tinham feito passar por muito, claro que Nixon era um homem com problemas de saúde, mas, se percebo bem Ford, o mais importante não era isso.

Será que às vezes é melhor não saber a verdade?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Direito das Obrigações na Queima

Última sessão Cineclube - Easy Rider

Última sessão do Cineclube este ano lectivo, amanhã pelas 18:20h, com a apresentação da prof. Rute Teixeira Pedro.
Aparece e traz um amigo.

IV Debate Campeonato SdD

Decidi assinalar o meu retorno ao mundo dos vivos e ao peso da responsabilidade redigindo o já atrasado comentário do debate que eu presidi (não sem uma mácula de turbulência, confesso) à mesa.
O tema era “Esta casa acredita que todo o acto humano é egoísta” – do lado a favor, Flávio e Frederico, do lado dos ressabiados, Tiago e Henrique.
A discussão viu-se iniciada logo com a definição do PM Flávio que proclamou que “toda a acção consciente e racional exercida pelo Homem é feita em benefício próprio”. A ela somou um elenco de argumentos que listavam a atitude humana como tendo sempre em vista a obtenção de reconhecimento, aliados ao credo, muito contestado, aliás, que “satisfazemos os outros para quem eles nos satisfaçam a nós”.
Seguiu-se-lhe o MO Tiago que deu o egoísmo como um caminho que leva à destruição do Homem e à aniquilação das relações, considerando este um comportamento contra natura na medida em que alegou que o Homem fora criado para viver em sociedade e, portanto, (direccionando a sua acção) para os outros.
Numa exposição que podia ter sido caracterizada por um maior entusiasmo e uma menor redundância, o Ministro da Oposição centrou o seu discurso numa postura anti-egoísta para beneficio dos relacionamentos, que não se concebem, na perspectiva do orador, sem “amar e confiar nas pessoas”, ambos irrefutavelmente altruístas.
Ora que surge no púlpito o MG Frederico que fez questão de brindar a audiência com um caso de desfecho e contornos tão controversos como inesperados. De um acto aparentemente alocêntrico de um homem que se suicida para que os seus orgãos possam ser doados, somos reconduzidos a um passado em que este é responsável pela morte de 7 pessoas, convertendo-se um acto, ao que tudo indica, nobre num acto de contrição, e portanto egoísta. Desta forma, o Ministro do Governo reiterou que o móbil de toda a actividade humana é sempre e incontestavelmente o proveito próprio, mesmo que tal não seja passível de deslindar ao primeiro impacto.
Num discurso marcado por uma tonalidade sarcástica e em que a necessidade de cometer actos egoístas nos foi apresentada como condição sine qua non para o usufruto de uma vida social, é apenas de assinalar a gradativa perda de vitalidade do discurso deste deputado, que se havia lançado como promissor.
É então que o LO Henrique lhe vê concedida a palavra, dando assim início a uma argumentação repleta de parábolas e alegorias afins, ficando apenas a faltar algumas fábulas de La Fontaine para que nos sentíssemos de facto na presença de um verdadeiro Contador de Historias.
Destacam-se frases galantes como “a acção humana é composta por duas vertentes – o amor próprio e o amor pelo outro” ou ”a produção fundada entre dois homens é menor se egoísta, maior se altruísta” e outras mais incompreensíveis como “você vai descrever o interior da laranja, mas eu vou ficar por fora porque acho mais bonito” que surge, no contexto de uma argumentação anti-egoista, um pouquinho a despropósito.
Não obstante a lufada de ar fresco que a inovadora postura do Líder da Oposição trouxeram ao debate, não lhe foi, porém, de gabar a capacidade de captar a audiência nem a de manter um fio de argumentação concretamente demarcado.
Para rematar, voltou o Primeiro-Ministro ao púlpito, só para reforçar que “não há almoços grátis” e relembrar situações da vida quotidiana que nos obrigam agir egoisticamente. Não deixa de merecer ressalva a patente evolução estilística e argumentativa deste orador, que nos demonstrou uma postura mais sólida e adequada do que a assistida em desempenhos antecedentes.
Ficou a frase “a doutrina diverge porque as pessoas seguem o que acham correcto”, e, indo no encalço desta linha de raciocínio, seguem-se as pontuações que a mesa considerou correcto atribuir:


PM Flávio – 69 pontos
MO Tiago – 60 pontos
MG Frederico – 64 pontos
LO Henrique – 65 pontos

Governo – 133 pontos
Oposição – 125 pontos

domingo, 10 de maio de 2009

adeus queima

e olá memórias.
(Ao primus inter pares Henrique M.)

