sábado, 20 de junho de 2009

Piranhas

Deve ser de todo aquele arsénio, mas depois de tantos meses foi particularmente doloroso ir ao Café Odisseia. Fui por solicitação do Canotilho e fiquei imediatamente com aquela impressão esquesita no estômago com que ficamos quando vemos alguém a embaraçar-se em público sem perceber.

Essa "vergonha a favor de terceiro" transforma-se pois num preparado de indignação, repulsa e incompreensão quando me acusam de ser uma "piranha". Quando jogam na lama "liberdade de expressão", "democracia" e se fazem de ofendidos. Quando dizem que nos vão comer (?).

Senti-me enojado, imediatamente com dores de cabeça, naúseas - deve ser do arsénio, ou da viscosidade virulenta, a pestilência putrefacta, a ignomínia, a agnosia, a afronta do insulto que o que ali está escrito é a tudo quanto presta neste mundo.

Como podem vocês, Manuel e Jacob, ter o desplante de dizer coisas como estas fingir que nada se passa, que tudo está bem? Como podem fazer ataques pessoais e dizer que sou baixo e mesquinho para depois bater em retirada? Ao menos tenha a decência de se mostrarem como são e o que pensam e vez de se meterem nessa gruta, nesse silo, nesse buraco, nesse túmulo caiado onde calada reina a podridão com toda a propriedade privada deste mundo! bem acondicionadinhos num lugar tão privado e púrpura que nem que implorassem alguém ia querer ver esse caixão por dentro. Aí sim poderão ditar a vossa lei, ser senhores e reis da verdade. Os maiores da vosssa rua!

Não há justificação para o que disseram, não há palavras para descrever o asco de toda essa hipócrisia desfarçada superioridade intelectual e boas maneiras. Não me arrependo do que disse, mas isso também não deve importar que vocês já nem nos ouvem que a paciência é curta e a educação também.

Lamento muito não ter a elevação do Henrique nestas questões, mas quando isto passa para o plano pessoal acabou-se o fair play, acabou-se a cordialidade parlamentar e com estas o respeito mútuo.

Passei pois todos muito bem, que eu tenho muito que proliferar.

13 comentários:

canoas_o_Mercenário disse...

Ary.
Podemos ter as nossas divergencias, mas este teu discurso ribombou na minha mente como os do obama.
Pos me um sorriso de orelha a orelha, e conseguiste expressar por palavras, aquilo que eu so consigo por desprezo :) Parabens

Maximilien Robespierre disse...

Oh mes amis, Les discussions!

Há nesta vida disputas que são verdadeiramente empobrecedoras. Dizia o insigne Platão, na sua República, que se deveria proibir o seu exercício aos espíritos ineptos e mal formados. Então porque nos havemos de pôr a caminho, para debater com quem não tem passo nem andamento que sirvam? Que sucede no fim?

Primeiramente encontramos do outro lado a face da má fé. Não estão ali para uma discussão honesta, para um debate visando a verdade. A única intenção da justa é logo à partida derrubar o adversário. O que está em jogo é a vaidade, o amor próprio.

Ao fim de algum tempo, já um está em cima, o outro em baixo e o último ao lado. Entusiasmam-se, perdem-se em narrativas intermináveis sobre coisa nenhuma, só querem cansar o oponente, fazê-lo vergar-se ao ensurdecedor ruído da sua verborreia. Falam sem escutar, espezinham qualquer raciocínio que não seja conduzido por eles mesmos, desprezam as oposições, ignoram as obstruções e, de certo modo, conquistam a vitória à força de palavras. A coerência é mandada às urtigas, a congruência tida como baixa aceitável.

Os fracos de fígados saem alarvemente ao primeiro uppercut, jurando vingança e distribuindo frívolos impropérios. Os mais persistentes abusam de notória arrogância e imoral falácia, erguendo sebes dialécticas para ocultar a ausência de conteúdo e honestidade. Ignorância despeitada, desprezo vaidoso ou hipócrita modéstia, a tudo se prestam.

E quem aguenta tal desventura, obtém por isso justa recompensa? Sai de lá com sabor a amarga experiência e no final ainda leva com o agravo, a ofensa, o oprobio vituperioso… pudesse ele sempre manifestar-se sob forma piscícola!

No fundo, há certas pessoas de certo estofo ou carácter com as quais nunca nos devemos meter. Aprendei, mês amis, a lição de Jean de la Bruyére: tratai de fugir a oriente quando o tolo está no ocidente, a fim de evitar dividir com ele o seu agravo.

A sério, valeu mesmo a pena?

