quarta-feira, 9 de julho de 2008

fonte: muriasjuridico.home.sapo.pt

Pedro Murias é professor da FDUL e tem este belo blogue. Vale a pena por ele passar. Até porque o tipo tem muitas vezes bastante piada. Cá vai umas "verdades" do sujeito:


Ver­dades Fun­da­men­tais do Direito Privado


Ver­dades meto­do­ló­gicas:
1 Contradizer os romanos dá azar.
2 O código civil não é fonte do direito.
3 Três palavras de correcção do legislador e todas as más bibliotecas se transformam em papel de embrulho.
4 A boa juris­pru­dên­cia vincula.
5 Perde a alma quem legisle.
6 Não há regras muito injuntivas, nem regras excep­cio­nais no Código Civil.
Ver­dades dog­má­ticas:
7 A posse é a pro­prie­dade sem tretas.
8 A respon­sa­bi­li­dade civil nunca depende de culpa.
9 O contrato esgota­‑se num momento.
10 O enri­que­ci­mento sem causa aplica-se à bruta.
11 O sinalagma explica metade dos casos.
12 Quase ninguém confia, mas pode confiar­‑se na palavra dada.
13 Até as asso­cia­ções sem perso­na­li­dade jurídica a têm.
14 O direito comercial é só uma desculpa.
Ver­dades geográficas:
15 Savigny morreu, Jhering tam­bém, até ver.
16 O direito inglês parece diferente do nosso.
17 O italiano é alemão com sotaque francês.
18 Não há direito em França.
Ver­dades interdisciplinares:
19 O direito não é eco­no­mia.
20 O admi­nis­tra­tivo nem sempre é direito especial.
21 O fiscal prejudica.
22 O penal atípico ajuda.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Política ou moda?

"Meu caro colega como está? Parece mesmo um Social Democrata! Camisinha azul clarinho, pólozinho sobre os ombros... Sim Senhor!"

"Fascistas! Se era eu que fazia essas figuras por causa desses morcegos..."

"Tem pinta de esquerda. Aqueles farrapos à hippie não enganam"

Tive o privilégio de escutar estas frases nos últimos tempos, o que me levou questionar uma série de pressupostos da ciência política.

A orientação política dos dias de hoje será uma questão de ideologia, de crença em determinados valores que se compatibilizam mais com certos partidos do que com outros? Ou será a vertente estética aquela que caracteriza mais fielmente as facções partidárias?
Terá mais credibilidade no seio dos votantes o partido com melhor programa, com argumentos mais sólidos e soluções mais viáveis? Ou será o mais fashion?

Considerando o modo como se têm diluido as diferenças (na prática) entre os partidos de "esquerda" e de "direita", não me admiraria que o dress code se tornasse o critério de distribuição pelas bancadas da AR.

Do Eu para o Vós nasce o Nós (3)

Universidade Júnior, Universidade Júnior: meu belo repositório de experiências para contar! Assim se apresenta uma folha à porta da sala de espanhol da Escola de Línguas da U.J.

No primeiro terço da folha, um breve cartoon - típico, género da Mafalda - apresenta uma imagem de um aluno a falar com o professor. Por trás do mesmo vislumbra-se um quadro, onde está escrita uma frase com dois erros. Diz o aluno ao professor:

Mi abogado dice que puedo procesar a la escuela por violar mi derecho a ser un ignorante...

Mas, já nos segundo e terceiro terços da folha surgem as conclusões:

Si ser inculto es un derecho
!Dejar de serlo es un deber!
Aprovecha la oportunidad que te regala la Universidad Junior...
Y nunca vas a necesitar a un abogado
(e, já no fim da folha, em letras miudinhas...)
Por la defesa de los derechos & deberes de los estudiantes.

Assim dá gosto!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Do Eu para o Vós nasce o Nós (2)

Novamente retirado desse mundo de vivências que dá pelo nome de universidade júnior.

