quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A publicidade, Hitler e a Sida



Este é o vídeo que tem escandalizado o mundo. Foi feito como uma publicidade contra a Sida. A mensagem que quer passar é simples: a sida é uma assassina em massa. As imagens utilizadas são chocantes, mesmo nojentas.

A reacção ao vídeo tem sido de repulsa. O que me parece perfeitamente natural. Não é preciso fazer publicidade anti-sida, todos sabem que é uma doença mortífera. Não é preciso usar imagens que chocam para passar uma mensagem, o conteúdo passa para segundo lugar devido à repulsa causada pela forma. Não é preciso comparar a Sida a Hitler e, ainda que indirectamente, quase comparar os infectados com Hitler.

A publicidade deve ter limites? Certamente, e não só os limites do bom gosto. Esta passa todos os limites.

9 comentários:

Manuel Pinto de Rezende disse...

discordo Tomás.
no caso da SIDA, é mesmo preciso usar imagens que chocam.
e sequer pensar que o vídeo compara os infectados a hitler requer uma má fé do caraças.

Street Fighting Man disse...

concordo com o manuel. as pessoas quando se sentem ofendidas com algo arranjam mais mil e um motivos para se sentirem ainda mais ofendidas: por exemplo a comunidade judaica alemã sentiu-se ofendida pela comparação entre as vítimas da sida e as do holocausto. não sejamos assim tão melindrosos. quanto ao chocante das imagens já acho mais discutível, mas julgo que também não é por aí que passa o problema

Vasco PS disse...

Há várias formas de analisar a questão. De facto a SIDA é um assassino em série. No entanto, há que ver que Hitler quis exterminar os judeus (e não só!). Já a SIDA pode transmitir-se sem se saber se a tem. Ainda assim, há formas de a tentar combater, já combater mentalidades como as do séquito de Hitler é bem mais complicado (se houvesse cura eficaz estavamos no Paraíso). E cá para mim há aí muita gente ofendida por terem usado a imagem do seu adorado Hitler; cá em Portugal se usassem a do Salazar em algo do género caía o Carmo e a Trindade.

Guilherme Silva disse...

Acho este video publicitário eficaz, de um gosto não muito duvidoso, e sinceramente nada ofensivo.

É chocante sim, mas não vejo porque não havia de ser num caso como este.
Se o Zidane, o Beckham, a Angelina Jolie, o Tom Cruise e afins não conseguem passar uma mensagem eficaz; se os preservativos distribuídos na Queima são usados como balões; se os panfletos à disposição nas escolas e faculdades são utilizados como papel para filtros para cigarros e afins, há que puxar um pouco mais pelo engenho, e inovar...

E sim, concordo com a Manuel. Considerar que o video compara os infectados com Sida a Hitler é de mau gosto, e sinal que se tem tempo a mais para pensar no que não se deve.
A meu ver é tão simples quanto isto: A Sida elimina imensas vidas. Hitler eliminou imensas vidas. Logo, quanto muito, devemos considerar que este video compara a Sida a Hitler.

AIDS ist ein massenmorder.

Vasco PS disse...

Concordo com a tua conclusão Guilherme.

Manuel Pinto de Rezende disse...

Vasco, Vasco, calma.
Salazar não foi um assassino de massas.

quanto muito, usaríamos a figura de Salazar para prevenir os jovens de, sei lá, terem relações sexuais, devido ao efeito pouco sedutor e deveras repulsivo do falecido ditador da IIº República.

João Fachana disse...

De facto, ao ver o vídeo não o achei nada ofensivo. De facto acho que lhe falta impacto. O que chocaria as pessoas a sério era, entre a tórrida publicidade passarem imagens de doentes terminais de sida. Isso sim acho que chocaria as pessoas. E muito. E talvez isso sim provocasse alguma diferença.

Txikia disse...

Inês Menezes sugeriu ontem na Antena 3 substituir o Hitler pelo Papa, referindo-se à posição da Igreja quanto ao uso do preservativo. E a frase no final, igual.
Havia de ser giro, não?!

Vasco PS disse...

Manuel, eu não quis dizer que tinha sido um assassíno de massas...se bem que um assassíno isso sim, foi. Agora se tivessem feito uma publicidade a comparar Salazar sei lá, à fast-food por fazer mal à saúde, havia logo manifestações, e tds os macs seriam vandalizados através da colocação em cada posto de venda de um cruxifixo e de uma foto do sr presidente. (com iguais exemplares versão miniatura para os mac-drives)

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