sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Estamos a crescer

De regresso de umas férias "encurtadas à força", mas ainda assim inesquecíveis - amigos, para quem não conhece a Croácia (Zagreb, os parques naturais, as ilhas e a costa até Dubrovnik) marquem já como destino de férias a não perder! - e contando os dias para a próxima partida, tive tempo para me actualizar um pouco do estado da blogosfera na minha ausência.

Não me surpreendi ao ver que por aqui as coisas continuam mais ou menos na mesma, com algumas discussões interessantes, outras nem por isso, muitas linhas que só dá para passar à frente, mas sempre com o vício do debate e da polémica. Contudo, qual não é o meu espanto quando, no deambular por outro dos blogues habituais (e avisada por pessoa alheia ao SDD, que já o havia lido), me deparo com uma referência ao nosso humilde espaço num dos sítios de mais elevada qualidade, actividade fervilhante e maior "audiência" da blogosfera portuguesa - o Sound + Vision. É pena que não tenha sido pelos melhores motivos nem com o conteúdo que eu desejaria. E também é pena que no dito blog não nos seja possível deixar comentários - os autores terão as suas razões. Mas ainda assim, é uma resposta, uma crítica e publicidade inesperada no marcante espaço de João Lopes e Nuno Galopim.

Já com algum atraso, mas para quem ainda não tiver reparado, especialmente para ti, Tiago, aqui fica o post:

http://sound--vision.blogspot.com/2008/08/faculdade-de-direito-do-porto-algumas.html

6 comentários:

Tiago Ramalho disse...

de facto, nao sabia que havíamos sido citados, e desconhecia o conteúdo. Infelizmente nao se pode deixar comentários no soun--vision.blogspot.com, por isso nao pude melhor esclarecer. Uma opção legítima mas que, porém, que nega o contraditório.

A palavra em muito depende do orador. O significado da mesma pode perfeitamente variar consoante o tom, a postura, ..., de quem a pronuncia. Naturalmente que joão lopes nao me conhece,e nem tem de conhecer, e mais naturalmente ainda que tem de saber que nao procurei escrever um post "violento". Quem acompanha este blogue já reparou, certamente, que um debate tem sido travado sobre os JO, e que esse post "foguetes e bailarinas" surgiu em tal contexto.

Naturalmente que o autor (eu) tem sempre o ónus de bem se exprimir. Se, razoavelmente, o seu texto for interpretado num sentido diferente, o autor deverá arcar com essa responsabilidade. Não a nego, e dela não me eximo.

Independentemente de nao ter citado directamente o escrito de joão lopes, nao me abstive de o enunciar, bem como de referir a fonte. Fica agora a parte do texto que, na altura, me chocou:
Porventura herdando o papel aglutinador da cultura americana no século XX, a China veio mostrar-nos que, na nossa fragilizada aldeia global, o espectáculo pode ser um primeiro traço de união. Seria demasiado fácil ignorar, simplificar ou difamar tanta beleza e tamanha energia. Seria, além do mais, um erro político. Afinal de contas, somos todos chineses.

Creio que o leitor "médio" facilmente perceberá o tom irónico do meu texto; e creio que o texto deve ser lido no contexto em que se surgiu. Quer da SdD quer, também, da cobertura dos nossos media aos JO. Num dia misturando JO e política, noutro dia esquecendo um lado e enfatizando o outro.

Quanto À generalização que fiz dos jornalistas mantenho claramente o ponto de vista. Penso poder-se generalizar quando se fala em geral; e, inversamente, nao se poder generalizar em situacoes concretas. Aliás, alguem que nunca generalize vive sem padroes nem referenciais, tornando-se bem mais dificil a vida em comunidade.

Friso que nao era meu intuito ofender. E, se o fiz, fica a minha retractação.

Hugo disse...

"Se é verdade que todos temos direito ao labor e ao produto da nossa subjectividade, não é menos verdade que tal só pode acontecer a partir da definição de um espaço de alguma objectividade processual a partir do qual possamos pensar, partilhar e confrontar pensamentos."

A parte do "confronto de pensamentos" é "aberrante" num blog sem a possibilidade de comentários...

:D

Tiago Ramalho disse...

Nao concordo contigo, hugo. uma coisa é termos o blogue da SdD, com os nossos parquissimos comentários; outra é ter todos os dias uns tipozinhos a virem incomodar, sem qualquer intuito de discutir a tematica. Isso nao nos acontece, mas acontece certamente a toda a gente que tem um blogue de relevo.

É por isso que acho tal opçao - a de nao permitir comentarios - tambem ela, legitima. Prejuiza-se o contraditorio; mas ganha-se, tambem, muita coisa.

Hugo disse...

Ó Tiago...parece que não andas.te na escola primária...Esses comentários ignoram-se...

Não conseguia viver sem feedback...

MA disse...

"parece que não andas.te na escola primária..."

Ah ah ah!!!

Tiago Ramalho disse...

Muito a proposito, (mais uma vez) um post de rui bebiano: aterceiranoite.blogspot.com

A dilatação do universo dos blogues e do seu grau de centralidade na expressão pública de opiniões tem entrado muitas vezes em conflito com o funcionamento das caixas de comentários. Aquilo que num contexto mais restrito era nestas, até há pouco, a excepção, transformou-se entretanto na norma, passando a ouvir-se cada vez mais vozes de quem dispõe de tempo e estrutura mental para, em vez de debater com franqueza e abertura, investir no questionamento ou na parasitagem das escolhas dos outros, na agressividade e até na dissimulação. A expansão do proselitismo no meio apenas tem agravado a situação. Quando alimentado, este ambiente torna-se incómodo para muitas pessoas, desviando leitores e descredibilizando certos blogues. No meu caso tornando por vezes difícil de gerir aquilo que antevia apenas como um prazer e mais uma via para comunicar informalmente com os outros.

O facto de ter sido quase um dos pioneiros da Internet em Portugal, ligado a espaços de debate online muitos anos antes de existirem blogues, não deixou de guiar a minha tentativa de contornar esta situação através de duas suspensões periódicas, e, mais recentemente, do recurso a algumas regras que durante um certo tempo foram servindo. Mas como elas já não são suficientes, e eu pretendo continuar a frequentar estas paragens sem consumir grandes energias, em A Terceira Noite os comentários são encerrados. Não se trata de uma decisão precipitada ou motivada por alguma conversa recente, mas sim de uma vontade que vem amadurecendo há largos meses. Conservam-se os comentários existentes pelo respeito merecido por quem, dando a cara e o nome, se foi servindo deles. Afinal, quem me segue aqui apenas terá de fazer aquilo que faz habitualmente com um jornal em papel: lê e opina para si e para os seus, ou escreve ao autor, ou cita o que achar pertinente, ou abre um blogue para falar daquilo que lê ou do que lhe passar pela cabeça. O endereço de e-mail d’A Terceira Noite estará sempre aberto. E o meu, mais pessoal, é facílimo de obter. Em frente, pois claro.
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