domingo, 7 de setembro de 2008

Um adeus em fuga

1. Um último post, umas palavras que não queria deixar de dizer antes de partir por uns tempos.

I
2. Começo em citação. João Miranda, hoje, no DN:
“Barack Obama é o candidato preferido dos portugueses. A popularidade de Obama em Portugal é um reflexo das diferenças políticas entre Portugal e os Estados Unidos. AS preferências dos portugueses são condicionadas pelo facto de estarem, em termos políticos, à esquerda dos americanos e pela forma como a informação sobre os Estados Unidos cá chega. A informação é filtrada pelos jornalistas americanos, que estão à esquerda da sociedade americana, e pelos jornalistas portugueses, que estão à esquerda dos colegas americanos. (…) A barreira informática entre os Estados Unidos e Portugal tende a criar uma série de equívocos. Alguns intelectuais portugueses, sobretudo os que estão mais à esquerda, projectam os seus valores e os seus interesses no eleitorado americano e esperam que este se comporte de acordo com esses valores e interesses”

3. É talvez essa a maior dificuldade com que deparamos. Poderei estar vivamente equivocado, mas estas eleições afiguram-se-me como um imenso circo em que os jornalistas também são espectadores. Obama constantemente endeusado, McCain não menos vezes demonizado. Poucas são as análises reflectindo sobre o impacto que Obama poderá ter nas relações EUA/ Europa, aquilo que porventura mais nos interessará. Afinal de contas, somos europeus e não americanos.

4. Cada vez mais, numa sensação que a cada dia se agrava, menos consigo sentir simpatia por Obama. Parece estarmos a lidar com uma criação cosmética, delapidada ao longo de uma vida para ser colocado no lugar de comandante-em-chefe. Olhamos para o outro lado da trincheira e vemos Palin (dificilmente um partido americano conseguiria encontrar alguém que mais frontalmente chocasse com os nossos velhinhos valores europeus), surgindo como um enigmático joker. Mas acima de tudo, encontramos todo um modo de fazer política que nos é estranho.

5. É por isso que quase me chocam manifestações de júbilo a favor de um ou outro lado. Por muito que Obama possa ser melhor que Bush, por muito que McCain também o possa, parece excessivo tanta paixão antes de, sequer, se conhecer um pouco mais do que o mostrado numa campanha eleitoral.

II
6. Quanto às touradas, Joel Neto, também no DN: “A autorização da ERC para a transmissão de touradas à portuguesa antes das 22.30 é uma derrota a toda a linha para a instituição protectora. Por uma vez, a civilização triunfou sobre o panteísmo mais ligeiro e acéfalo. E essa decisão, sim, é cultura”.

III
7. Uma boa semana a todos. E que debates excelentes por cá se travem.

1 comentário:

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Obama é, do meu ponto de vista, um candidato fantástico. Sei que gosto dele, muito, enquanto candidato. Sei que se nos EUA, e sentisse o que sinto aqui, estaria provavelmente a considerar não pôr os pés nas aulas até 4 de Novembro.

Esta é uma grande campanha, com um grande candidato para uma eleição decisiva em que a cada dia se renova e reforça a certeza de que só há um caminho para trazer algo de diferente à política dos EUA, mas sobretudo à política em todo o lado.

Obama é revolucionariamente inovador. E creio sinceramente na sua capacidade para se tornar um marco na forma como se faz política por esse mundo fora.

Antes de Obama eu queixava-me de vez em quando na falta de personagens no nosso tempo. Que é feito daquelas personagens com brilho? Daquelas de quem se fazem livros e filmes, se colam posters aos quais não renunciamos passados dois anos?

Tony Blair podia ter sido alguém assim, Bill Clinton também. Um perdeu-se com o Iraque, o outro com uma secretária...

O mundo precisa de heróis. Eu preciso infantilmente de heróis. E é sem medo do ridículo que digo que o Obama é o meu herói.

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