quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Todos diferentes todos iguais

13 comentários:

Guilherme Silva disse...

Porque já é uma questão que sigo há muito:

The BBC reports that an atheist group has purchased signs on hundreds of buses in Great Britain saying "There's probably no God. Now stop worrying and enjoy your life."

A Christian organization has complained to Britain's Advertising Standards Authority, the government agency that regulates marketing campaigns.

But it's hardly clear from the BBC story what, if anything, the authority could do. Its code says advertisers "must hold documentary evidence to prove all claims." How one would prove -- or disprove -- the assertion that there is "probably" no God is the sort of question whose answer has eluded philosophers and theologians for centuries.

A spokesman for the group that took out the ads, the British Humanist Association, said the group met the Christians' complaint with "peals of laughter."

em, http://religionblog.dallasnews.com/archives/2009/01/atheist-bus-signs-rile-british.html

Guilherme Silva disse...

e mais:

Man refuses to drive 'No God' bus

http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/england/hampshire/7832647.stm

Guilherme Silva disse...

E já agora porque não:

The British Humanist Association (BHA) today welcomes the decision by the Advertising Standards Authority (ASA) not to launch an investigation into the atheist bus adverts.

http://www.humanism.org.uk/news/view/206

Guilherme Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ary disse...

Também tenho seguido. Mais estranho é o movimento ter-se hoje regozijado com o facto de uma campanha de um grupo cristão ter sido proibida. É a tolerância ...

Não menos estranho é o facto de diversas instituições religiosas terem financiado directamente os anúncios desta organização.

Francisco disse...

http://arrastao.org/sem-categoria/lamentavel/

É a tolerância, Ary.

Manuel disse...

estive para falar disto no Noronha's blog, mas como aquilo também tinha desembocado numa discussão sobre a existência do Big Man Upstairs, e eu tinha acabado de fazer o download do "Road to Serfdom" do Hayek traduzido para Português (e só o disponibilizo a pessoas com óptima capacidade de exaltação dos meus fantásticos atributos físicos e espirituais) lá deixei ficar.
Como se pode reparar pelo link deixado no arrastão (esse sítio... argh) à de facto um problema muito grande envolvendo religião na inglaterra. desde uma cada vez maior permissividade para com a sharia, e até algumas opiniões medievais de líderes religiosos, como o bispo de Cantuária (Canterbury neste novo português que não adapta palavras estrangeiras).
portanto se o Francisco escreve "é a tolerância Ary" ele tem bem razão nisso. ainda persiste um espírito religioso em certas elites muito pouco democrática, que eu acredito não se propagar pelos crentes comuns.
apesar do livro negro do ateísmo, a meu ver, estar bem mais preenchido de horribilidades que o livro negro do cristianismo ou do islamismo, é sempre um factor que importa seguir em alguns países do mundo ociedental.

Ary disse...

A tolerância!?

Francisco, agora não percebi. Andamos a trocar reacções erradas de grupos com os quais não nos identificamos? A minha intenção não era bem essa.

Ao fazer este pequeno trabalho de photoshop lembrei-me bastante daquela "experiência" feita recentemente. Para mim a frase faz mais sentido "virada ao contrário". Da mesma forma que chamava há dias a atenção para o facto de as mulheres serem vistas como modernas, descomplexadas e espirituosas quando dizem mal dos homens, também me lembrei do seguinte: a partir do site desta organização pude ver algumas reacções que a notícia tem tido um pouco por todo o mundo, e a verdade é que tem tido uma enorme projecção, especialmente no mundo anglo-saxónico. E tem recebido bastante boa impressa: os rostos da campanha são sempre representados como indivíduos cultos, respeitáveis, bem dispostos e a campanha é sempre mostrada como algo que sai do suor de voluntários, homens e mulheres que lutam por uma causa. De vez em quando vemos raparigas de boas formas vestidas com T-Shirts da campanhã a sorrirem para as câmeras.

Eu nem quero pensar como seriam os títulos de impressa se uma organização católica tentasse o mesmo: "Igreja Católica [de cofres bem cheios] tenta limpar a cara dos recentes escândalos de xenofobia, pedofilia, homofobia (...) e recorre desesperada à publicidade para angariar fiéis".

Este missionarismo ateu é uma coisa que acho bastante estranha, embora no fundo tenha fundamentos bastante semelhantes aos de todo o proselitismo.

Guilherme Silva disse...

não Ari, não menos estranho é isto:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/magazine/7855763.stm

Francisco disse...

Fora de contexto mas porque me é impossível não recordá-lo:

"os rostos da campanha são sempre representados como indivíduos cultos, respeitáveis, bem dispostos e a campanha é sempre mostrada como algo que sai do suor de voluntários, homens e mulheres que lutam por uma causa. De vez em quando vemos raparigas de boas formas vestidas com T-Shirts da campanhã a sorrirem para as câmeras".

Pois é. Na campanha do Obama, que foi isto e ainda muito mais, tu apontaste o espírito de intervenção, a cidadania participada, a closer democracy, o movimento de homens e cidadãos em torno de um objectivo, a dinâmica etc.
Em termos meramente organizatórios e publicidade, as duas coisas são exactamente iguais.
Engraçado como depois a adjectivação muda.

P.S. - como já disse, eu estou com o Obama.

Francisco disse...

Quanto à tolerância, não percebi bem o que quiseste dizer. E também não sei percebeste o que eu quis dizer antes. Era em sentido irónico, pois.

Ary disse...

Boa impressa e boa organização têm mais ou menos os mesmo traços em todo o lado. E o apoio de certos media ao Obama era evidente.
Eu não digo que os tipos da campanha não mereçam boa impressa, mas perturba-me a falta de possibilidade de contraditório aqui em termos equivalentes. Claro que qualquer Igreja pode meter-se a fazer o mesmo (e daí talvez tenha mais que fazer ao dinheiro em obras de caridade ou mantendo o vastíssimo património de que os maiores Igrejas dispõem) mas seria sempre uma iniciativa que receberia má impressa.

Ser ateu, ou agnóstico [ou budista!] parece ser gozar de um permanente estado de graça. Ninguém lhes pede uma forte conduta moral, não se lhes exige que sejam coerentes com o que outros dizem, não são responsabilizados por erros alheios com séculos de existência, não se lhes pede para justificarem as suas crenças, ninguém compara as suas crenças com crenças ingenuidades infantis envolvendo fadas e ainda por cima saem da discussão como livres pensadores, capazes de emergir de uma sociedade naturalmente primitiva com crenças vagamente mitológicas e evoluir para um ser que acredita em primeiro lugar nele mesmo; em que ele mesmo se torna no seu exemplo, ideal e estrela. Eis o Super Homem, novo Deus!

Como poderá alguma vez um crente ter tão bom markting como o indivíduo que acaba de afirmar-se como Super Homem? Que acaba de lhe roubar a bandeira do humanismo, sua durante séculos? Que acaba de enxovalhar as suas crenças, cobrir-se de glória e calçar uns sapatos que lhe são claramente grandes de mais?

Francisco disse...

Que grande grande confusão que para aí vai, Ary...
Isto por escrito toma-nos muito trabalho. Deixemo-lo para uma próxima conversa pessoal.

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