Quatro jovens de cerca de 13 anos jogam futebol. Ou algo de semelhante. Não se vislumbram balizas, mas elas lá deverão existir naquelas mentes férteis. Não se afigura bola alguma, mas parece que para os ditos a mesma é representada por uma lata de refrigerante esmagada. Como que uma bola em sentido impróprio. Para o observador é notório que um vai marcar um livre. Um livre que é marcado mais ou menos do local onde ficará a baliza imaginária da equipa que representa (ou em que eu imagino que fique, porque o observador sou eu, claro está). Prepara-se, corre, remata. Ou chuta. O guarda-redes que também é defesa, médio, avançado, pivot, ala, ponta de lança, trinco, líbero, centrocampista, central, lateral e bombeiro de serviço, defende.

Comentário do camarada de luta:
"eu tenho um guarda redes impenetrável".

Não diria melhor. Alguém seria capaz de o fazer?

da nossa irracionalidade colectiva

ou quase, que há quem não se reveja no que vou expor.

P- Lixo. Da infopédia.pt.
1.
aquilo que se deita fora por não ter utilidade ou por ser velho
2.
restos de cozinha e toda a espécie de resíduos desnecessários que resultam da actividade de uma casa
3.
pó e sujidade acumulados
4.
lixeira
5.
imundície; sujidade
6.
local onde se reúne tudo aquilo que é para deitar fora
7.
figurado coisas inúteis
8.
pejorativo ralé


p- Guarda chuva. idem.
objecto portátil para abrigar da chuva, formado por uma armação de varetas móveis, coberta de pano, e uma haste central que serve de cabo; chapéu-de-chuva
Corrigiria dizendo que a armação de varetas móveis não tem necessariamente de ser coberta de pano.

C- Porque raio é que se insiste em meter guardas chuvas molhados nos caixotes do lixo? Porque estão molhados? Vejamos o que significa água.

1.
líquido incolor e transparente, insípido e inodoro, composto de hidrogénio e oxigénio, de fórmula química H2O
2.
líquido semelhante a este ou em que este predomina
3.
hidrosfera
4.
chuva
5.
secreção de natureza orgânica, como o suor, a saliva, as lágrimas, etc.
6.
infusão, caldo, cozimento
7.
vertente de um telhado
8.
limpidez das pedras preciosas


Parece-me que água é bastante diferente de lixo. Com a agravante de, por via da cobertura do guarda-chuva estar molhada, o lixo aderir. Então aí sim, o guarda-chuva estará coberto de lixo e só deverá ser colocado em caixotes do lixo.

O que nós fazemos para ter razão.



domingo, 6 de julho de 2008

Esta casa acredita que mais vale ter jornais e não ter governo que ter governo e não ter jornais

"The basis of our governments being the opinion of the people, the very first object should be to keep that right; and were it left to me to decide whether we should have a government without newspapers or newspapers without a government, I should not hesitate a moment to prefer the latter. But I should mean that every man should receive those papers and be capable of reading them." Thomas Jefferson a Edward Carrington, 1787.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

a (in)decision 2008 e a oilpac

Não é propriamente um discurso, mas dá para dar umas boas gargalhadas... infelizmente por motivos não tão sorridentes.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Demonstações de Afecto

"Uma escola de Mesa, estado norte-americano do Arizona, decidiu proibir demonstrações públicas de afecto entre os seus alunos, nomeadamente beijos na boca e abraços que durem mais de dois segundos. 
Segundo a estação de televisão KPHO Phoenix, dezenas de alunos decidiram protestar, na passada sexta-feira, contra a decisão que já levou inclusivamente à suspensão de uma rapariga de 14 anos. 
«Acho ridículo», disse Chelsea Branham, punida por abraçar um amigo depois das aulas. «O abraço não teve qualquer significado maior. Eu não estava a beijá-lo, nem nada disso», reclamou. 
Os alunos acabaram por fazer o seu protesto de forma bem original e apropriada à ocasião. Durante 20 minutos trocaram abraços fortes entre si, numa atitude que visou demonstrar que o gesto não contém quaisquer conotações sexuais."


