domingo, 11 de janeiro de 2009

Babe in total control of herself

Estava eu a passar pelo Bósforo quando li um texto do Noronha que me revoltou bastante. Eu sei que a intenção dele não era incitar a uma revolução armada e eu também não me vou pôr-me a tomar o Terreiro do Paço no meio da época de exames e ainda com Obrigações por fazer. Mas aquilo exaltou-me, criou-me um frio no estômago que fica encravado na garganta e não sai por mais que eu tente pensar em coisas boas como na "Música no Coração".Por um qualquer estranho fenómeno eu passei anos da minha vida a ter relações de amizade mais profundas e mais verdadeiras com mais raparigas do que com rapazes. Isso permitiu-me ter, desde muito cedo, um percioso insight sobre o mundo feminino, algo que me dava um imenso prazer. Com a mudança para a faculdade isso veio a esbater-se, mas essa experiência prolongada criou em mim em amplo espaço para a compreensão do sexo oposto e para a formação e desenvolvimento da crença de que não somos assim tão diferentes e sobretudo de que as raparigas, ou as mulheres não são tão incompreensíveis quanto elas mesmas muitas vezes nos querem vender.
Não estou com isto a dizer que eu compreenda as mulheres, mas simplesmente que não as acho mais incompreensíveis que os Homens. Todo o Homem, e por consequência toda a mulher, é um mundo a sós. Todos nós temos planícies e desfiladeiros, Romas e Marraquexes, montanhas e vales, desertos e oceanos. Todas as pessoas são razoavelmente complicadas se as quiseremos encarar em toda a sua plenitude. E apesar disso nunca conheci ninguém que pudesse dizer que não compreendia. Há planetas mais e menos homogéneos, mais ou menos imprevisíveis, mas isso são só vulcões maiores, desertos maiores, ondas maiores, mais ou menos aquecimento global.
Partindo deste princípio, de que todos somos mais ou menos iguais e que ninguém é aqui um ET com três olhos e quatro umbigos, custa-me muito ver a forma como Homens subalternizam géneros inteiros debaixo de rótulos que sabem ser falsos. 
Eu não tenho problema nenhum com rótulos, acho que todos temos necessidade de rotular num mundo tão vasto e complicado, mas rotular como sendo sal o que sabemos ser açúcar não tem vantagens a não ser que queiramos um dia enganar-nos e deitar açúcar nas sardinhas.
Vi muitas vezes raparigas queixarem-se do facto de ficarem com a fama de oferecidas por curtirem com rapaz, enquanto ele fica com a fama de machão. Porque não ao contrário?!. Mas eu não fui comida, fui em que comi!.
Mas agora: quando um grupo de rapazes se põe a dizer mal das raparigas são machistas, discriminadores, retrógados, são encarados como estúpidos sem sensibilidade, cai sobre eles o Carmo e a Trindade, são uns brutos, uns alarves acéfalos. Mas já quando um grupo de raparigas se põe a dizer mal dos rapazes, já não tem nada a ver, são só umas piadas, nós é que não temos sentido de humor, porque até é mesmo assim e as pessoas são diferentes. Com duas tretas passam a ter atitude, ser inteligentes, divertidas, espirituosas, descomplexadas, modernas...
Oh mad world em que uma rapariga ainda quer um gentleman, mas quando é uma bitch são uma babe in total control of herself.

17 comentários:

Francisco disse...

"Com duas tretas passam a ter atitude, ser inteligentes, divertidas, espirituosas, descomplexadas, modernas..." e, dizem elas... "feministas". O conceito até cora depois de assim ser utilizado.
Esta dialéctica dos sexos contemporânea só reafirma no meu interior a ideia de que homens e mulheres são, de jure e de facto, tão, mas tão iguais.

Mas bem, Ary, viva a solidariedade masculina. :)

Ary disse...

"O conceito até cora depois de assim ser utilizado" ... Tens toda a razão. Quantas feministas andaram às voltas no túmulo.

"Esta dialéctica dos sexos contemporânea só reafirma no meu interior a ideia de que homens e mulheres são, de jure e de facto, tão, mas tão iguais." Exactamente o que eu penso ...

Anónimo disse...