Ary disse...

Eu quero acreditar que vale a pena. Se não valer a pena erguer a voz seja contra quem for teremos de deixá-los ser ouvidos sem contraditório e mais tomarão a sua parte.E é muito bonito ter razão sozinho mas eu prefiro fazê-lo acompanhado. Confronto o tolo para não ter de fugir sempre que vejo um amigo.

Tiago Ramalho disse...

Acho tudo isto um exagero tremendo. Começou por ser um jogo de palavras, as palavras azedaram e depois veio a chatice. Tudo se resolvia tão mais facilmente se falassemos por aqui - nos blogues - como nos corredores da faculdade. As "culpas" são de lado a lado e a questão não é nova. Algum comedimento de parte a parte e não teria havido problemas. Já sabe que muitas gotas de água sempre fazem transbordar o copo...O problema não está na última, está, acima de tudo, nas anteriores.

Não sabe bem ser chamado de piranha mas também não é agradável ser chamado de pretensioso, provocador e inferiorizador dos outros. (http://sociedadededebates.blogspot.com/2009/06/re.html?showComment=1244796887241#c5156061597285051705). São exageros de lado a lado que se foram sucedendo e levaram a esta chatice.

Não me revi no teu texto, Ari, não consigo ter um sorriso de orelha a orelha como tu, Canotilho, e nem o teria caso concordasse. Há coisas que, mesmo sendo justas, são muito feias.

Igualmente certo é que estamos na época de exames, provavelmente nervosos, mais sensíveis do que no comum dos dias. E se já não dá para voltar atrás, ao menos que se construam coisas novas. Que haja concórdia acima destas divergências que, a maior parte das vezes, me parecem uma treta. Acho que quase todos nós, conversando, debatendo, durante largo período de tempo, chegamos às mesmas conclusões na globalidade dos assuntos. Talvez exageremos nas palavras para enfatizar convicções que não temos.

Tantas vezes a falar de dignidade da pessoa humana, a defendermos sistemas humanistas em tudo e mais alguma coisa, a proclamarmos a nossa aversão à intolerância, e depois incapazes de encaixar algumas palavras (que são duras de ler ou ouvir, sim, mas são palavras).

Há mais, e tem de haver mais, do que o olho por olho, dente por dente. Aqui pode passar por não fazer das palavras punhais, quando servem para muito mais.

Ary disse...

Como disse mantenho essas afirmações, tanto mais que provaram uma vez mais ser verdadeiras. A questão não é a piranha, já tinha deduzido pelo comentários neste blog que nos tinham feito isso, mas a atitude de desrespeito vazada noutras afirmações muito pouco dialogantes. Aqui nunca se fecharam as portas a ninguém e é a falta de reciprocidade misturada com uma soberba oca que choca aqui.

henrique maio disse...

há algum tempo deixei este mesmo texto aqui na SD:

do "exupas":

"Para compreendermos o homem e as suas necessidades, para o conhecermos naquilo que ele tem de essencial, não precisamos de pôr em confronto as evidências das nossas verdades. Sim, têm razão. Têm todos razão. A lógica demonstra tudo. Tem razão aquele que rejeita que todas as desgraças do mundo recaiam sobre os corcundas. Se declararmos guerra aos corcundas, aprenderemos rapidamente a exaltar-nos. Vingaremos os crimes dos corcundas. E, sem dúvida, também os corcundas cometem crimes.
A fim de tentarmos separar este essencial, é necessário esquecermos por um instante as divisões que, uma vez admitidas, implicam todo um Corão de verdades inabaláveis e o inerente fanatismo. Podemos classificar os homens em homens de direita e em homens de esquerda, em corcundas e não corcundas, em fascistas e em democratas, e estas distinções são incontestáveis.
Mas sabem que a verdade é aquilo que simplifica o mundo, e não aquilo que cria o caos. A verdade é a linguagem que desencadeia o universal.

De que serve discutir as ideologias? Se todas se demonstram, também todas se opõem, e semelhantes discussões fazem duvidar da salvação do homem. Ainda que o homem, por todo o lado, à nossa volta, revele as mesmas necessidades. "

ainda, de outro modo:

"Não hás-de julgar segundo a soma. Vens-me dizer que não há nada a esperar daqueles acolá. São grosseria, gosto do lucro, egoísmo, ausência de coragem, fealdade. Mas se me podes falar assim das pedras, as quais são rudeza, peso morno e espessura, já o não podes daquilo que tiras das pedras: estátua ou templo. Quase nunca vi o ser comportar-se como o teriam feito prever as suas partes. Se pegares em vizinhos à parte, virás a concluir que cada um deles odeia a guerra e não está disposto a abandonar o lar, porque ama os filhos e a esposa e as refeições de aniversário; nem a derramar o sangue, porque é bom, dá de comer ao cão e faz carícias ao burro, nem a roubar outrem, pois tu bem vês que ele apenas preza a sua própria casa e puxa o lustro às suas madeiras e manda pintar as paredes e perfuma o jardim de flores.