"De uma vez, estando a centenária a contar histórias, disse para as que a ouviam: No meu tempo, os Bernardos não ficavam a dever nada aos mosqueteiros. Era um século que falava, mas era o século XVIII. Costumava ela contar o costume dos quatro vinhos usados na Champanha e na Borgonha antes da Revolução. Quando por alguma cidade da Borgonha ou da Champanha passava uma grande personagem, como um marechal de França, um princípe, um duque, um par, vinha esperá-lo à Câmara e após um estirado discurso apresentava-lhe quatro vasos de prata contendo quatro vinhos diferentes. Na primeira taça, lia-se esta inscrição: vinho de macaco; na segunda, vinho de leão; na terceira, vinho de carneiro, na quarta, vinho de porco. Estas quatro legendas exprimiam os quatro graus de embriaguez: o da embriaguez que alegra, o da embriaguez que irrita, o da embriaguez que entontece, o da embriaguez que embrutece."

Id., II Cosetta, Livro VI, Cap. IX

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Encontros Imediatos no Queimódromo



Ainda sem disposição para fazer um  post longo e profundo sobre esta minha Queima em que tanta, tanta coisa se tem passado, fica aqui cumprida a minha promessa de dar "a devida publicidade" a esta fotografia. Outras igualmente surpreendentes se seguirão ...

Boa Queima!

PS: É bom saber pelo "visitómetro" deste blog que não sou o único a quem não apetece andar a navegar pela blogoesfera. Os número de visitas, depois de todos os records terem sido batidos no 25 de Abril (o blog foi visitado por 201 pessoas, 376 vezes) está agora em níveis só registados há vários meses atrás.

Adenda: Tendo em conta comentário deixado pela Professora Luísa Neto parece que as restantes fotos vão ter de ficar na gaveta. =(

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Family Guy "o que a bebida faz"

Family Guy... na queima... em casa!!

MAs na queima também se sentiria em casa a vomitar assim...

sábado, 2 de maio de 2009

a pena de morte

Em início de queima (ou prestes), parece de mau gosto escolher a temática. Só que se não faço o que pretendo agora, não o farei jamé, porque cairá no esquecimento (pessoal). Portanto, fixo o tema: como mais do que a pena de morte abstractamente pensada, o que, em geral, choca o comum dos humanos, é o espectáculo ao vivo da morte de alguém (o que leva aos limites que se colocam à pena de morte nos EUA). Cá vai a citação.

"O aspecto do cadafalso, com efeito, quando se ergue, tem qualquer coisa que alucina. Pode-se ser indiferente até certo ponto, com relação à pena de morte; podemos hesitar, não nos pronunciarmos claramente, enquanto por nossos próprios olhos não virmos alguma guilhotina; mas, logo que a vejamos, o abalo que nos causa é tão violento que temos de nos decidir ou pró ou conra. Uns admiram, como de Maistre, outros maldizem, como Beccaria. A guilhotina, que é a concreção da lei, chama-se «vingança», nem é neutral nem vos permite sê-lo. A sua vista causa na alma o mais misterioso estremecimento. Em volta desse cutelo surgem todas as questões sociais como um ponto de interrogação. O cadafalso é uma visão. Não é uma mole de madeira, uma máquina simples, um mecanismo inerte feito de pau, ferro e cordas. É uma como que misteriosa criatura, dotada de não sei que sinistra iniciativa. Dir-se-ia que essa mole de madeira vê, que essa máquina ouve, que esse mecanismo compreende, que esse ferro e essas cordas têm uma vontade. A vista de um cadafalso faz embrenhar o espírito em sombrias cogitações, do meio das quais surge terrível e como que circundado dos espectros das suas vítimas. O cadafalso é o cúmplice do algoz; não come, devora; o seu alimento é carne, é sangue a sua bebida. É como que um monstro fabricado pelo juiz e pelo carpinteiro, um espectro que parece viver a horrorosa existência formada de todas as mortes de que tem sido instrumento."


A analogia parece-me possível com qualquer outro instrumento com que se aplique a pena de morte.


Victor Hugo, Os miseráveis, Livro I, capítulo IV.