terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A minha carta de Natal*

Amigos e amigas,

Até este ano sempre achei que se anunciava um Natal com excessiva antecedência, irritavam-me as árvores cobertas de neve quando eu ainda andava de T-shirt, indignava-me ao ver em Novembro as luzinhas, as renas, os trenós, os gorros, os pinheiros, os guizos, as fitinhas, os flocos de gelo, os embrulhos, as imagens muito 50's de lareiras crepitantes e famílias perfeitas em camisolas de lã a combinar. Para mim tudo isso era falso. Mas havia algo que me dizia com a fiabilidade de um relógio suiço quando é que o Natal estava a chegar:  a minha mãe. A minha mãe, lá para finais de Novembro trazia-me um calendários de advento, daqueles com chocolates em cada janelinha. Aí eu sabia que era preciso começar a "preparar o Natal" e à medida que eu ia comendo chocolates ia-me sentido cada vez mais envolvido no espírito.

Primeiro vinha o 1 de Dezembro, que até é feriado para a gente não se esquecer que Dezembro começou. Quando era pequeno e a nossa família tinha um pinhal e levávamos todos os anos um pequeno pinheiro para casa, depois de sucessivos incêndios com concornos duvidosos e da decisão de vender o pinhal, passámos do ritual de ir buscar o pinheiro ao pinhal ao de ir buscá-lo à garagem - o ambiente deve ter agradecido duplamente. Fazia-se a árvore, montava-se o presépio, com calma, refazia-se o presépio, eu brincava com as pequenas figuras de barro, partia umas quantas, voltava-se a fazer o presépio (ou o restava dele) ...

Depois vinham os catálogos das grandes superfícies e as cartas ao Pai Natal. Todos os anos eu escrevia uma carta, ia entregá-la à minha mãe e juntos iamos para a varanda queimá-la (esta era a forma de o Pai Natal ler a nossa carta). Todos os anos eu fazia planos para capturar o Pai Natal, com muito tempo de antecedência voltava a estudar a planta da casa dos meus avós para tentar perceber o que tinha falhado no ano anterior.

Muitos chocolates depois vinham as férias. A minha mãe ficava em casa a trabalhar e punha músicas de Natal o dia inteiro e o mais estranho é que eu gostava. Ficava a brincar, ou a ler, ou a ver televisão, a telefonar às pessoas para virem aos meus anos, e a sonhar com o dia, ou melhor, com a noite, em que os presentes chegassem.

Na noite de Natal, mais do que da família, dos presentes, da comida, eu gostava do ambiente. No início estava sempre toda a gente a correr de um lado para o outro, sete pessoas numa cozinha apertada, tudo parecia querer ajudar, cada pessoa que entrava trazia alguma coisa para a mesa. 
Já repararam na forma como as pessoas se cumprimentam na noite de Natal? "Quem é? Somos Nós! (abre-se a porta, conhecem-se as pessoas pela voz, quando não pela maneira de tocar) Feliz Natal! Feliz Natal! Está frio lá fora ... Deixa-me levar esses casacos lá para dentro. Aqui está-se muito melhor. Então que contas? Trouxemos aqui qualquer coisinha para o jantar. (...)" As pessoas são tão simpáticas no Natal... Parece que não sabem que as prendas já estão todas compradas (desculpem ter sido muito cínico agora ...).
Ao jantar a comida unia as pessoas "Passa-me as batatas. Deixa estar que eu sirvo-te. Obrigada. Não queres mais bacalhau? Não, estou a guardar-me para as rabanadas".

Aqui há uns anos fiquei desgostoso quando a minha mãe me disse que quando eu era pequeno toda a gente adiantava os relógios e abriam-se os presentes mais cedo. Aquele período de espera era o que eu mais gostava na noite: os jogos, as conversas, as piadas, as especulações, um filme entrevisto pela décima vez ... Fazia parte do ritual de "esperar pela meia-noite", essa hora mágica para quem se deitava sempre às dez e meia. Era uma noite em que havia tempo para tudo, até para ultimar os preparativos para a captura do Pai Natal. Depois vinha a minha mãe, ou a minha avó e diziam: "Olhem o que o Pai Natal deixou!"

No dia seguinte roupa velha e os restos das sobremesas do dia anterior. Todos continuavam felizes, mas estavam visivelmente mais cansados (ou seria mais calmos?). Levavam-se alguns brinquedos novos para mostrar a quem não tinha estado na noite anterior. O Pai Natal era mesmo fixe. Não tendo ninguém em concreto a quem expressar a nossa gratidão eu sentia-me grato por tudo e para com todos, como se tivessem sido todos aqueles com quem eu me cruzava a darem-me a prenda de que eu mais tinha gostado.