E dir-me-ás: «Eles representam no mundo o amor à paz...» No entanto, o império deles não passa de uma grande terrina onde se vai cozendo a guerra. E a bondade deles e a doçura deles pelo animal ferido e a emoção deles à vista de flores não passam de ingrediente de uma magia que prepara o tilintar das armas, da mesma maneira que aquela mistura de neve, de madeira envernizada e de cera quente prepara as grandes palpitações do coração, embora a captura não seja, como nunca é, da essência do laço."

Compreendo a tua atitude Ary, compreendo a reacção a quente, compreendo a tua exaltação. Mas, até que ponto a mera opinião daquele que se auto-intitula de "conhecedor da Verdade", até que ponto a sua arrogância (estulta arrogância) implica a sua consideração? Se formos agir sempre a quente, se nos sentirmos ofendidos por aqueles que pensam ser sábios (que agem como tal ou desejam incessantemente tornar-se tal) então nós próprios cairemos no ridículo de debater que ele não é sábio ou que ele é alguém arrogante...

Apesar de tudo, a aceitar-se o "bailado argumentativo" (que tem na sua essência ser algo de bom e de belo, algo que nos complete, de positivo) então nunca poderemos cair numa deformação do mesmo. Participar numa argumentação deformada só nos afasta daquele ideal, só nos afasta da sua beleza e das coisas boas que dele provem...

um abraço =)

Ary disse...

Compreendo o que dizes, mas não podemos cair no niilismo e na indiferença. Se assumes que tanto faz, que não vale a pena, como podes vencer?

Lembro-me que Bob Marley, pouco tempo antes de actuar no Smile Jamaica, num concerto promovido pelo Primeiro-Ministro jamaicano de então para promover o alívio da tensão entre dois grupos rivais, recebeu a visita de uns sujeitos armados que o feriram a ele, à mulher e ao agente. Apesar das feridas actuou e quando lhe perguntaram porque o tinha feito ele respondeu: "Se as pessoas que querem tornar este mundo um lugar pior não tiraram um dia de férias, como posso eu?"

Mesmo que não adiante eu saía daqui frustrado, amargo, desiludido, tenho de manter o optimismo e continuar porque não conseguiria viver bem comigo mesmo de outra forma.

Ary disse...

Claro que depois tens a discussão do que é mais importante se a viagem e se faz sentido viver a nossa vida em função de uma vitória final que é utópica. Mas felizmente ainda vou fazendo mais da vida ...

Daniela Ramalho disse...

sinceramente, o "piranhas" foi uma forma inconsciente de mostrarem que lhes cansa não ter argumentos quando todos os seus são mentirosos e inventados a partir de coisas que não têm nada que ver com o que apresentam. além disso,a piranha é um bicho bestial. claro que é chocante e é ingrato quando muitas vezes perdemos do nosso tempo para ajudar algumas pessoas que depois se mostram bestas, mas afinal, são só pessoas, nunca têm comportamentos, na maioria das vezes, que devam ser valorizados mais do que um dia. a solução é mesmo ignorar e aprender. :p

Ary disse...

Voltar costas é a solução? O que resolve?

Canoas o mercenário disse...

Com isto finaliza-se a questão. As pessoas ja perceberam, ja opinaram. Apos este post ja nao vale a pena falar mais. Todos os envolvidos mostraram o seu contentamento ou descontentamento.

O blog deles tem ja a fama que eles querem que tenha, ou pensam que tem. Nao vale a pena ataca-los mais. Acho que neste ponto se calhar a daniela tem razao e ja chega. (contra mim falo)

E ary claro que vale a pena levantar a voz. No doubt. Mas agora neste momento ja nao tem interesse pois ela nao é ouvida. Este é um debate que volta e meia aparece por ca. E quando voltar estaremos ca. É um pouco como as moscas, pode-se tirar todas de casa, mas mais tarde ou mais cedo elas hao de voltar

Daniela Ramalho disse...

resolve que não estás a perder tempo com coisas que não levam a lado algum. passas por cima, ignorando.

Ary disse...

To be or not to be ...

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