Amar e ser amado?

As demonstrações de afecto são uma questão controversa num mundo globalizado em que se cruzam diferentes concepções sobre o tema. Em Portugal, dificilmente se proibiriam os beijos ou os abraços em estabelecimentos de ensino, mas isso é porque somos calorosos nas recepções e nas despedidas. Miguel Esteves Cardoso falava de como os portugueses se despedem como se fossem partir para "mares nunca antes navegados", como se tivessem voltado da sua oceânica sepultura.

Expressarmos as nossas emoções, os nossos afectos [e desafectos?] através de gestos socialmente convencionados para o efeito é algo positivo, ou negativo? Será que o ideal humano está nos EMO's ou o Mr. Spock? Devemos ser frios como os alemães e distantes como os japoneses, ou calorosos como os russos e sorridentes como os sul-coreanos?

Que defende esta casa?

terça-feira, 1 de julho de 2008

À Guerra

(Acho que começou a chover. Calei o Seu Jorge e ele deu lugar aos Manowar.)

Já muito se falou de violência neste blog no entanto sem nunca se tocar a violência última: fogo, explosão, aço, suor e sangue – a guerra.
Revia há dias Platoon de Oliver Stone, e não deixava de pensar “como pode algo tão belo emanar de algo tão feio?”. Terá afinal a guerra algo de belo?
Há tempos discutia com um amigo se seria a guerra o “catalisador óptimo” das verdadeiras virtudes do Homem. Afinal, em que outra circunstância será de tal forma determinante a destreza e força física e intelectual?
Surgiu-me depois nova questão. Será a guerra o único acto diplomático verdadeiramente eficaz? Afinal, nenhum outro acto diplomático produz tão evidentes consequências (não apenas juridicas). Nenhum outro acto diplomático é tão perceptível às populações como uma declaração de guerra ou trégua. Nenhum outro acto diplomático deixa tão relevantes marcas na história mundial, ou na do mais ínfimo povo.
Enfim, quando tratando divergências diplomáticas, será a guerra a opção a seguir depois da diplomacia, ou será a guerra o último acto diplomático a seguir?

(Parou de chover. Manowar não é fixe, vou voltar ao Seu Jorge.)

Do Eu para o Vós nasce o Nós.

E nascendo o Nós, todos fiquemos a conhecer a breve novela que passo a narrar.

Um grupo de 3 raparigas quase que caminha na minha direcção, sentando-se ao meu lado. Raparigas talvez de 11,12 anos. Momentos depois, aproxima-se um outro grupo de raparigas e de um rapazito, com as raparigas a rirem-se e o rapaz com um ar profundamente tímido. Cá vai o diálogo:
- Ele diz que não é virgem. Ah ah ah [diz a rapariga que comanda as hostes, quase inebriada por poder contar tal às restantes. Convém explicar a fisionomia do rapazote: cabelo loiro aos caracóis, ar quase angelical, daqueles que quase temos a certeza que em casamentos e baptizados é vestido de marinheiro pelos pais. As raparigas riem-se todas. Algumas, mais tímidas, apenas esboçam um sorriso, não podendo ficar atrás das restantes]
Aí, a jovem comandante revela quase em surdina ao rapaz:
- Virgem é que nunca praticaste sexo...
O jovem, agora tudo percebendo, responde com o ar mais cândido do mundo:
- Ah...então eu não sou virgem.
E, pouco depois, acrescenta,
- Sou sagitário.
Aí, a jovem comandante, findos breves segundos, e temendo a deserção das tropas, volta ao ataque:
- Devias era ser balança, por isso é que és assim redondo! ahahah!
Volta a suceder um riso colectivo, a várias vozes e inensidades. Uma outra rapariga acrescenta...
- ai, vocês deviam era namorar...

A Universidade Júnior: esse belo mosaico onde o amor, a amizade, a vida e o conhecimento se cruzam...