Já passou tanto tempo que tenho a sensação de estar a contar uma história em segunda mão. Primeiro descobri que o Pai Natal não existia (não me lembro como), depois começaram a haver outras crianças na família e a nascer a necessidade de se desempenhar um papel para que elas pudessem viver o Natal da mesma maneira que nós vivemos, depois veio a morte do meu avô (poucos dias antes do Natal de 2004, não fazia ideia que já tinha sido há tanto tempo) a minha mãe já não compra calendários de advento e o tempo encarregou-se do resto. 

Este ano o Natal atingiu-me como um raio na tarde do dia 19 de Dezembro quando (finalmente!) entrei de """""férias"""""". Estive tão atarefado durante as últimas semanas entre jantares de Natal, O jantar de natal, o debate com dirigentes associativos, a festa da catequese, etc. que nem me apercebi que ... caramba, amanhã é 24!

O ano passado escrevi uma peça de Natal chamada 24, uma brincadeira entre a série e a véspera de Natal, em que uma das personagens, um carteiro, atarefadíssimo nesta altura do ano, descobria horas antes da consoada que dia era. Depois de escrever essa cena pensei: é impossível, isto nem se quer é plausível. Hoje tenho sérias dúvidas que não ande ainda por aí alguém sem saber a quantas anda.

Depois de alguns ensaios, mais ou menos criativos/sovinas, em anos anteriores este ano vou dar prendas "a sério" a várias pessoas. É um esforço, financeiro até, para me obrigar a pensar nos outros, para me obrigar a entrar neste espírito de Natal. Dar prendas também deveria servir para isso: para pensarmos nas pessoas de quem gostamos e a quem queremos dar um pouco de nós. Pensar no que elas gostariam de ver no sapatinho, pensar na nossa relação com elas, pensar nelas...

Ainda perplexo termino com um excerto da minha peça de Natal deste ano, "6 minutos":

"Este Natal, recordemo-nos que aqueles que vivem entre nós são nossos irmãos, que partilham connosco o mesmo instante de vida, que respiram o mesmo ar e se aquecem ao mesmo Sol, se molham na mesma chuva e que se constipam. Que procuram, como nós, apenas uma oportunidade serem felizes e viverem uma vida cheia. Estou certa que esta esperança comum, que este objectivo comum, conseguirá ensinar-nos algo. Estou certa que pelo menos poderemos pedir para este Natal a graça de olharmos para cima e vermos um Pai, e olharmos à nossa volta e vermos irmãos, uma vez mais."

Feliz Natal e que também a Paz desça pela vossa chaminé.


*Sem imaginação para sms e dinheiro para postais aqui fica a minha carta de Natal.

PS: Os ateus podem substitui "vermos um Pai" por "sentirmos Amor", ou "não sentirmos um vazio existencial tão profundo como é costume", no fundo é isso.
PPS: A parte do vazio existencial não é gozar. É mesmo a sério. Dois terços da cena do Pai é isso.

21 comentários:

henrique maio disse...

=)

Daniela Ramalho disse...

houve uma parte em que de facto o que disseste foi totalmente de encontro ao que tenho sentido nos últimos anos. o meu natal teve graça até ao ano em que a minha avó que fazia o natal valer a pena, morreu em 2003, e simplesmente veio fracturar a família. basicamente o natal para mim morreu nesse ano e agora não é mais que um típico almoço de domingo em que a família se reúne. (sinto que estou a ficar demasiado sentimental)
p.s - eu não tenho um vazio existencial. simplesmente não preciso que algo superior a mim que não consigo explicar nem que me diz nada em concreto, me venha preencher de alguma forma. isto sem querer lançar aqui uma velha discussão sobre deus, por favor :)

Hugo disse...

(...faço minhas as palavras da Daniela, incluindo a data de 2003...RIP)

Desejo a todos os leitores, participantes e espectadores da SD um feliz natal e um espectacular ano novo!!

PS: Aproveitem a ceia de natal para mostrarem os vossos vastos conhecimentos de direito e impressionar os tios e tias...

Usem abundantemente expressões em latim como mutatis mutandis ou habeas corpus, empreguem artigos aleatoriamente e afirmem com convicção que tal como o Dr. Tiago de Ramalho, vocês acreditam na suprema relevância do princípio da unidade da ordem jurídica.

Se isso não chegar, usem trunfos como, "o PS está a virar à direita" ou a "crise é apenas um estado de espírito"...

Boa sorte nessas lutas que são as conversas com os familiares, especialmente aqueles com a mania que dominam todos os assuntos!

:D

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Hugo, fizeste-me rir. Terias muita razão, mas na minha família simplesmente não dá para fazer isso com três professores de Direito à mesa (isto se não tiver alguns juízes). Damn!