Francisco:

Na realidade o Gabriel ,O Pensador, diz mais que isso. Diz: "simpatia é quase amor". E a música dele refere-se não só a mulheres/homens, mas também a crentes/ateus, pretos/brancos, brasileiros/portugueses, ricos/pobres, porque com o tempo ele percebeu e cada vez percebe mais como as "vidas são iguais, muito mais do que se pensa", mas isso tu sabes.
Numa outra música diz também que "se é isso é ser normal eu quero ser anormal" ou "se isso é diferente eu prefiro ser igual".
Parabéns, por saberes ser diferente quando é necessário, mas também saberes o que é ser "normal", sem mostrares qualquer tipo de vergonha dessa "normalidade".
Subscrevo tudo o que dizes em relação a este assunto, devíamos unir-nos, em vez de estarmos constantemente a apontar diferenças e defeitos que, não só são naturais, são desejáveis, entre Homens e Homens.

Francisco disse...

Agora quem corou fui eu.
:)

O "entre Homens e Homens" foi propositado, não foi? É que é uma expressão tão bonita (e inteligente)!

Daniela Ramalho disse...

bem, eu não consigo ler o texto por completo porque ele me aparece cortado. mas se quiseste dizer o que eu consegui perceber, então vou ter que dar uma gargalhada ainda mais forte. definitivamente, há algo nas mulheres que gostam de "ficar por cima" que vos assusta. não tem nada de mal, relaxem, ninguém anda a planear um ataque contra vocês. são coisas que sempre existiram, mas de que já não se tem medo de falar. ou seja, continua tudo igual, só que agora falam à vossa frente. relaxem, pertencemos todos ao mesmo mundo. um belo mundo aliás :p

Anónimo disse...

daniela,
é verdade. Mas tens de entender, chegamos finalmente à altura em que os homens dizem revoltados "eu não sou o teu prostituto". Ou seja, eles sentem-se mal por serem vistos apenas como meros objectos sexuais, quando se gabam de coleccionar one night stands com miúdas que até gostavam deles.

Francisco disse...

Daniela, nada tem que ver com "ficar por cima". Aliás, por cima, por baixo, por lado ou o menos ortodoxo possível é sempre bem vindo para ambos o sexos... :)

Estás a perspectivar a questão de forma conflituante.
"há algo nas mulheres que gostam de "ficar por cima" que vos assusta. não tem nada de mal, relaxem, ninguém anda a planear um ataque contra vocês". Isto é precisamente o tipo de discurso presunçoso (além de infantil, se me permites) que observei no sexo feminino.
É que nem nós pensamos que se trata de um "ataque", nem vocês, se forem sinceras com vocês próprias. A ideia é justamente a contrária: não conceptualizar "ataques".
Ou aliás: só será um efectivo "ataque" quando de facto o discurso for desrespeitoso, preconceituoso, redutor. E foi contra isso que eu dirigi a minha opinião.

Daniela Ramalho disse...

desculpa, mas da forma como estão a reagir parece mesmo que se sentem atacados ou algo do género. simplesmente parecem estar a reagir histericamente a algo que é normal e onde não percebi onde está o drama. mulheres e homens são exactamente iguais e se calhar se não fossem tão iguais, entenderiam-se melhor. ora isto implica que de facto se façam coisas más de ambos os lados, não entendo o que isso implica que uma mulher mais leviana, não possa sonhar com o seu prince charming, o que me parece um bocado implícito no texto do ary e aí sim acho deveras infantil.
mas no fundo, acho que todos queremos o mesmo, eu ultimamente e devido a este frio só tenho querido um prince charming que se enroscasse nas minhas costas e me deixasse dormir sem frio. :p certamente que muitos homens tenham sonhado com uma princess charming que se enroscasse no seu peito.
não é preciso pessoalizarem tanto assim o que as mulheres dizem de vocês, se calhar as que falavam na conversa que presenciaste, até estavam no seu interior totalmente o oposto, mas por vezes como forma de protecção e de não dar o braço a torcer, as pessoas fazem e dizem o oposto daquilo que querem e pensam. mas mais uma vez isto aplica-se a ambos os sexos...

henrique maio disse...

a daniela disse: "simplesmente parecem estar a reagir histericamente a algo que é normal e onde não percebi onde está o drama"

e lembrei-me que:

"a histeria era tida como própria do género feminino..." x)

apeteceu-me recordar.... =P

manuel disse...

a conversa atingiu um ponto irretornável de subjectividade. do que posso ler, vejo várias teorias para as mesmas situações, teorias iguais para situações diferentes, e teorias diferentes para situações diferentes.
este problema lembra-me aquela tradição afegã entre as mulheres das tribos daquele montanhoso país, que consistia em vários poemas e músicas, transmitidos de mãe para filha, de amiga para amiga, canções de escárnio e mal-dizer dos homens, dos maridos a quem as mulheres daquelas sociedades são entregues. e tamb´m musicas repletas de erotismo, de uma sensibilidade corporal muito rara em culturas tão supostamente fechadas como a islâmica.

de facto, as mulheres terão um fundo em comum de desagrado pelos homens, mas a culpa é nossa (masculinidade)

e se tu ary, e tu noronha, não vêm grande diferença entre homens e mulheres...
poderá ter a haver com a experiencia pessoal de cada um, mas eu discordo totalmente dessa visão. no sentido de que as mulheres superam a nossa espécie em quase todas as actividades.

