sábado, 14 de março de 2009

School Shootings

Sabiam que existe um artigo bastante extenso sobre "school shootings" na wikipedia, em pelo menos 12 línguas? Ou que as palavras estão presentes em pelo menos 32 milhões de páginas, de acordo com uma pesquisa no Google?


Felizmente a palavra ainda não se popularizou em Portugal uma expressão com significado equivalente, para estes actos de violência praticados em estabelecimentos de ensino com o intuito de atingir um grande número de vítimas mais ou menos indiscriminadamente. Por muito que alguns profetas da desgraça nos queira vender a ideia contrária, vivemos num país que ainda assim é relativamente tranquilo. Claro que temos alguns tipos de criminalidade bastante populares, como os assaltos a bombas de gasolina ou a caixas de multibanco, e pelo menos durante algum tempo tivemos aí um surto de carjacking, mas nem nos podemos queixar muito.

O próprio fenómeno da violência nas escolas nem é mais dramático que noutros países e apesar de se poder falar de um aumento nos últimos anos, se olharmos o problema com mais distanciamento, facilmente percebemos que o que se está a passar já se passou em muitas outras alturas. Os nossos pais viveram um período complicado de violência nas escolas durante o pós-25 de Abril, se perguntarem aos vossos avôs que tipo de partidas se pregavam na altura aos professores, ou da quantidade de vezes em que eles participaram em pequenas escaramuças concluirão que as crianças de hoje são umas santas. Cfr. "Dá-me o telemóvel já" com "How green was my valley".

Pensando sobre estas coisas, estava quase convencido que estas coisas são sempre as mesmas e no fundo não há razão para alarme, mas depois voltaram-me à cabeça as imagens de alguns recentes tiroteios em escolas e voltei atrás. O que se passa com estas crianças? O que se passa connosco?

6 comentários:

Daniela Ramalho disse...

a diferença é que hoje em certos locais do mundo se consegue um acesso tão fácil a armas que se perde o sentido de perigosidade ou absolutividade do gesto de disparar uma arma contra alguém. a culpa não é dos vídeo-jogos, a culpa é das circunstâncias de se tomarem as armas como comuns instrumentos que se têm por casa, capazes de resolver todos os problemas à distância de um clique. provavelmente, qualquer um de nós teria enorme dificuldade em disparar uma arma ou a achar correcto fazê-lo, porque as armas sempre viveram no nosso imaginário como instrumentos distantes. se desde sempre tivéssemos convivido com elas, certamente que a reacção seria diferente e num belo dia, chateados com o mundo, simplesmente íamos ao armário da sala e levaríamos a arma até à escola para resolver os nossos problemas.

Ary disse...

Acho que isso explica boa parte do problema, mas será só isso?

Joana disse...

já a segunda lei da termodinâmica diz que "todo o sistema natural, quando deixado livre, evolui para um estado de máxima desordem, correspondente a uma entropia máxima". parece-me que, tal como o universo, caminhamos para a desordem, para o caos total.
o caos individual é imposto socialmente. é o meio que permite a concretização dos fins, tal como a daniela disse. de facto, não sao os vídeo-jogos que têm culpa (eu gosto den jogar CS e não é por isso que vou começar a dar tiros às pessoas se o dia estiver feio). o problema é a evolução natural do Homem que sempre recorreu à guerra para resolver os seus problemas.

Telmo disse...

De columbine até Winnenden passaram quase 10 anos e aquilo que se pensava ser um fenomeno isolado tem se tornado em noticia frequente nos telejornais. Obviamente que a facilidade em adquirir uma arma e a insensatez com que hoje se prime o gatilho sem pensar é a base do problema! qualquer dia temos detectores de metais as portas das escolas e faculdades para prevenir o surto deste fenomeno! A nossa sorte é que na fdup não existem estudantes psicóticos e reprimidos o suficiente para o fazerem. ou estarei eu enganado? ;)

Bárbara disse...

realmente o acesso às armas contribui para o problema como é óbvio mas, mesmo assim, é só preciso um pouco de imaginação (e secalhar nem isso) para transformar algo inofensivo numa arma e apesar dessa facilidade nem todos em alturas peculiarmente frustrantes e desanimadoras da vida andamos aos tiros ou a esfaquear alguém...
portanto sem duvida que a questão mais importante são os motivos que levam algumas crianças a tomar tal atitude...
1. sofrem qualquer tipo de violência na escola, são excluidas ou de outra forma rebaixadas
2. não têm um bom ambiente familiar, dificuldades economicas, violencia doméstica ou podem simplesmente nao ser alvo de qualquer tipo de atenção por parte dos pais
Sinceramente eu estou a especular porém custa-me acreditar que uma criança cometeria tal acto só porque acordou de manhã e não tinha mais nada para fazer

Ary,
sim temos de dar graças pelo facto de sermos um país relativamente tranquilo contudo, cenas como a do "dá-me o telemóvel já!" são a ponta do iceberg. na verdade no youtube são vários os videos do género e grande parte com origem em Portugal portanto, embora sejamos um país menos violento que outros não devemos ignorar determinadas situações que se passam nas nossas escolas. basta uma criança ter medo de ir à escola porque é espancada ou constantemente insultada pelos colegas para justificar a nossa intervenção não?

Manuel disse...

people are just fucked up, and dont want to live with responsablities. being bullied does not aply for the perfect excuse to start shootig the beejeezuz out of the school headmaster, teaches and classmates.
according to the general line of thought, we can almost get to a point where the educaton minister starts developing a robot capable of giving a sense of self realization to bullied kids. maybe mecanized handjobs...

i love my gun, and i want to keep it, so i can shoot strangers trespassing my property.

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