Daniela, se não tens um vazio existencial é porque ainda não falaste mais de trinta segundos com o Henrique =P (ou 2 segundos com o Canotilho).
Mas eu não me expliquei bem. Eu não disse que os ateus têm um maior ou menor vazio existencial. Parece-me que esse vazio está muito mais relacionado com a capacidade/necessidade de cada um de reflectir sobre a existência do que com ser-se religioso, crente, espiritual ou whatever.

Conheço pessoas com me mostram esse vazio existencial e que são crentes e outras que não o são. Durante o jantar de natal tive uma discussão sobre isto com uma pessoa do teu ano. Dizia-me ela que nela a percepção desse vazio levava-a para o futebol. Era a sua forma de alienação.

O drama humano existe e é sentido por todos os que tenham uma vida suficientemente desafogada para levantar os olhos do chão e parar por dois segundos para pensar no dia de amanhã. O resto
é apenas a forma como decidimos ou somos levados a lidar com isso. Seja com futebol, seja com drogas, seja com comida ou com alcool, seja com sexo, seja com religião, com o trabalho, com filosofia, com arte, com voluntariado, tendo filhos, viajando ...

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

"Prayer is only another name for good, clean, direct thinking. When you pray, think. Think well what you're saying. Make your thoughts into things that are solid. In that way, your prayer will have strength, and that strength will become a part of you, body, mind, and spirit. " in How Green Was My Vally (1941).

Telmo disse...

Natal esse guilty pleasure! :) Ary eu ainda compro calendários de advento (se bem que nao o sigo a risca!) e no dia 24 sou a criança cá de casa (tb sou o mais novo!) Mas o natal é isso mesmo. resta-me desejar um Bom Natal a todos os que por aqui passam :)

henrique maio disse...

Olhem lembrei-me que acredito mesmo num Deus lol num Pai, no quer que seja! AMOR! que nos guia todos os dias, a cada vitória, a cada caminhada, a cada almoço, a cada olhar, a cada momento!

Não seria td tão diferente se todos aceitassem este DEUS? (chamem-lhe o que quiserem mesmo)...

Sei que todos nos iriamos tornar ainda mais humanos quando aceitarmos que amar é tudo, e mesmo quando aquelas pessoas nos vem aborrecer com porquês e mais porques dos seus ódios face a terceiros, nós, na sua calma e bom sarcasmo apenas lhes diriamos: "Não gastes o teu tempo a odiar, podias estar a utilizar esse mesmo tempo para amar outra pessoa" Esquece os ódios, ama a cada segundo que passa...

Somos assim.. vazio existencial? Não! Quando falo de amor, até pode ser um abraço com um amigo, amor é tudo, as pessoas apenas têm receio da palavra e só a utilizam em certas situações (ou nem a utilizam de todo)...

Olhem, eu não só neste natal, desejo que cada um de nós saiba dançar ao som do amor e carinho que conseguimos emanar dos nossos corações.

"Somos tão pequeninos..." Não nos apercebemos do essencial... Que falem com a família da política, do Ps, da economia, da reforma de processo civil, sei lá... mas ao falarem disto tudo, por dentro, ou em cada palavra, toquem-lhes com amor, AMOR!

Pf... vamos dar aquilo que pode ser a nossa maior prenda: não só o nosso coração, mas tudo aquilo que guardamos. Nós, somos todos iguais, as máscaras estragam-nos tanto! Amem! No natal, na páscoa, nos equinócios, nos dias de chuva, no negrume.... Amem!

P.s. Adoro mesmo o natal, pois a querer dar amor a todos que conheço e desconheço, basta um sorriso, um bom dia alegria" e um sincero "BOM NAtAL"

=) dou-vos isso tudo agora com estas palavras, escrevi com sangue nas mãos e sobretudo com o coração tão próximo mas tão próximos de vós!

Abraço!

henrique maio disse...

e beijos x)

(não vá a daniela ficar chateada)

ou qq menina que passe aqui LOL

Vasco PS disse...

Bem, vim só desejar um óptimo Natal para todos. (ou lá o que festejam nesta altura)

Daniela Ramalho disse...

hugo, sim eu irei brilhar perante a minha família psd (que foi a que calhou este ano) e irei aborrecer as minhas primas com coisas que elas não sabem o que são, mas que se lixe, eu também não sei o que são as coisas de que elas falam. e quando todos estiverem a dizer mal da justiça e do direito, vou intervir com artigos da constituição e citar autores que nunca chegaram a existir no mundo do direito... no fim, todos vão concluir que sou uma pessoa espectacular e vão passar a dar-me duas prendas (uma de natal e outra de anos), ao invés de fundirem tudo numa... oh yeah
vá, ary, estás perdoado. e bom natal para todos vós, fiquem com muita paz no coração e perdoem-me Às pessoas que voz fazem sentir vazios existenciais...
p.s - eu proponho que cada um de nós tente levar a família a fazer uma debate Society versão familiar xD

Inês Silvestre disse...