Madalena Santos disse...

E agora que a subjectividade reina, um pouquinho de... informática:

Daniela, basta seleccionar o texto todo do Ary (com o cursor), copiar, ir, por exemplo, ao Bloco de Notas e colar. Aí, podes ler na íntegra.

Ary disse...

Daniela,

o que dirias se fosse um homem a dizer isto?
"se quiseste dizer o que eu consegui perceber, então vou ter que dar uma gargalhada ainda mais forte. definitivamente, há algo nas mulheres que gostam de "ficar por cima" que vos assusta"

Acho que até eu ficaria incomodado por um frase destas.

Eu não penso num ataque, ou que de um momento para o outro todas as mulheres vão emigrar para a autrália e construir lá uma sociedade avançadíssima livre de homens. Mas é esta glorificação das mulheres que gostam de ficar por cima que me irrita quando há uma demonização dos homens que gostam de ficar por cima.

Afinal qual é a diferença?
Porque a verdade é que ela socialmente existe e tanto existe, Daniela, que nem estás a conseguir ver o quão perversa ela é.

Claro que não tenho problemas com a mulher leviana que sonha com o seu prince charming, acho que ele só vai gostar de saber que te a princess que ele leva no cavalo [o que o leva a ele no cavalo, porque não?!] é uma leviana. O problema está muito longe de ser esse, e é o da visão como socialmente positiva, mais do que como socialmente aceitável, uma atitude até de uma certa crueldade para com os homens.

Acho muito bem que as mulheres procurem o seu prince charming de forma activa em vez de estarem simplesmente à espera dele na torre mais alta do castelo. O que se calhar têm de aprender é a ser um pouco mais ... cavalheiras.

A verdade é que não estavam habituadas a desempenhar este tipo de papéis e se calhar daí toda esta confusão.

Concluindo: é a mesma descrimininação de que as mulheres sempre se queixaram de que nós nos começamos a queixar hoje. Se os mesmos comportamentos que praticados por nós são censuráveis por vocês até são engraçados, algo está mal no reino da Dinamarca. Não que eu veja isso como "um ataque", mas sim como o resultado de um desajuste temporário reflexo destes tempos conturbados.

Ary disse...

Manuel,

pára de ler a Bravo e passa para a Cosmopolitan. Esse tipo de pensamento "girl power" de rapariga de 12 anos que detesta rapazes ... (obviamente que estou a brincar, na Bravo não há reportagens sobre mulheres afegãs, só sobre os Tokio Hotel).

Se calhar tem, como disseste, a ver com experiências pessoais, mas não me sinto mesmo parte do sexo mais fraco. Fisicamente elas ficam claramente a ganhar na estética, mas perdem na performance. Intelectualmente ganham em "hyper-threading", nós em potência do CPU.
Elas engravidam e dão à luz, mas roubam-nos os filhos nos divórcios ...
Nós temos impotência ela têm a menopausa ...

A coisa está um bocado ela por ela ...

Daniela Ramalho disse...

ary, mas eu acho condenável de ambos os lados. e acho que perfeito perfeito é quando uma mulher que gosta de ficar por cima encontra um homem que gosta de ficar por cima e ambos se conseguem equilibrar :P ficar por cima em todos os sentidos. a questão é que certamente que vocês quando fazem certas malvadezas, sorriem com um certo orgulho e nós fazemos igual, mas isso são coisas que acontecem com ambos os sexos, por isso acho um pouco palerma que fiquem tão preocupados.

Ary disse...

Por minha conta não é preocupação é simples constatação de uma discrimanação algo paradoxal.

Hugo disse...

"uma mulher que gosta de ficar por cima encontra um homem que gosta de ficar por cima e ambos se conseguem equilibrar"

Não consigo imaginar tal posição...

Ary disse...

"uma mulher que gosta de ficar por cima encontra um homem que gosta de ficar por cima e ambos se conseguem equilibrar"

Esses só no espaço é que se vão entender ...

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