quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Regulamento, Modelos e definições

Depois de alguns dias de discussão e amadurecimento de algumas ideias está pronta a versão definitiva do regulamento.  Recolhi todos os contributos que achei relevantes em nome de um consenso que espero que seja o mais generalizado possível.

O ficheiro em formato .doc (pdf dá um ar mais profissional, mas dá mais trabalho) mandando-me um mail para aryfcunha@gmail.com ou fazendo download aqui. O mudámos de "anfitrião" para um bem mais agradável e com um ar muito menos manhoso.


Entretanto surgiram algumas dúvidas relativamente a dois conceitos que ainda não tinhamos usado: definição e modelo.

A definição é uma resposta à pergunta: "O que é que a moção quer dizer?".
Em princípio as definições não são uma coisa nem para tomar muito tempo, nem para serem muito difíceis ou diferentes da própria moção. Para que serve uma definição? Para todos estarem a falar do mesmo.

Vamos a um exemplo:

1. Esta casa acha que a descriminação racial é uma arma no controlo da criminalidade.
Definição 1: Nós acreditamos que mandar os pretos para Àfrica ia reduzir a criminalidade.
Definição 2: Nós acreditamos que leis diferentes para raças diferentes ia reduzir a criminalidade.
Definição 3: Nós acreditamos que, estando certo tipo de criminalidade associada a determinadas raças, as forças políciais devem poder descriminar as pessoas nas suas abordagens de rotina.

Não pensando muito no assunto eu diria que todas estas definições são aceitáveis, mas poderiam ser contestadas por um líder da oposição com boa capacidade argumentativa que conseguisse provar a existência de violações OSTENSIVAS. 

Na prática: a menos que tenham um bom discurso na manga ou achem a definição totalmente disparatada deixem o Primeiro-ministro levar com pontuações baixas dos adjudicadores por ter apresentado uma má definição, adquei o vosso discurso à definição e contestem-na no discurso de forma brevíssima só para o caso de a Mesa não se ter apercebido da violação (e receberem umas migalhas).

Ninguém gosta de um uso excessivo destas válvulas de escape regulamentares. Não são uma boa ideia para ganhar a simpatia da audiência ou dos adjudicadores.

2. Esta casa acredita que a imigração devia ser proibida.
Definição1: Nós defendemos que a imigração do Mali para o Botswana devia ser proibida pelo Gana.
Definição2: Nós defendemos que a imigração de mão de obra pouco qualificada devia ser proibida.

De forma simples: a definição 1 está mesmo a pedir para ser contestada, a definição 2 até pode ser chata de atacar mas é a vida. A definição 1 está muito mal feita, a definição 2 colocou-se ali naquele ponto em que não se pode dizer que há uma violação, mas dificulta a vida às outras bancadas. 

Os modelos são formas de implementar as moções. Nem todas precisam de um modelo, porque nem todas são implementáveis.

Vamos a exemplos:

1. Esta casa acredita que a liberdade é uma ilusão.  
Esta moção não precisa de modelo.

2. Esta casa defende a pena de morte.
Modelo 1: Nós defendemos que todos os crimes deviam ser punidos com pena de morte.
Modelo 2: Nós defendemos que todos os homicídios deviam ser punidos com pena de morte.
Modelo 3: Nós defendemos que a prisão perpétua é uma alternativa mais eficaz à pena de morte.
Modelo 4: Nós defendemos que nenhum crime deve ser punido de forma alguma.

Os modelos 1 e 2 podem confundir-se com uma definição. Mas isso não é grave. Não é preciso anunciar "agora vou dar a definição", "agora vem o modelo". O essencial é que todos os participantes percebam o que estão afinal a discutir e qual é a posição de cada bancada. 

Os modelos permitem que a discussão desça um bocadinho à terra onde as bancadas têm de apresentar modelos que "voem" na vida real.

2 comentários:

manuel disse...

isto está bem pensado...

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Os modelos e as definições?

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