Brilhante ideia Daniela. Vou tentar fazer isso, mas escolher um tema muito tolinho.
Se bem que, normalmente, a minha família já faz uma espécie de sessão da sociedade ao jantar. Não é preciso muito para os pôr a falar :D

Feliz natal para todos :)

Canoas o mercenário disse...

Obrigado ary! Realmente sinto-me como tu a pensar no natal como era... realmente esperar pelo pai natal comer o calendario dos chocolates, ter prendas DECENTES por parte de todos os parentes, em vez de serem apenas as dos pais,(que muitas vezes somos nos que as compramos com eles ao lado...) (sigh)
Quero voltar a esse tempo... A um tempo em que no dia 25 montava LEGOS desenfreadamente, um dia em que me esquecia das preocupações todas pois os testes ja la iam....

Tou... triste... so de pensar como o natal era, e agora é! Pensar na panoplia de problemas familiares que tenho agora; Pensar que na casa em que passo o natal, nao se sente o cheiro do arroz doce e dos outros doces todos... Pensar que Perdi o Pai Natal, Essa entidade que me fazia sentir bem, e que dava o espirito ao natal. Pensar que o natal cada vez mais se torna um dia mais mundano, pois so se fala da crise e das desgraças deste pais, e antecipam o natal uns 2 meses para incentivar o ultraconsumismo.... :( :( :( :( :( :( Sigh

Quero o meu natal de volta!

Ps: Respondendo ao vazio existencial... Eu nao o sinto.. Continuo a viver e a saber porque estou ca, pois ha uma razao logica de ca estar. Acho que o Amor... Até o Amor proprio é o melhor, pois acho que cada um de nos é o seu deus... Em ultima Ratio nos somos a unica pessoa em que confiamos. Podemos nao confiar em mais ninguem, mas pelo menos em nos podemos confiar.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Quanto a todas as pessoas que afirmam não terem vazios existenciais, e não têm as mãos negras do carvão, só tenho uma resposta politicamente incorrecta: ou têm o QI de um guaxinim ou andam em negação ...

1. Shock
2. Denial
3. Anger
4. Acceptance

Passaram do choque para a negação, sem passar pelo choque, espero que agora passem para aceitação sem passar para fúria =P

Jorge Pereira disse...

a ideia que eu tenho é que os ateus não têm alma, um pouco como os índios...

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

A história é que os índios perdem a alma quando os fotografam ...

Canoas o mercenário disse...

No comment Ary. Eu nao tenho o QI de um guaxinim. E defenitivamente nao estou em negação

Canaos o mercenario disse...

Porque nao ei de ter alma apenas porque nao acredito numa força superior.....
Se essa força superior existisse ja se tinha mostrado como tal!

mais uma vez para que acreditar em algo, se quando precisamos que algo aconteça quase sempre depende da acção humana....
quando nao é acção humana, é a natureza, e essa nao se controla...

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Desculpa lá Canotilho, mas o teu último comentário é puro non sense.

1. Quem disse que não tinhas alma? Acho que mesmo o maior fanático te concedia isso, até porque só com alma é que poderias arder para toda a eternidade no inferno.

2. A mim essa força superior demonstra-se todos os dias, sem clichés. Basta-me aperceber-me da minha pequenez para perceber que há algo maior.

3. Tu acreditas ou não no comunismo, na morte, nas doenças, no vento, nos bancos de jardim, nos postais de natal, na teoria normativa dos factos porque é útil? Eu sei que é o que a maioria das pessoas faz quando adere a uma ideologia, mas não pensava que se fosse normal na altura de aderir ou não a uma crença religiosa.

4. É perfeitamente defensável no seio da Igreja Católica actualmente uma posição minimalista da intervenção de Deus. Aliás não só me parece legítimo defender que Deus só pode actual através dos Homens e não se pode negar a si mesmo violando as leis que ele mesmo criou (blá blá blá) como me parece a única coisa possível de defender numa conversa inteligente durante mais de dois minutos.


Há muitos católicos com fortes complexos de superioridade, e católicos com fortíssimos complexos de inferioridade (talvez seja o meu caso). Mas acho que também há muitos ateus com fortes complexos de superioridade, e ateus com fortíssimos complexos de inferioridade (parece-me ser o teu caso).

Manuel disse...

"É perfeitamente defensável no seio da Igreja Católica actualmente uma posição minimalista da intervenção de Deus."

até Deus é liberal.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Deus é sem dúvida liberal, mas liberal de esquerda ... bem de esquerda ...

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