quarta-feira, 23 de julho de 2008

Esta casa acredita que o ideal olímpico está morto.

Afinal o que é o espírito Olímpico? Estará ele vivo quando os jogos parecem já não ser mais que uma forma de exibição dos atletas, uma manobra de marketing bilionária, uma desfile de moda ou um gigantesco anúncio?


Muitos dos atletas que são apanhados a tomarem drogas reclamam dizendo que todos o fazem e todos os anos surgem notícias que alimentam essas suspeitas.

Atletas com patrocínios fabulosos e grandes equipas por trás competem lado a lado com aqueles que correm só por amor ao desporto. E o amadorismo é excepção e não regra, correndo mesmo o risco de desaparecer.

Por outro lado continuamos a escalada em busca do "citius, altius, fortius", mais rápido, mais alto, mais forte. Recordes são batidos a um ritmo fabuloso durante esse mês de Agosto de quatro em quatro anos.

Os jogos recebem mais atenção que nunca e continuam a ser a grande celebração da auto-superação humana.

Está o ideal olímpico morto, ou mais vivo do que nunca?

4 comentários:

Hugo disse...

O desporto pelo desporto está numa cama de hospital bem arrumado para o resto da vida...

Na sociedade actual é praticamente inconcebível conciliar trabalho, família e desporto.

E portanto, o desporto substituindo o trabalho passa a ser um negócio, uma profissão como qualquer outra...

Em que a lei do mais forte e às vezes do mais capaz impera...

Essa visão nostálgica e até inocente do desporto, está condenada...

Por outro lado, para os amantes do desporto, podemos desta forma também ver desempenhos que nunca veriamos em atletas amadores...

E a questão é...quem prefere ver um jogo de futebol entre amadores, em vez de um jogo entre profissionais?

O ideal olímpico de honra, boa vontade e desportivismo está morto definitivamente...

Mas o do entretenimento, o da qualidade e o da superação estão bem vivos...

E cá para mim, não chega boa vontade, é preciso mesmo que eles corram os 100 metros em 9 segundos para eu saltar do meu sofá...

Filipa* disse...

Há sempre a consolação que todos os que lá estão começaram pelo espírito do desporto pq quando se começa nunca se sabe até onde se poderá chegar.

manuel no reino dos allgavres disse...

esse amadorismo que falas ary é algo muito cavalheiresco, muito espirito dos fins do século xix.
o desporto, o inicio dos Jogos, eram vistos como uma actividade de prestigio dos senhores...
toda essa época se perdeu.
acho que agora, mais que nunca, a sociedade tem capacidade para suportar o verdadeiro amadorismo, aquele que nasce da vontade colectiva em cultivar o corpo e a mente. só nesta terrível sociedade onde a lei do mais forte impera isso é possível... é no entanto preciso que as pessoas se interessem, e que tenham espaço nas suas vidas para se interessar.
não retira nenhum prestigio aos jogos o facto de ser uma alta competição...
os antigos greogos que participavam nos jogos eram pessoas que se dedicavam ou à práica constante do desporto ou aos desportos bélicos...

enfim, falando em cultivar corpo e mente, vou comer uma barra de chocolate milka e ver televisão até às 3 da manhã. boas*

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Eu coloquei este post porque não sabia o que haveria de pensar sobre o assunto. Agora acho que sei o que pensar.

Os jogos já não são o que eram, até porque o século xxi não é o século xix. É hoje inevitável que jogos sejam esse gigantesco anúncio de que eu falava e que os atletas sejam profissionais pagos a peso de ouro para saltar mais 10 cm ou correr menos 10 centésimas que o colega que nem chegou lá.

Vivemos num mundo competitivo e o desporto é um meio competitivo. Algo de muito estranho se passaria se nesse meio competitivo, nesse mundo competitivo, não houvesse uma competição feroz.

Perdemos, enquanto humanidade, o Homem do humanismo renascentista. O sábio, o Homem dos sete instrumentos. Hoje se queremos tocar bem só podemos saber um instrumento. Mas ganhamos com a especialização atletas que correm 100m em 9.x segundos. E o mesmo vemos noutras áreas, arrismo mesmo a dizer: em todas as áreas.

Espero que o mundo não se arrependa deste trilho que tem vindo a caminhar. E não sei se as equipas multidisciplinares faram melhor trabalho que os humanistas.

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