segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Enivrez-Vous!

Há um tempo o Henrique aconselhou-me a leitura deste poema de Charles Baudelaire. Espantou-me o facto de ele o saber quase de cor, mas hoje compreendo bem porquê. Não pude deixar de o ler uma e outra vez. E a cada vez descobria nele novo encanto, novos ritmos, novas ambiuidades que faziam em mim despertar novas sensações. Um excelente poema, bom para acompanhar a vossa época de exames.

"Il faut être toujours ivre.
Tout est là:
c'est l'unique question.
Pour ne pas sentir
l'horrible fardeau du Temps
qui brise vos épaules
et vous penche vers la terre,
il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi?
De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise.
Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois,
sur les marches d'un palais,
sur l'herbe verte d'un fossé,
dans la solitude morne de votre chambre,
vous vous réveillez,
l'ivresse déjà diminuée ou disparue,
demandez au vent,
à la vague,
à l'étoile,
à l'oiseau,
à l'horloge,
à tout ce qui fuit,
à tout ce qui gémit,
à tout ce qui roule,
à tout ce qui chante,
à tout ce qui parle,
demandez quelle heure il est;
et le vent, 
la vague, 
l'étoile, 
l'oiseau, 
l'horloge,
vous répondront:
"Il est l'heure de s'enivrer!
Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps,
enivrez-vous;
enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

5 comentários:

henrique maio disse...

A versão original é de facto muito melhor que a traduzida... 5*

Um poema q me marca muito (não consigo pôr em palavras a sensação, mas marca... e q marca essa!)

"enivrez-vous;
enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

5*

Marta Lima disse...

Sinto-me agora na obrigação de o retirar do meu perfil pessoal.
Mas é uma optima filosofia de vida. Até porque pouco mais na vida existe que vinho, poesia e virtude, e as melhores coisas são sem dúvida as que nos inebriam.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

"Inebriam" andei à procura dessa palavra algum tempo ...
Há mais no mundo que vinho, poesia e virtude. Continua sem me sair da cabeça aquele momento em que o Henrique, outra vez ele, se sai com aquela tetralogia: o bom, o belo, o amor e a verdade.

Pedro Ary Ferreira da Cunha disse...

Esta casa acredita que bondade é virtude, beleza é poesia, vinho é verdade e amor é mais que tudo isso.

Marta Lima disse...

Vinho, poesia e virtude num sentido amplo, metafórico. Por exemplo, e correndo o risco de soar melodramatica, o amor pode ser vinho (deleite, vício, deturpador da visão e do controlo), poesia (importância e musicalidade sedutora das palavras) ou virtude (capacidade de amar). O mesmo a acontece com a verdade, com a beleza e tudo o que se quiser encaixar no alcance destes três termos.

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