sábado, 21 de março de 2009

Che




Poucos podem dizer que são (re)conhecidos por um só nome. É incrível a ideia de meia dúzia de letras chegarem para inumerarmos, dentro da multidão de individuos e histórias que cruzaram este planeta, um único indivíduo.

Che é uma dessas personagens. Tornou-se num icon, num símbolo, numa ideia. E as ideias, como as histórias, os icons ou os símbolos, teimam em ficar agarradas à nossa memória colectiva, perdurando muito, muito para além da memória dos indivíduos.

Che é um símbolo. De revolução, de inconformismo, de juventude, de promessa perdida, de aventura, de combate por ideais. Não teve ele a infelicidade de ficar associado à guerra, à violência, aos vícios e paradoxos do comunismo, ao fracasso (relativo) da revolução cubana, ao mercado negro. E ainda bem que assim foi. Estou convencido que (quase) todos os homens e mulheres são isso mesmo: homens e mulheres, tentando fazer o melhor que podem das suas vidas, esgravatando animalmente o solo sob a espada de Damocles. 
A História tem obrigações que não são as da Mitologia e é do mito que falamos.

Devo agora escandalizar muita gente, mas eu tenho uma T-Shirt do Che. 
Fica-me muito larga, é de um vermelho muito vivo e ele não me parece muito bem disposto. Foi-me oferecida pela minha madrinha para eu "épater le bourgeois", ou seja, para eu chetear o burguês.
E foi o que eu fiz com ela. Se não erro nas contas devo tê-la usado três vezes, todas elas para provocar o Tiago e o seu gosto (ainda mais) burguês (que o meu).

Não tenho a certeza, mas acho que não gosto da minha T-Shirt do Che. Talvez porque ser (mal) rotulado é um preço demasiado elevado para chatear o anestisiado burguês, e para mais sem originalidade.

4 comentários:

Francisco disse...

O post foi por acaso ou porque viste o filme? O filme está fabuloso. E não toma partido nenhum, o que é mais um extra positivo.

Ary disse...

Nem uma coisa nem outra. Foi porque o filme despertou alguns posts por aí e eles me fizeram lembrar de algumas coisas a propósito desta figura.

Tenho de ver.

Daniela Ramalho disse...

eu confesso que tenho um che em frente à cama. e embora muitos tentem desconstruir o mito apontando-lhe dos seus defeitos tão mundanos, a verdade é que há algo de maior por detrás da personagem que consegue transcender qualquer barreira política. e sim, estou mesmo desejosa de ver o filme :P

Ary disse...

É um símbolo! Eu tenho uma foto do Kennedy no quarto e ele também estava longe de perfeito...

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