sábado, 26 de julho de 2008

E se houvesse um novo 25 de Abril?

É incrível a quantidade de blogs em que participam alunos da FDUP. Assim sem grande esforço consigo lembrar-me de uns 20, e isto sem contar com os "blogs secretos" que, ao que fiquei a saber, também existem por aí.

Já pensei que fosse um sentimento oco, irracional (estúpido, até) mas há boas razões para termos orgulho na nossa Faculdade. Este projecto não sairia do papel na maior parte das faculdades, temos uma quantidade incrível de actividades feitas por alunos para alunos, tirando algumas excepções não temos maus professores (e a julgar pelas entradas no CEJ e na OA não devem ensinar-nos assim tão mal) basta entrarmos no bar e agitarmos o jornal no ar apontando para "as gordas" para termos discussão pela certa, nunca como aqui encontrei uma percentagem de gente tão interessada em temas tão diversos: se quiser falar de cinema tenho pelo menos uma dúzia de pessoas a quem recorrer, se quiser falar de história não tenho muito menos, política! não quero fazer contas, economia continua a haver uma ou outra pessoa, quanto à música também não estamos mal servidos, é possível falar de filosofia com bastante elevação e sem sermos olhados de lado, etc.

Temos muita massa crítica, mesmo muita, para uma faculdade com 700 pessoas. Especialmente se pensarmos que umas 200 só põem lá os pés para os exames.

Hoje passeava pelos blogs da nossa comunidade académica, quando me deparei com a seguinte frase do Jorge Sampaio no blog do Luís Faria aka "Tó Nebes" sombra secreta:

"E se houvesse um novo 25 de Abril, uma nova revolução para mudar Portugal?... Em 74, queríamos liberdade, democracia... E se fosse agora, que país quereríamos?"

A frase deixou-me a pensar por uns segundos, e como eu acredito nas virtudes do "brainstorming" aqui fica a posta, uma pedrada neste "Think tank". Espero que comentem.

5 comentários:

MJ disse...

De modo nenhum aceito que devamos algum dia pensar que ter orgulho na nossa faculdade é um sentimento oco (não direi irracional, pois é um adjectivo que dificilmente consigo dissociar de "sentimento"; este, por norma, não apela à razão, mas a outra ordem de grandezas). Pode esse sentimento simplesmente não existir, em grande parte das pessoas, mas a existir noutras, não vejo como poderia ser vazio ou frívolo. Tal como terei orgulho na minha mãe, na minha casa, nos meus amigos, no meu percurso, ou o que seja, também o tenho na faculdade, que mais do que o sítio que nos forma naquilo que (supostamente)saberemos mais profundamente, é no presente a minha segunda Casa, senão mesmo a primeira (a medir pelo tempo que lá passo, deve superar largamente a minha casa).

Temos, e concordo mesmo que temos bastante "massa crítica" para a nossa dimensão, uma diversidade de interesses que penso não encontraria tão facilmente noutra faculdade, e muito potencial para as "armas" com que nos dotam, . E com isto quero dizer que grande parte do mérito é NOSSO. Não desfazendo alguns professores que são verdadeiras inspirações. É pena que a minha mão chegue para os contar.

É claro que por vezes damos por nos a queixar-nos, as caras são sempre as mesmas, a adesão nem sempre é entusiástica, queríamos mais, melhor. Mas a contar pelo número de actividades que se dinamizam, a avaliar pela oferta e pela correspondente rácio de resposta, não estamos (nada) mal servidos. Ouve até momentos em que fiquei surpreendidíssima com o feedback (o MUN é o exemplo que me vem logo à cabeça).

Com isto não quero dizer que nos devamos habituar a manter as expectativas baixas, a resignarmo-nos, "thinking low". Nada disso. Mas por vezes, somos demasiado críticos, e o teu post pôs-me a pensar nisso, aplicando-o depois à reflexão sobre "E se fosse agora, que país quereríamos?"

Queremos muita coisa, não vale a pena alongar-me sobre isso. Há muitas coisas a louvar, mas umas tantas mais a criticar. Reflectir sobre o "Estado da Nação" é algo que é feito na televisão, nos jornais, nos cafés, nos blogs -diariamente. Serralves promoveu um ciclo de conferências com nomes "grandes" apenas para discutir se "Portugal: Sim ou Não?" aplicado às mais diversas áreas. Já tudo vai sendo dito, discutido e, espera-se, melhorado ou resolvido.

No 25 de Abril queríamos sim, liberdade, democracia, Estado de Direito, socialismo, um novo paradigma, que era um choque com o anterior em vários aspectos.

Hoje, uns queremos umas vitórias, outros as suas pequenas "revoluções".
Outros sonham ainda com o seu modelo, não de esquerda-caviar, mas de esquerda-sushi: abertura, partilha, multiculturalismo, sofisticação despretensiosa, equilíbrio em corpo e mente, liberdade de fruir (mas com, mais do que regras, dinâmicas intrínsecas - como o wasabi), sem censura ou estereotipização alheia.

Mas penso que não faria sentido, falar numa hipótese de novo 25 de Abril. Hoje, não há valores a desejar, a exigir, como os que despoletaram 74. Há muita coisa a mudar, certamente. Mas nem sempre é preciso uma revolução para o fazer. Quase nunca é desejável uma revolução para o fazer.

Confio na renovação de gerações ;)

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Serei o único a achar que ainda falta cumprir-se Abril?

Anónimo disse...

não, não és. e esse é o problema
de certa forma, prefiro deixar muita daquela loucura por cumprir.

Ferreira Ribeiro disse...

O Manuel Alegre também acha, Ary...

canoas_o_Mercenário disse...

Eu concordo com o ARy... Mas o problema é k a sociedade está a virar para uma zona neo-liberal em k abril n tem sentido... pois traz o fantasma do comunismo...

O problema é k abril n é so comunismo. é socialismo é tb um conjunto de valores e liberdades k as pessoas foram perdendo com o tempo. Eu n gosto de dizer isto mas se calhar é necessario ter mais 1 ou 2 anos de ditadura para as pessoas perceberem o verdadeiro significado e falta k faz abril de 1974

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